(Foto: Divulgação/Universal Pictures)
O novo filme impressiona pela escala, mas também pelo cuidado em transformar um clássico em uma história humana e emocionante
Poucos diretores seriam capazes de adaptar um dos textos mais importantes da história da literatura sem perder sua essência. Em A Odisseia, Christopher Nolan encara esse desafio e entrega justamente o que muitos épicos modernos deixam de lado: uma narrativa que não depende apenas do espetáculo visual para funcionar. O resultado é um filme que impressiona pelo tamanho, mas conquista pelo peso emocional de seus personagens.
O desempenho da produção no Rotten Tomatoes ajuda a explicar essa percepção. Com 96% de aprovação da crítica, o longa já aparece como o filme mais elogiados da carreira de Nolan. O consenso aponta que o diretor conseguiu equilibrar cenas grandiosas, efeitos práticos e uma abordagem mais intimista da jornada de Odisseu (Matt Damon), transformando a aventura em um estudo sobre trauma, sobrevivência e as consequências da guerra.
Inclusive, o mérito também passa pelo elenco. Matt Damon recebeu elogios por interpretar um protagonista marcado pelo cansaço, pela culpa e pela persistência, enquanto Anne Hathaway foi destacada por dar força e profundidade a Penélope. Tom Holland também chamou atenção pela maturidade na pele de Telêmaco, e nomes como Robert Pattinson e John Leguizamo foram apontados por muitos críticos como grandes destaques em suas participações.
Nem tudo, porém, foi unanimidade. Parte da crítica considera que Nolan acelera demais alguns momentos da história, fazendo com que determinadas passagens pareçam resumidas. Também voltaram a surgir reclamações sobre a mixagem de som, um aspecto frequentemente associado à filmografia do diretor, além de observações sobre a dificuldade para compreender alguns diálogos em cenas específicas. Ainda assim, essas críticas aparecem como detalhes diante da recepção extremamente positiva ao filme.
Cavalo de Troia em cena de A Odisseia
(Foto: Divulgação/Universal Pictures)
Desse jeito, o maior sucesso de A Odisseia está em provar que um blockbuster ainda pode tratar seus personagens com profundidade sem abrir mão do entretenimento. Em vez de usar o material de origem apenas como desculpa para criar cenas gigantescas, Nolan encontra espaço para desenvolver conflitos humanos que tornam a jornada muito mais envolvente.
Essa combinação entre espetáculo e emoção é justamente o que diferencia A Odisseia de tantos outros épicos recentes. O longa impressiona pela tecnologia, sendo o primeiro filme narrativo rodado inteiramente com câmeras IMAX de 70 mm, mas mostra que o verdadeiro impacto vem da história que existe por trás de cada batalha. É por isso que o novo trabalho de Christopher Nolan acerta onde quase todo épico moderno fracassa.
A Odisseia está em cartaz nos cinemas. Assista abaixo ao trailer:
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
Ver mais conteúdos de Victor CierroTangerina é um lugar aberto para troca de ideias. Por isso, pra gente é super importante que os comentários sejam respeitosos. Comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, com palavrões, que incitam a violência, discurso de ódio ou contenham links vão ser deletados.
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