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Batman continua longe de fazer sua estreia oficial em live-action, mas sua presença já começa a ser sentida em diferentes produções da DC

(Foto: Warner Bros./Divulgação)

Lenda

DC encontrou a melhor forma de apresentar Batman no novo universo

Antes de colocar o Cavaleiro das Trevas em cena, o estúdio constrói a presença do herói por referências espalhadas em suas produções

Victor Cierro
Victor Cierro

Batman é grande demais para simplesmente aparecer. Enquanto parte do público esperava que o Cavaleiro das Trevas fosse apresentado rapidamente no novo universo da DC, James Gunn escolheu um caminho bem mais paciente. O herói continua longe de fazer sua estreia oficial em live-action, mas sua presença já começa a ser sentida em diferentes produções e isso pode ser exatamente o que o personagem precisava.

A estratégia ficou mais evidente em Comando das Criaturas. No sexto episódio da animação, Batman surge apenas como uma enorme silhueta durante um flashback envolvendo o Doutor Fósforo. A sequência estabelece que o vigilante já atua em Gotham e foi responsável por derrotar o vilão, mas evita revelar detalhes sobre seu visual. James Gunn chegou a explicar que uma versão mais definida do personagem havia sido concebida, mas preferiu preservar o mistério.

Lanternas foi além. No sexto episódio, Hal Jordan (Kyle Chandler) reclama de Guy Gardner (Nathan Fillion) e faz uma referência ao “cara-morcego de Gotham” ao comentar o uso de um enorme sinal luminoso. É uma pequena fala, mas suficiente para estabelecer algo importante: Batman não é apenas uma figura conhecida dentro de Gotham. Outros heróis sabem quem ele é, conhecem seus métodos e aparentemente já encaram sua existência como algo natural naquele mundo.

É justamente aí que a estratégia da DC começa a funcionar. Batman possui uma aura difícil de reproduzir quando o personagem é tratado apenas como mais um super-herói. Sua reputação, o medo provocado nos criminosos e a sensação de que existe uma figura quase mítica agindo nas sombras são elementos fundamentais de sua identidade. Em vez de explicar tudo imediatamente, o estúdio está deixando que essa reputação seja construída antes mesmo de revelar seu rosto.

Batman continua longe de fazer sua estreia oficial em live-action, mas sua presença já começa a ser sentida em diferentes produções da DC

Batman em cena de Comando das Criaturas

(Foto: HBO Max/Divulgação)

A ausência de Batman está ajudando a construir sua mitologia

A decisão também contraria duas expectativas que acompanharam o nascimento do novo universo. De um lado, parte dos fãs gostaria de ver Robert Pattinson incorporado ao DCU depois de The Batman (2022). Do outro, havia quem esperasse uma introdução imediata de uma nova versão do personagem, especialmente por se tratar de um dos maiores heróis do estúdio. Gunn, porém, parece interessado em fazer o público sentir a existência do Bruce Wayne antes de finalmente conhecê-lo.

Cara-de-Barro pode reforçar ainda mais essa abordagem. O filme de terror corporal ambientado no universo da DC não deve trazer uma aparição direta do Cavaleiro das Trevas, mas Bruce Wayne deve ser mencionado. Assim, Gotham pode continuar ganhando identidade própria enquanto seu principal vigilante permanece fora do alcance do público.

Segurar Batman exige confiança, principalmente em um universo que poderia facilmente recorrer ao personagem como sua principal atração desde o começo. Até agora, porém, a espera tem servido a um propósito. Cada silhueta, referência e consequência de suas ações aumenta a impressão de que existe alguém muito importante operando naquele mundo. Quando o Batman da nova DC finalmente sair das sombras, James Gunn pode ter conseguido algo mais interessante do que simplesmente apresentar outro ator usando o uniforme: fazer com que o público já conheça sua lenda antes mesmo de conhecer o homem por trás dela.

Cara-de-Barro estreia em 22 de outubro nos cinemas. Assista abaixo ao trailer:

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Victor Cierro

Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.

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