(Foto: Divulgação/20th Century Studios)
O gênero entregou alguns dos melhores longas-metragens do primeiro semestre do ano
O terror já vinha de um 2025 especialmente forte, mas 2026 reforçou de vez a impressão de que o gênero atravessa uma de suas fases mais criativas dos últimos anos. Em poucos meses, os cinemas receberam continuações ambiciosas, estreias autorais e fenômenos inesperados de bilheteria que recolocaram o horror no centro da conversa.
O mais interessante é que essa boa fase não depende de uma única tendência. Há espaço para o terror apocalíptico, para o suspense psicológico, para o horror experimental e até para filmes que misturam humor, desconforto e violência em doses pouco usuais. Em comum, todos parecem interessados em fugir do automático e oferecer experiências com personalidade própria.
Esse cenário ajuda a explicar por que 2026 já reúne títulos tão comentados. Alguns impressionam pela força visual, outros pelo clima sufocante ou pela capacidade de provocar discussões depois da sessão, mas todos mostram que o gênero continua sendo um dos mais férteis do cinema comercial e autoral. Confira:
A continuação dirigida por Nia DaCosta amplia a franquia sem abrir mão da brutalidade que a consagrou. Em vez de apostar apenas nos infectados, o filme desloca o foco para Sir Lord Jimmy Crystal (Jack O’Connell), transformando o personagem em uma ameaça ainda mais perturbadora e cruel do que o próprio caos ao redor.
A produção também chama atenção por equilibrar violência extrema com uma carga dramática incomum para esse universo. Ralph Fiennes ganha espaço como Dr. Kelson e ajuda a dar humanidade a uma trama marcada por devastação, enquanto o clímax surge como um dos momentos mais fortes do terror em 2026. É um filme que expande a saga com confiança e prova que ainda havia muito a explorar nesse mundo.
Entre os títulos mais falados do ano, Obsessão se destaca por transformar uma premissa clássica do terror, a ideia de “cuidado com o que deseja”, em algo mais incômodo, perverso e contemporâneo. O longa dirigido por Curry Barker mistura humor desconfortável, tensão psicológica e um olhar afiado para temas como consentimento, abuso e egoísmo, sem perder o senso de entretenimento.
Boa parte da força do filme está na atuação de Inde Navarrette, que sustenta as mudanças da personagem Nikki e ajuda a tornar a experiência ainda mais imprevisível. O resultado é um terror que funciona em duas frentes: assusta na superfície, mas também deixa um rastro de desconforto e debate depois que a história termina. Não por acaso, virou um dos casos mais comentados do ano.
Poucos filmes de 2026 parecem tão interessados em capturar um medo moderno quanto Backrooms. Dirigido por Kane Parsons, de apenas 20 anos, o longa leva para o cinema o imaginário dos espaços liminares e da mitologia de internet em torno de The Backrooms, apostando em corredores intermináveis, salas vazias e cenários que parecem errados de um jeito difícil de explicar.
O filme pode até tropeçar no desenvolvimento dos personagens e em um ritmo por vezes arrastado, mas compensa isso com um domínio impressionante da atmosfera. A sensação de desorientação vira o principal combustível da experiência, e o trabalho visual transforma o espaço em uma ameaça por si só. No fim, Backrooms se firma como um dos terrores mais estranhos, ousados e memoráveis do ano até aqui.
Entre os terrores mais caóticos de 2026, Eles Vão te Matar entra na lista por apostar em uma combinação de violência, humor ácido e ritmo de filme de ação que ajuda a diferenciá-lo de boa parte da safra do ano. A trama acompanha uma jovem obrigada a sobreviver a uma noite dentro do Virgil, esconderijo de um culto demoníaco transformado em armadilha mortal, em um cenário que abraça o exagero, os assassinatos elaborados e um clima de puro descontrole.
O filme talvez não tenha o mesmo peso autoral de outros títulos da seleção, mas compensa isso com uma energia que parece entender exatamente o tipo de experiência que quer entregar. Eles Vão te Matar assume o terror como espetáculo, investe em carnificina, humor sombrio e uma escalada de caos que transforma a sobrevivência da protagonista em um jogo cada vez mais brutal. Dentro de uma lista sobre os melhores filmes de terror de 2026 até agora, ele funciona como o representante mais assumidamente divertido, sangrento e desbocado do grupo.
Fechando a lista, Socorro! marca o retorno de Sam Raimi ao terror na direção com um filme que mistura sobrevivência, humor ácido e uma relação de poder venenosa entre dois personagens presos em uma situação extrema. A trama gira em torno do confronto entre uma funcionária socialmente desajustada e seu chefe sexista, usando esse atrito como motor tanto para o riso quanto para o desconforto.
O longa demora um pouco para mergulhar no horror mais pesado, já que Raimi parece mais interessado em explorar o absurdo e o constrangimento da dinâmica entre os protagonistas. Ainda assim, o diretor mostra que continua sabendo manipular tensão, timing cômico e imagens grotescas como poucos. O resultado é um terror mais irregular do que outros títulos da seleção, mas com personalidade suficiente para reforçar a ótima safra que o gênero já entregou em 2026.
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
Ver mais conteúdos de Victor CierroTangerina é um lugar aberto para troca de ideias. Por isso, pra gente é super importante que os comentários sejam respeitosos. Comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, com palavrões, que incitam a violência, discurso de ódio ou contenham links vão ser deletados.
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