(Foto: Divulgação/Warner Bros.)
A expectativa é que Ryan Coogler saia da cerimônia com reconhecimento em outras categorias, mas sem alterar o panorama de Melhor Diretor
A reta final do Oscar 2026 perdeu grande parte da imprevisibilidade após um resultado decisivo fora da Academia. A vitória de Paul Thomas Anderson no Directors Guild of America Awards praticamente congelou a disputa pela estatueta de Melhor Direção e reforçou a percepção de que a maior dívida histórica do prêmio deve continuar por mais um ano.
Na prática, o triunfo no DGA costuma funcionar como um termômetro quase definitivo. Desde 2010, o sindicato e o Oscar divergiram pouquíssimas vezes, o que transforma o resultado em um forte indicativo do que deve acontecer na cerimônia principal. Com isso, a chance de uma virada de última hora passou a ser vista como remota.
O impacto desse cenário vai além da corrida individual. O resultado sinaliza que o Oscar deve manter um tabu que atravessa décadas: nenhum cineasta negro jamais venceu o prêmio de Melhor Direção. Mesmo com mudanças recentes no perfil dos votantes, a categoria segue sendo uma das mais resistentes a rupturas históricas.
O contexto da temporada tornava 2026 especialmente simbólico. Ryan Coogler chegou à disputa com um filme que quebrou recordes de indicações, reacendendo a expectativa de um desfecho diferente. Ainda assim, o favoritismo consolidado nos bastidores parece ter falado mais alto do que o peso histórico da campanha.
Do outro lado, Paul Thomas Anderson vinha construindo uma narrativa sólida ao longo da temporada. Mesmo acumulando diversas indicações ao Oscar ao longo da carreira, o diretor nunca levou a estatueta, fator que acabou se tornando um trunfo adicional na disputa, segundo a leitura predominante da indústria.
A disputa entre os filmes Pecadores e Uma Batalha Após a Outra também ajuda a explicar o esfriamento da corrida. Embora o primeiro tenha liderado as indicações, o segundo consolidou vitórias importantes nas semanas decisivas, como no DGA, criando um cenário em que a Academia tende a seguir o fluxo já estabelecido.
Caso o favoritismo se confirme, a expectativa é que Ryan Coogler saia da cerimônia com reconhecimento em outras categorias, mas sem alterar o panorama histórico da direção. Isso mantém viva a crítica de que, mesmo às vésperas do centenário do Oscar, algumas barreiras simbólicas seguem intactas.
Se o roteiro se confirmar, a cerimônia marcada para 15 de março pode enfim coroar Paul Thomas Anderson, reforçando a tendência do impacto do DGA no Oscar. Pecadores e Uma Batalha Após a Outra estão disponíveis na HBO Max.
É hora de transformar o seu conhecimento em filmes em prêmios reais, no Bolão do Oscar 2026 da Tangerina.
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
Ver mais conteúdos de Victor CierroTangerina é um lugar aberto para troca de ideias. Por isso, pra gente é super importante que os comentários sejam respeitosos. Comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, com palavrões, que incitam a violência, discurso de ódio ou contenham links vão ser deletados.
Ainda não tem uma conta?
Só o que vale o play
Toda sexta-feira, no seu e-mail, as melhores dicas de filmes e séries para ver em casa