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Russell Crowe em cena de Unabomber, filme da Netflix

(Foto: Philippe Bosse/Netflix)

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Crítica já não importa? Novo fenômeno da Netflix levanta debate

Unabomber chegou ao topo da plataforma mesmo com apenas 27% de aprovação e reforça distância entre repercussão crítica e audiência

Victor Cierro
Victor Cierro

Uma aprovação de apenas 27% da crítica normalmente seria um sinal preocupante para qualquer grande lançamento. Na Netflix, porém, uma recepção negativa parece ter cada vez menos força para impedir que um filme encontre milhões de espectadores. Unabomber é o exemplo mais recente: massacrado nas avaliações, o longa conseguiu chegar ao primeiro lugar entre os filmes mais assistidos da plataforma.

Lançado em 25 de setembro, Unabomber acompanha Ted Kaczynski (Jacob Tremblay), que estudou em Harvard antes de cometer uma série de atentados nos Estados Unidos entre 1978 e 1995. Dirigido por Janus Metz, de Andor (2022-2025) e True Detective, o filme também reúne Russell Crowe e Shailene Woodley no elenco.

O desempenho chama atenção justamente pelo contraste com a recepção. Além dos 27% de aprovação entre os críticos no Rotten Tomatoes, o longa também não conquistou completamente o público: a avaliação da audiência ficou em 50%. Mesmo assim, tornou-se o filme mais assistido da Netflix e alcançou a liderança em dezenas de países.

Jacob Tremblay em cena de Unabomber, filme da Netflix

Jacob Tremblay em cena de Unabomber

(Foto: Philippe Bosse/Netflix)

Netflix transforma curiosidade em audiência

Os números ajudam a dimensionar esse fenômeno. Unabomber registrou 16,4 milhões de visualizações em seus três primeiros dias na Netflix. É um resultado expressivo, embora abaixo de outros sucessos da plataforma em 2026, como Máquina de Guerra, que alcançou 39,3 milhões, e O Homem que Sussurra, com 23,2 milhões no mesmo período de comparação.

Nesse caso, o próprio tema parece ter funcionado como um importante chamariz. A história de Kaczynski e a presença do Projeto MKUltra criam uma curiosidade imediata, enquanto nomes como Russell Crowe e Jacob Tremblay aumentam o apelo do lançamento. Crowe interpreta o professor Harry Murray, ligado aos experimentos apoiados pela CIA realizados com estudantes de Harvard, enquanto Tremblay assume o papel de Kaczynski.

Isso não significa que as críticas tenham sido irrelevantes para a percepção do longa. Entre os problemas apontados estão uma narrativa fragmentada, imprecisões históricas e dificuldades para explorar com profundidade seu protagonista e os acontecimentos retratados. O interesse pelo assunto, portanto, não necessariamente se converteu em aprovação depois que o público apertou o play.

A diferença está no funcionamento do streaming. Enquanto um lançamento nos cinemas precisa convencer o espectador a comprar um ingresso, um assinante da Netflix encontra Unabomber diretamente na plataforma que já paga. Uma premissa chamativa, um elenco conhecido e uma posição privilegiada entre os títulos mais vistos podem ser suficientes para gerar o primeiro clique.

Por isso, os 27% de aprovação contam apenas parte da história. Unabomber pode estar longe de conquistar a crítica, mas seus 16,4 milhões de visualizações em três dias mostram que uma recepção ruim não necessariamente impede um título de ocupar o espaço mais disputado da Netflix. No streaming, despertar curiosidade pode ser tão importante quanto conquistar boas avaliações.

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Victor Cierro

Victor Cierro

Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.

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