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Cena do filme Amor, Sublime Amor

Divulgação

Crítica

Amor, Sublime Amor: Versão não é necessária, mas é muito relevante

Steven Spielberg imprime sua assinatura ao clássico musical, fazendo atualizações narrativas que vão além de um simples remake

Rafael Argemon

Rafael Argemon

A não ser que você seja um mega hiper blaster fã de musicais da Broadway (e, mesmo assim, há exceções), é compreensível que, ao saber sobre a existência de um remake de Amor, Sublime Amor (já disponível no Star+), você tenha se perguntado: “por que diabos precisamos de outra versão de uma das mais significativas obras do gênero?”.

Uma questão pra lá de justa, que pode inclusive desestimular alguém a encarar mais de duas horas e meia de uma versão “requentada” de um clássico, 50 anos depois da produção original conquistar dez estatuetas do Oscar —incluindo aí melhor filme, direção, roteiro adaptado e trilha sonora.

Mas, se de um lado estamos falando das letras do genial Stephen Sondheim, das músicas de Leonard Bernstein e da direção de Robert Wise, na outra ponta dessa barreira temporal está ninguém menos que Steven Spielberg. Que, aliás, responde de bate-pronto à pergunta que todos nós, céticos, fizemos antes de assistir sua visão de Amor, Sublime Amor.

E a resposta é muito simples. O remake de Amor, Sublime Amor faz todo o sentido. Não apenas por conta da já esperada maestria técnica que Spielberg demonstra ao contar essa história, mas também pelo quanto ela segue atual e relevante. Mesmo que necessite de um ajuste aqui ou ali.

Um novo Sublime Amor

Aliás, essas revisões históricas dão à versão de 2021 um caráter muito maior do que o de um simples remake. Ao introduzir o pano de fundo da gentrificação da região da Lincoln Square (ou San Juan Hill), o diretor —junto com o roteirista Tony Kushner, claro— dá mais escopo à rivalidade entre Jets (descendentes de irlandeses) e Sharks (porto-riquenhos).

Isso sem falar no fato de que o papel de Maria foi dado a uma atriz de origem latina e não a uma caucasiana fazendo brownface. É claro que Natalie Wood não tinha nenhuma culpa disso e fez o seu trabalho muito bem, mas é justo ver alguém como Rachel Zegler (filha de mãe colombiana) no papel da protagonista. O que nos leva a falar de outra personagem que traz mais diversidade à mesa: Anybodys (interpretada por Iris Menas). Tudo bem que aqui a discussão sobre gênero termina superficial, mas está longe de ser um revisionismo vazio.

Mesmo assim, os maiores acertos do elenco —assim como no original, diga-se— são os coadjuvantes. Por mais que Ansel Elgort seja bem melhor do que Richard Beymer, já que ele pelo menos cantou de verdade e não foi dublado, quem brilha mesmo é a dupla Ariana DeBose (como Anita) e Mike Faist (como Riff). Eles são as grandes forças que sustentam essa visão mais “suja”, de ameaça mais crível, que Spielberg quer implementar.

A ordem dos fatores altera o produto

Na história, temos a porto-riquenha Maria (Rachel Zegler) que, recém-chegada a Nova York, encanta Tony (Ansel Elgort), um ex-líder de uma gangue de descendentes de irlandeses, os Jets, que acaba de sair da cadeia por quase matar um integrante de um grupo rival. Mas esse amor é “proibido”, já que Maria é irmã de Bernardo (David Alvarez), líder dos Sharks, inimigos mortais dos Jets, hoje comandados pelo melhor amigo de Tony, Riff (Mike Faist).

Cena do filme Amor, Sublime Amor

Trailer do filme Amor, Sublime Amor (2021)

Ariana DeBose (de amarelo) é uma das favoritas ao Oscar de melhor atriz coadjuvante

Outro fator muito importante que distancia as versões cinematográficas de Wise e Spielberg é a ordem dos números musicais e algumas substituições no papel de quais personagens as interpretam. Pode parecer um detalhe técnico, mas faz uma diferença imensa no sentido da narrativa, dando mais peso para momentos cruciais no andamento da história.

Isso não faz essa ou aquela versão melhor do que a outra. Só diferente. Se, por exemplo, o famoso número de “America” é bem melhor no filme de 1961, em que Rita Moreno —vencedora do Oscar pelo papel que recebe uma linda homenagem no filme de 2021 ao interpretar Valentina— brilha como Anita, por outro lado “Cool” é bem melhor aproveitada no novo Amor, Sublime Amor. O hit “Somewhere”, então… Nos dois filmes, a canção tem sentidos bem distintos.

Dito tudo isso, a nova versão de Amor, Sublime Amor pode não ser necessária, mas é, definitivamente, relevante. Não é uma mera atualização, mas a visão de um autor sobre uma obra de outro que, claro, faz as devidas reverências, mas imprime aquilo que acredita ser a sua forma de contar a história. Por mais batida que ela pareça hoje em dia. De qualquer maneira, eis um espetáculo que vai te conquistar, seja você fã ou não de musicais.

Dois pelo preço de um: Se você gostou deste filme, provavelmente vai se identificar com a ambientação urbana e o toque latino de outro musical: Em um Bairro de Nova York.

Presta atenção, freguesia: Na dupla Ariana DeBose (Anita) e Mike Faist (Riff). Eles são praticamente a alma da história. 

Indicações ao Oscar 2022:

  • Melhor filme
  • Melhor direção (Steven Spielberg)
  • Melhor atriz coadjuvante (Ariana DeBose)
  • Melhor fotografia (Janusz Kominski)
  • Melhor figurino (Paul Tazewell)
  • Melhor design de produção (Adam Stockhausen)
  • Melhor som
Pôster do filme Amor, Sublime Amor

Amor, Sublime Amor

Musical / Drama
14
Direção
Steven Spielberg
Produção
20th Century Studios
Onde assistir
Cinemas e Star+
Elenco
Ansel Elgort
Rachel Zegler
Ariana DeBose
Mike Faist
David Alvarez
Rita Moreno
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QUEM FEZ
Rafael Argemon

Rafael Argemon

Rafael Argemon é criador do perfil O Cara da Locadora no Instagram e também assina uma coluna com o mesmo nome na Tangerina, onde indica as pérolas escondidas nas plataformas de streaming. Cinéfilo e maratonador de séries profissional, passou por Estadão, R7, UOL, Time Out e Huffpost. Apaixonado por pugs, sagu e jogos do Mario.

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