(Foto: Divulgação/Disney)
Corte de mais de 1.000 funcionários desmonta área histórica da empresa e expõe nova estratégia focada em streaming e tecnologia
A Disney tomou uma das decisões mais drásticas de sua história recente ao encerrar uma divisão que ajudou a moldar o consumo de entretenimento por décadas. Em meio a uma onda de demissões que ultrapassa 1.000 funcionários, a empresa praticamente eliminou sua equipe de home entertainment, responsável por lançamentos físicos como DVDs e Blu-rays.
A medida marca o fim de uma era que durou quase 40 anos e que foi fundamental para consolidar o domínio da Disney fora dos cinemas. O setor, que cuidava da distribuição física de filmes e séries, sempre foi uma peça-chave na estratégia do estúdio, mas perdeu relevância com o avanço do streaming.
A decisão faz parte de uma reestruturação liderada pelo novo CEO, Josh D’Amaro, que busca tornar a companhia mais ágil e alinhada às demandas tecnológicas atuais. O foco declarado passa por áreas como streaming e inteligência artificial, deixando o modelo tradicional cada vez mais para trás.
O Rei Leão (1994) foi o VHS mais vendido na história da Disney
(Foto: Divulgação/Disney)
Mesmo antes do corte, o setor já vinha sendo esvaziado. Nos últimos anos, fãs reclamavam da lentidão nos lançamentos físicos, reflexo direto da prioridade dada ao Disney+. Ainda assim, o encerramento completo da equipe surpreendeu e gerou forte reação negativa entre consumidores mais tradicionais.
Parte dessa mudança também se conecta a um acordo firmado com a Sony Pictures em 2024, que transferiu à empresa a responsabilidade por produção, distribuição e vendas de mídias físicas nos Estados Unidos e Canadá. Com isso, a equipe interna da Disney passou a ser vista como redundante dentro da nova estrutura.
O impacto das demissões não se limitou a esse setor. Divisões importantes como Marvel Studios também foram afetadas, com cortes em áreas criativas e editoriais. Equipes de marketing foram consolidadas em diferentes braços da empresa, enquanto até parques temáticos sofreram impactos, ampliando a sensação de incerteza sobre o futuro da companhia.
A decisão deixa claro que a Disney está disposta a sacrificar parte de seu legado para acelerar sua transformação digital. Resta saber como o público vai reagir a um futuro cada vez mais distante das mídias físicas que ajudaram a construir a força do estúdio ao longo das últimas décadas.
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
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