Foto: Divulgação/HBO
Fim da série acontece após uma terceira temporada que não se conectou com as duas primeiras
A terceira temporada de Euphoria foi confirmada como a última da série logo após a exibição do episódio final no último domingo (31), tanto na HBO quanto na HBO Max. Apesar do sucesso de audiência no streaming, o programa retornou mais como um spin-off após um hiato de quatro anos do que como continuação das duas primeiras temporadas.
[Atenção: Contém spoilers da terceira temporada de Euphoria a seguir]
Poucas tramas das temporadas anteriores foram exploradas nesse retorno, inclusive um tema que sempre foi tratado de forma bastante sensível: a dependência química de Rue (Zendaya). Após uma passagem de cinco anos, ela retornou completamente limpa, mesmo trabalhando em um ambiente hostil de tráfico de drogas.
Isso é apenas uma das coisas que pode justificar a nota baixa que a temporada recebeu no Rotten Tomatoes, por exemplo. Enquanto o terceiro ano recebeu apenas 37% de aprovação, os dois primeiros foram avaliados com 80% e 78% de críticas positivas, respectivamente.
Além da falta de conexão com as duas temporadas que cativaram o público, Euphoria também retornou sem nenhuma identidade, de forma que para entender os novos episódios, sequer era necessário ter assistido os anteriores. Um dos principais pontos para isso foi a redução do espaço de Jules (Hunter Schafer).
Protagonista no começo por sua complexidade e forma de usar a arte como expressão dos sentimentos, inclusive em seus figurinos e maquiagens, a personagem foi reduzida a uma “sugar baby” que desistiu de correr atrás dos sonhos. O único momento em que ela demonstrou sentimentos ao pintar foi após a morte de Rue, no último episódio.
Lexi (Maude Apatow) também sofreu com a perda de espaço; ela era a melhor amiga de Rue, mas se tornou uma personagem extremamente crítica e moralista. Lexi já era crítica antes, mas assim como Jules, usava um dom para se expressar, entregando uma ótima peça de teatro baseada na vida das protagonistas.
Apesar de ter conseguido o cargo de assistente de roteirista em Hollywood na terceira temporada e ter sido promovida, seu trabalho não foi compartilhado com o público, de forma que a visão dela sobre as amigas foi expressada sem nenhuma profundidade.
Mas a maior desconexão de identidade foi a mudança de Nate (Jacob Elordi); o personagem era extremamente misógino e violento nas duas primeiras temporadas, chegando a enforcar Maddy (Alexa Demie) por suas roupas provocantes e espancar um garoto por ter ficado com ela.
Na terceira temporada, Nate apareceu com uma personalidade completamente covarde, sem nenhum esforço para proteger a si mesmo ou Cassie (Sydney Sweeney), que passou a ser sua única família. Além disso, ele ainda apoiou a carreira dela na produção de conteúdo adulto, expondo muito mais o corpo do que Maddy nos dos primeiros anos inteiros.
O único ponto positivo foram os desenvolvimentos de Maddy e Cassie; as duas reconstruíram a amizade ao longo de toda a terceira temporada, deixando de lado a tensão causada pelos relacionamentos com Nate.
As personagens ganharam mais espaço e foram as que mais se conectaram com os dois primeiros anos de Euphoria, com um enredo completamente coerente com suas personalidades; Maddy continuou sendo poderosa mesmo quando perdeu tudo, e Cassie seguiu em busca de aprovação masculina até finalmente entender que nunca precisou disso.
Paola Zanon
Jornalista formada pela Cásper Líbero, repórter e redatora com passagens pelo Notícias da TV, R7, UOL Esporte, Lakers Brasil e UmDois Esportes. Apaixonada por cobertura esportiva e cultura pop em geral. E-mail: paola@tangerina.news
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