Atriz de Bom Dia, Verônica critica sexualização de mulheres na TV

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Elisa Telles

Reprodução/Instagram

ELISA TELLES

Atriz de Bom Dia, Verônica critica sexualização de mulheres na TV

Elisa Telles faz sua estreia na série da Netflix na pele de uma atiradora de elite que elimina quem desconfia do vilão vivido por Reynaldo Gianecchini

André Zuliani

Sucesso nacional da Netflix, Bom Dia, Verônica estreia sua segunda temporada nesta quarta-feira (3) e introduz vários novos personagens para contracenar com a protagonista vivida por Tainá Muller. Uma delas é Elisa Telles, atriz de 31 anos que faz na série a sua estreia no streaming.

Na trama, Elisa é uma das vilãs controladas pelo grande antagonista dos novos episódios: Matias, predador sexual interpretado por Reynaldo Gianecchini. Atiradora de elite, a jovem de apenas 18 anos é usada como ferramenta do vilão para “apagar” aqueles que passam por seu caminho.

Apesar de pouco conhecida do grande público, Elisa já é uma veterana no mercado. Além de trabalhos como atriz, ela também atua como produtora executiva de projetos independentes e se considera uma apaixonada pelo cinema autoral do Brasil. Entre as produções em que a novata de Bom Dia, Verônica trabalhou antes de sua estreia na Netflix se destaca o longa Ménage (2021), na qual interpretou uma garota de programa.

O filme, assim como a série da Netflix, inclui cenas íntimas e temas pesados que poderiam deixar qualquer artista desconfortável no set. Com a popularização do streaming e dos canais pagos nos últimos anos, tornaram-se comuns produções com muitas cenas quentes, que abusam da sexualização do corpo da mulher.

Um exemplo atual é Euphoria, fenômeno da HBO que chega como uma das candidatas ao Emmy 2022. Com várias sequências picantes envolvendo seu elenco, a sexualização do corpo de suas atrizes já foi, inclusive, alvo de críticas de Sydney Sweeney, um dos destaques da produção. Na visão de Elisa, este tipo de situação desconfortável infelizmente ainda acontece com frequência na indústria.

“Eu sinto que isso acontece muito no cinema, e não só no cinema nacional. Eu assisti à segunda temporada de Euphoria e critiquei muito esse lugar de exploração demais [do corpo]. Às vezes é peito o tempo inteiro. Para quê, sabe? A gente não precisa ver tanto assim, não precisa de tudo isso”, disse Elisa em entrevista exclusiva à Tangerina.

Apesar das críticas a este lado da indústria, Elisa Telles admitiu ser uma pessoa que lida bem com certas situações. Segundo ela, por ter entrado na vida artística pela dança, sua relação com o corpo não deixa que cenas picantes sejam uma grande questão em sua carreira.

“Isso é muito pessoal, né? Muito pessoal mesmo. Eu entendo todas estas questões e que muitas mulheres as têm, mas faz parte do meu trabalho. Desde muito jovem, quando cheguei em São Paulo, sempre fui de uma coisa mais corporal. Fiz trabalhos do corpo, da dança contemporânea. Desde muito nova aprendi a me trocar no meio de gente. Essa coisa de corpo nunca foi muito forte para mim. Nunca tive esse pudor físico. O meu pudor existe, mas está em outro lugar”, acrescentou.

Elisa reforça, no entanto, que não é porque ela sabe lidar com cenas de nudez que não vê necessidades de melhorias importantíssimas na indústria. Na visão da atriz, a criação do cargo de coordenadores de intimidade para auxiliar os atores em sequências envolvendo sexo e toques em partes íntimas é fundamental para a profissão.

“Demoraram muito para colocar esta função no set. Eu li sobre isso e fiquei muito feliz. Assim as pessoas podem se sentir mais à vontade, dizer qual é o seu limite. Nós nunca sabemos, né? Quando rodei Ménage eu era bem inexperiente, faz cinco anos que nós filmamos. Foi meu primeiro longa e eu tive muita sorte porque o Luan [Cardoso, diretor] tinha muito cuidado comigo, assim como os atores e a equipe do filme. Quase todo mundo saía do set quando íamos gravar cenas de sexo. Era sempre equipe reduzida. Nunca teve essa coisa de exploração dos órgãos genitais.”

Estrela da Netflix?

À Tangerina, Elisa não pôde contar muitos detalhes sobre sua personagem na segunda temporada de Bom Dia, Verônica, mas assegurou que ela é muito mais do que apenas uma “novinha atiradora”. Segundo a atriz, ela não tinha acompanhado a série no lançamento do primeiro ano, mas acabou ficando “viciada” quando teve a oportunidade de assistir.

Sua escalação, inclusive, precisou de um pouco de toque de sorte. De acordo com a atriz de Bom Dia, Verônica, outra pessoa havia sido escalada para o mesmo papel, mas acabou deixando o projeto porque não tinha o perfil desejado pela produção. Já Elisa não apenas se encaixava nos pré-requisitos como também tinha semelhança física com outra integrante do elenco.

“Esta pessoa ainda nem tinha começado a gravar, então não foi porque não fez um bom trabalho, mas sim pela questão do perfil. A produção foi atrás de uma atriz que tinha mais o perfil de atiradora e me chamaram. Talvez, também, por eu ter uma semelhança com a Elisa Volpatto. Tem uma coisa entre ela e minha personagem. Então, eu nem fiz teste. A preparadora de elenco já conhecia meu trabalho e tinha me visto algumas vezes, mas enviei meu material mesmo assim. Mandei à tarde e, horas depois, já estava escalada. E já fui pro Rio de Janeiro fazer preparação com armas”, encerrou.

Tainá Müller na segunda temporada de Bom Dia, Verônica, da Netflix

Bom Dia, Verônica - 2ª temporada

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QUEM FEZ

André Zuliani

Repórter de séries e filmes. Viciado em cultura pop, acompanha o mundo do entretenimento desde 2013. Tem pós-graduação em Jornalismo Digital pela ESPM e foi redator do Omelete.

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