FILMES E SÉRIES

Ted Sarandos, co-CEO da Netflix, em palestra no Reino Unido, em 2024

Ted Sarandos, co-CEO da Netflix, em foto de 2024 (Divulgação)

NEGÓCIOS

As promessas do chefão da Netflix a Wall Street e o contragolpe da Paramount

Ted Sarandos falou a analistas de mercado sobre licenciamento de conteúdo, janela de exibição nos cinemas e a oferta de aquisição hostil da rival

Vinícius Andrade, Tangerina
Vinícius Andrade

A batalha pela aquisição da Warner Bros. Discovery (WBD) por parte da Netflix, anunciada na semana passada por cerca de US$ 83 bilhões (R$ 450 bilhões), ganhou contornos de novela nas últimas horas, com a entrada agressiva de uma proposta da Paramount. O acordo da gigante de streaming pretende incorporar os estúdios e os ativos da WBD, incluindo a HBO e a HBO Max.

Diante da repercussão no mercado e das preocupações na indústria cinematográfica, os dois co-CEOs da Netflix, Ted Sarandos e Greg Peters, procuraram acalmar analistas da indústria e do mercado financeiro, detalhando como a empresa planeja administrar os novos negócios. As informações são do Deadline. Os executivos foram o evento principal de uma conferência de Wall Street, em Nova York, nesta segunda-feira (8).

Sarandos assegurou que a divisão Warner Bros. Television Group (WBTV) continuará licenciando e vendendo programas para canais e plataformas rivais, algo que a Netflix nunca havia feito. A WBTV é responsável por séries de sucesso em outras plataformas e emissoras, como Ted Lasso (Apple), Abbott Elementary (ABC) e The Voice (NBC).

Quanto ao cinema, o executivo reiterou o compromisso de não desvalorizar o negócio teatral da Warner, afirmando que a Netflix manterá a forma como a companhia lança seus filmes hoje, preservando a máquina de distribuição cinematográfica.

“Se tivéssemos fechado esse acordo há 24 meses, todos aqueles filmes que vimos este ano terem um desempenho tão bom para a Warner Bros. teriam sido lançados da mesma forma nos cinemas. Estou falando de Minecraft, estou falando de Superman, estou falando de A Hora do Mal, estou falando de Pecadores”, disse Sarandos, que começou sua carreira no mercado de vídeo doméstico, referindo-se à excelente bilheteria global de mais de US$ 4 bilhões (R$ 21,7 bilhões) da Warner em 2025.

Embora o executivo da Netflix tenha histórico de preferir janelas de exibição mais curtas para os filmes, ele ressaltou que a empresa não comprou a Warner para “destruir esse valor” e que as janelas de lançamento evoluirão para se tornarem “mais amigáveis ao consumidor” ao longo do tempo –ou seja, o tempo entre as telonas e as telas de casa tende a diminuir.

Josh O'Connor e Daniel Craig em Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out; filme tem relação direta com a Marvel

Josh O'Connor e Daniel Craig em Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out

(Foto: Divulgação/Netflix)

Sarandos já defendeu publicamente a exclusividade de apenas 17 dias nos cinemas, em vez dos 45 dias defendidos pelas três principais redes dos Estados Unidos. Um dos motivos pelos quais o terceiro filme da franquia dirigido por Rian Johnson, Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out, não foi exibido nas redes AMC, Regal e Cinemark, é que a Netflix se recusou a conceder ao filme uma janela de 30 dias.

O contragolpe da Paramount e o fator Trump

O panorama da fusão se complicou após a Paramount Skydance lançar uma oferta de aquisição hostil pelo valor total da Warner Bros. Discovery, avaliada em US$ 108,4 bilhões (R$ 588 bilhões). Uma aquisição hostil ocorre quando uma empresa tenta comprar outra sem o aval da diretoria, direcionando a proposta de compra diretamente aos acionistas, geralmente oferecendo um preço superior por ação.

Neste caso, a Paramount, liderada por David Ellison, ofereceu US$ 30 em dinheiro por ação, superando a proposta da Netflix, que é de cerca de US$ 27,75 por ação em um pacote misto de dinheiro e ações. No entanto, a diferença é que a Paramount apresentou sua oferta pela WBD completa, incluindo canais lineares como CNN, TBS e TNT. A empresa ainda prometeu lançar mais de 30 filmes por ano nos cinemas, fazendo uma clara oposição à política da Netflix sobre distribuição teatral.

Sarandos também falou sobre isso no evento desta segunda. “A decisão de hoje [da oferta da Paramount] era totalmente esperado. Fechamos um acordo e estamos muito satisfeitos com ele, tanto para os acionistas quanto para os consumidores. É uma ótima maneira de criar e proteger empregos na indústria do entretenimento. Estamos muito confiantes de que conseguiremos concretizá-lo”, comentou o executivo.

Mesmo que a proposta da Paramount não vingue, o acordo entre Netflix e Warner ainda passará por um extenso processo de aprovação regulatória, que pode levar de 12 a 18 meses, envolvendo o Departamento de Justiça e a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos.

A Paramount argumenta que a união com a rival de streaming resultaria em uma combinação anticompetitiva, concedendo à Netflix 43% de participação no mercado global de assinantes de streaming sob demanda (SVOD). “A oferta da Paramount pela totalidade da WBD proporciona aos acionistas US$ 18 bilhões a mais em dinheiro do que a contraprestação da Netflix”, afirmou a empresa em sua proposta.

“A recomendação do Conselho de Administração da WBD de optar pela transação com a Netflix em detrimento da oferta da Paramount baseia-se em uma avaliação prospectiva ilusória da Global Networks, que não é sustentada pelos fundamentos do negócio e é prejudicada pelos altos níveis de alavancagem financeira atribuídos à entidade”, diz o documento.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Air Force One: ele pode impedir compra da Warner pela Netflix?

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, no Air Force One

(Reprodução/YouTube/The White House)

A disputa atraiu a atenção da Casa Branca. O presidente Donald Trump, que teve um encontro com Sarandos antes de o negócio entre Netflix e Warner Bros. ser anunciado, declarou publicamente que a fusão “poderia ser um problema” devido à grande fatia de mercado que o conglomerado teria. Embora tenha chamado Sarandos de “um homem fantástico”, o presidente afirmou que estaria envolvido na decisão sobre a aprovação do negócio, indicando que o processo de análise regulatória não será breve.

Os financiadores por trás da oferta da Paramount, que incluem fundos soberanos do Oriente Médio e a Affinity Partners, de Jared Kushner, genro de Trump, tomaram medidas para estruturar a transação de modo a evitar a jurisdição do Comitê de Investimento Estrangeiro nos Estados Unidos (CFIUS).

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Vinícius Andrade

Jornalista e colaborador da Tangerina. Vinícius Andrade já foi editor do Notícias da TV e tem especialização em SEO. Interessado por tudo o que envolve mercado de entretenimento, tem mais de 13 anos de experiência na área e também trabalha com jornalismo local. E-mail: vinicius@tangerina.news

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