(Foto: HBO Max/Divulgação)
Cara-de-Barro troca o espetáculo tradicional dos super-heróis pelo terror corporal e pode ser um teste decisivo para o estúdio
Lanternas mostrou que o novo universo da DC pode funcionar mesmo quando deixa de lado a fórmula tradicional dos filmes de super-heróis. Agora, porém, James Gunn e Peter Safran se preparam para levar essa estratégia a um território ainda mais arriscado. Cara-de-Barro será a próxima grande prova da franquia em 2026, apostando em terror, classificação para maiores e um personagem muito menos conhecido pelo grande público.
Com estreia marcada para 22 de outubro, o longa é tratado como uma das maiores apostas da DC até agora. Diferentemente de Superman (2025) e Supergirl, Cara-de-Barro não possui o mesmo reconhecimento fora dos quadrinhos e das animações. Além disso, enquanto projetos como Pacificador (2022-2025) e Comando das Criaturas também exploraram personagens menos populares, ambos chegaram ao público pela televisão e pelo streaming, sem a mesma pressão por bilheteria.
O desafio fica ainda maior depois dos resultados irregulares da DC nos cinemas. Superman conseguiu iniciar a nova fase da franquia com um desempenho positivo, enquanto Supergirl decepcionou comercialmente apesar de adaptar uma HQ popular e contar com uma protagonista de destaque. Lanternas, por outro lado, encontrou boa recepção ao combinar drama, ficção científica e um mistério centrado em John Stewart (Aaron Pierre) e Hal Jordan (Kyle Chandler).
A proposta do próximo filme ajuda a explicar por que ele representa um risco tão grande. Cara-de-Barro seguirá Matt Hagen (Tom Rhys Harries), um ator em ascensão que perde o rosto e recorre a procedimentos complexos para tentar recuperá-lo. As cirurgias dão terrivelmente errado e iniciam sua transformação no conhecido vilão do Batman. A história foi desenvolvida por Mike Flanagan, enquanto James Watkins, de Não Fale o Mal (2024), assumiu a direção.
Tom Rhys Harries em cena de Cara-De-Barro
(Foto: DC/Divulgação)
Em vez de reproduzir o estilo colorido associado a parte das produções recentes da DC, o longa foi concebido como um terror corporal e chegou a ser comparado a A Mosca (1986), de David Cronenberg. A classificação para maiores também permite que a produção explore violência e elementos mais perturbadores, criando uma experiência muito distante de Superman e Supergirl.
A mudança pode justamente ser a principal força do projeto. Em um momento no qual a chamada fadiga dos super-heróis continua sendo discutida, a DC tenta provar que suas adaptações não precisam seguir uma única fórmula. Cara-de-Barro ainda aproveita um personagem bastante popular entre fãs do Batman, especialmente por suas versões em animações como Harley Quinn e Batman: A Série Animada (1992-1995), apesar de nunca ter recebido uma adaptação live-action para os cinemas.
Há também um fator que reduz o tamanho da aposta: o orçamento fica em torno de US$ 40 milhões (R$ 207 milhões), diminuindo o valor necessário para que o longa se pague em comparação com outros blockbusters da DC. A presença de Gotham também pode aumentar o interesse enquanto o público aguarda a introdução do Batman no novo universo. Depois da boa recepção de Lanternas, Cara-de-Barro terá a missão de mostrar se o estúdio consegue transformar justamente suas escolhas mais improváveis em um diferencial.
O próximo episódio de Lanternas estreia neste domingo (30) na HBO Max. Já Cara-de-Barro chega aos cinema em 22 de outubro. Assista abaixo ao trailer do filme:
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
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