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Capa da crítica do filme Cidade Perdida

Divulgação

Crítica

Aos 57 anos, Sandra Bullock ri de si mesma no divertido Cidade Perdida

Comédia prova que a atriz sabe qual é o segredo para escapar das armadilhas do culto à juventude eterna: brincar com sua própria imagem

Rafael Argemon

Rafael Argemon

À primeira vista, Cidade Perdida, que estreia no cinema nesta quinta-feira (21), parece deslocado no tempo. Um filme com um timing totalmente errado. Ou as comédias românticas aventurescas com pitadas de Indiana Jones como Tudo por uma Esmeralda (1984) e A Joia do Nilo (1985) voltaram à moda? Não. Na verdade elas não voltaram. O fato é que Sandra Bullock nunca sai de moda.  

Do alto de seus 57 anos de idade, a atriz retorna a seu elemento em Cidade Perdida, fazendo o que sabe melhor: rir de si mesma. Que outra estrela de Hollywood consegue lidar com mais leveza com a passagem do tempo sem cair nas armadilhas do culto à juventude eterna? Mesmo fazendo um papel “sério” aqui ou ali, Bullock sempre esteve ligada a comédias que brincam com sua imagem.

O conflito entre imagem real e projetada é, na verdade, o grande tema de Cidade Perdida. E ele não se aplica apenas à Bullock e sua personagem, mas também a seu par romântico vivido por Channing Tatum, ao vilão interpretado por Daniel Radcliffe, e até em relação à participação mais do que especial de Brad Pitt. Todos eles têm seus conflitos relacionados ao que desejam parecer e o que realmente são. 

Bullock é Loretta, uma escritora que, depois da morte do marido com quem dividia uma carreira ligada à arqueologia, ficou famosa com livros de aventuras soft porn. Tatum é seu muso. Um modelo bobalhão que ganha a vida exibindo seu peitoral e usando uma ridícula peruca de longos cabelos loiros. 

Cena do filme Cidade Perdida

Trailer de Cidade Perdida

Recheado de humor, ação e romance, filme emula aventuras da década de 1980

Após o lançamento de seu novo livro em que tudo dá errado, Loretta é raptada por capangas do bilionário Abigail Fairfax, que é obcecado por um tesouro arqueológico escondido em uma ilha no Caribe. Um homenzinho patético, frustrado pelo pai ter escolhido o irmão mais novo como seu sucessor nos negócios da família que pretende usar os conhecimentos acadêmicos de Loretta para conseguir seu prêmio.

Preocupado com o sumiço da “amiga”, Alan contata um soldado profissional que conheceu em um spa: Jack Trainer (Brad Pitt). Uma sexy máquina assassina que parece saber exatamente o que fazer para salvar a “donzela em perigo”. Mas, no final das contas, ela é quem menos precisa de ajuda.

Sandra Bullock por Sandra Bullock

Claro que você não deve esperar uma reflexão profunda sobre questões de imagem em Cidade Perdida. Elas estão lá para quem quer pensar um pouco mais sobre isso. Mas o que o filme quer mesmo é divertir. E faz isso com muita naturalidade. É visível o quanto Sandra Bullock e todo o resto do elenco está curtindo cada cena. Das mais cômicas às sequências de ação de alta octanagem.

Um sentimento que transborda na tela e transporta o espectador para um paraíso perdido onde nada mais importa além da mais pura e simples diversão. Cidade Perdida está longe de ser um filme impactante que estará nas listas de melhores do ano. Mas esse não é seu objetivo. Como a própria Sandra Bullock nos ensina em diversos de seus papéis, às vezes, o melhor é simplesmente se aceitar do jeito que você é e ter a consciência de que não há nada errado em rir de si mesmo.

Dois pelo preço de um: Aproveite o embalo e veja (ou reveja pela décima vez) Miss Simpatia (2000). Atualmente está disponível na HBO Max.

Presta atenção, freguesia: Na incrível sequência de ação com Brad Pitt que tem uma conclusão das mais surpreendentes.

Pôster do filme Cidade Perdida

Cidade Perdida

Comédia
14
Direção
Aaron e Adam Nee
Produção
Paramount
Onde assistir
Salas de cinema
Elenco
Sandra Bullock
Channing Tatum
Daniel Radcliffe
Da'Vine Joy Randolph
Brad Pitt
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QUEM FEZ
Rafael Argemon

Rafael Argemon

Rafael Argemon é criador do perfil O Cara da Locadora no Instagram e também assina uma coluna com o mesmo nome na Tangerina, onde indica as pérolas escondidas nas plataformas de streaming. Cinéfilo e maratonador de séries profissional, passou por Estadão, R7, UOL, Time Out e Huffpost. Apaixonado por pugs, sagu e jogos do Mario.

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