Sarah Snook em All Her Fault
Minissérie de suspense está em alta no Prime Video
Nova minissérie de suspense e drama do Prime Video, All Her Fault estreou no dia 2 de janeiro e está em alta na plataforma de streaming desde então. Mas além do mistério envolvente, a série também é ótima porque ilustra exatamente como funciona a jornada dupla e silenciosa das mães que ousam ter uma profissão além de ser mãe.
[Atenção: Contém spoilers de All Her Fault a seguir]
Na trama, Milo (Duke McCloud), de cinco anos, é sequestrado na saída da escola. Ao descobrir que o filho desapareceu, Marissa (Sarah Snook) começa a viver um verdadeiro inferno para descobrir o que aconteceu e ainda é responsabilizada por Peter (Jake Lacy), seu marido, por não ter prestado atenção em uma mensagem supostamente enviada pela mãe de outro aluno.
Sentindo-se sozinha e culpada, Marissa acaba encontrando apoio justamente dessa mãe de outro aluno, Jenny (Dakota Fanning), que também acaba sendo julgada por ter contratado a babá que sequestrou Milo. E o pior é que esse julgamento não vem apenas dos maridos, mas de outras mães e da própria sociedade.
É como se as duas, que se dedicam o máximo que podem, estivessem sendo castigadas por serem mães bem-sucedidas profissionalmente em vez de apenas ficar em casa cuidando dos filhos. Mesmo sobrecarregadas com a jornada dupla, mesmo tendo maridos que deveriam ser igualmente responsáveis pelos filhos, a culpa de qualquer tragédia acaba recaindo sobre elas —como indica o título.
Uma das melhores cenas de All Her Fault é quando Marissa e Jenny se escondem no banheiro durante um evento para os pais de alunos da escola para fugir do julgamento de outras mães. Entre taças de vinho, as duas desabafam sobre o fato de seus maridos não conseguirem fazer nada sem elas e, quando elas chegam para resolver o problema, escutam deles o quanto são incríveis.
Parece um elogio, mas elas só o recebem por fazerem algo que seus maridos deveriam ter feito: cuidar dos filhos. E o suposto elogio simplesmente desaparece quando algo dá errado, porque é tudo culpa delas —e não deles, que não fazem o mínimo, como buscar na escola ou saber onde está a mamadeira com leite.
Enquanto Marissa lida com o fato de que Peter quer estar no controle de tudo e, ao mesmo tempo, não quer assumir a responsabilidade por absolutamente nada, Jenny tenta fazer seu marido entender que ela, assim como ele, também merece um momento de descanso e autocuidado.
No fim das contas, após esgotar todas as possibilidades, ambas descobrem que é mais fácil ser mãe solo e seguir tentando dar conta de tudo sozinha do que contar com maridos disfuncionais, egocêntricos e egoístas. E nossa sociedade está cheia de mulheres cada vez mais se dando conta disso.
Paola Zanon
Jornalista formada pela Cásper Líbero, repórter e redatora com passagens pelo Notícias da TV, R7, UOL Esporte, Lakers Brasil e UmDois Esportes. Apaixonada por cobertura esportiva e cultura pop em geral. E-mail: paola@tangerina.news
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