(Foto: Netflix/Divulgação)
A nova adaptação de A Leste do Éden amplia saga de John Steinbeck que chegou aos cinemas com James Dean em 1955
A Netflix voltou a uma das histórias mais conhecidas da literatura americana para fazer algo que Hollywood não conseguiu há 71 anos. A Leste do Éden, nova minissérie estrelada por Florence Pugh, amplia consideravelmente a adaptação do romance de John Steinbeck (1902-1968) e recupera partes importantes que ficaram de fora do clássico lançado em 1955.
Dirigido por Elia Kazan (1909-2003), o filme ajudou a transformar James Dean (1931-1955) em um ícone do cinema, mas fez uma escolha bastante específica ao levar o livro às telas. A produção se concentrou apenas no terço final da obra, enquanto a nova versão da Netflix começa muito antes e dedica mais espaço às histórias dos personagens centrais.
A diferença está diretamente ligada ao formato. Com menos de duas horas, o filme de 1955 conseguiu adaptar menos de um quarto do romance de 601 páginas. A minissérie tem sete episódios, acrescenta mais de cinco horas de narrativa e cobre mais da metade do material original na Netflix.
Florence Pugh em cena de A Leste do Éden
(Foto: Netflix/Divulgação)
A mudança permite que A Leste do Éden atravesse diferentes décadas e gerações das famílias Trask e Hamilton. No clássico, a cronologia era muito mais limitada. A adaptação atual tenta se aproximar da dimensão de saga familiar imaginada por Steinbeck, ainda que também tenha precisado fazer cortes para funcionar em sete capítulos na Netflix.
Um desses ajustes envolve justamente os Hamilton. Embora a história dos Trask seja contada de maneira mais abrangente, o núcleo da outra família foi bastante reduzido. Ainda assim, a duração maior oferece espaço suficiente para explorar acontecimentos e personagens que praticamente não tiveram presença no longa protagonizado por James Dean.
Florence Pugh também está no centro de uma das maiores diferenças. Sua Cathy ganha mais profundidade e assume uma posição central na trama, em contraste com o filme de 1955, que deixou grande parte do passado da personagem de fora e a apresentou principalmente como uma antagonista coadjuvante. A série da Netflix ainda humaniza a protagonista ao explorar suas motivações e sua trajetória.
A recepção inicial indica que a nova abordagem encontrou espaço entre público e crítica. A Leste do Éden aparece com 86% de aprovação da crítica e 74% do público no Rotten Tomatoes. Após a estreia mundial, a produção também alcançou o quarto lugar entre os títulos mais vistos da Netflix no mundo e a segunda posição nos Estados Unidos, dando à história de Steinbeck uma nova oportunidade de conquistar o público mais de sete décadas depois de sua adaptação mais famosa.
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
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