Foto: Reprodução/Netflix
Conclusão da série recebeu críticas e elogios nas redes sociais
Stranger Things chegou ao fim quase uma década após sua estreia em 2016. Mas a conclusão da série, que se tornou a principal produção original da Netflix e sempre foi muito elogiada, não agradou gregos e troianos. O último episódio, especificamente, foi alvo de muitas críticas por furos de roteiro e perguntas sem respostas.
Ao mesmo tempo, muitas cenas bem produzidas, tensas e emocionantes foram bastante elogiadas pelos telespectadores, que se comoveram, principalmente, com o desfecho aberto de Eleven (Millie Bobby Brown). A Tangerina montou uma lista com os erros e acertos dos Irmãos Duffer no capítulo final da série.
[Atenção: contém spoilers sobre o final de Stranger Things a seguir]
Charlie Heaton, Natalia Dyer, Maya Hawke e Joe Keery em cena de Stranger Things 5. Foto: Reprodução/Netflix
Charlie Heaton, Natalia Dyer, Maya Hawke e Joe Keery em cena de Stranger Things 5. Foto: Reprodução/Netflix
Uma das maiores e mais comentadas falhas dos Irmãos Duffer foi a ausência completa de Demogorgons, Demodogs, Demobats e até das videiras da mente coletiva na batalha final. Vecna/Henry (Jamie Campbell Bower) estava conectado ao Devorador de Mentes, mas não recebeu ajuda de seu “exército” ao ser atacado pelo grupo.
Os criadores justificaram essa ausência com o fato de que Henry não previu o ataque, mas essa explicação vai contra a própria narrativa; ele já havia invadido a mente de Eleven/Onze (Millie Bobby Brown) para se defender e descobriu tudo sobre o plano para derrotá-lo.
Além disso, ao ser golpeado em outras temporadas de Stranger Things, a mente coletiva agiu automaticamente para protegê-lo, mesmo sem ele prever os ataques também —tanto que foi justamente por isso que Eddie (Joseph Quinn) morreu.
Holly (Nell Fisher) foi um dos grandes destaques e acertos da temporada, mas os criadores simplesmente não deram a ela o desfecho que ela mais merecia: liderar as outras 11 crianças para fora da mente de Vecna. A irmã de Mike (Finn Wolfhard) conduziu o grupo até a caverna, mas acabou desmaiando ao enfrentar Henry e ser atingida.
Nesse momento, o vilão se deparou com o maior trauma e seguiu com o plano. Quando ele já estava quase derrotado na Dimensão X, as crianças foram retiradas dos “casulos” e simplesmente acordaram, mesmo sem fazer a passagem na etapa final, chegando a assistir o momento em que Joyce (Winona Ryder) arranca a cabeça de Vecna.
Isso não fez o menor sentido, pois a própria Holly despertou ainda no casulo quando conseguiu fugir pela primeira vez. E se fosse só retirá-los da conexão física com o Devorador de Mentes, Max (Sadie Sink) não precisaria ter passado dois anos em coma; a mente deles estava presa e precisava ter feito a passagem.
Personagens que se envolveram na batalha final e tiveram até papéis importantes, como Vickie (Amybeth McNulty) e Murray (Brett Gelman), simplesmente desapareceram após a emboscada da Dra. Key (Linda Hamilton) para tentar capturar Eleven. Nenhum dos dois foi mencionado depois disso, mesmo com um epílogo de 40 minutos dedicado ao final de cada um.
Os Irmãos Duffer disseram que o sumiço foi para que o telespectador usasse a própria imaginação, mas na realidade, pareceu apenas preguiça de revisar o roteiro.
A duração de duas horas do episódio final empolgou os fãs da série, principalmente porque ainda haviam muitas perguntas a serem respondidas. Mas um terço desse tempo foi dedicado a um epílogo que mostrou o final de todos os personagens, com exceção de Vickie e Murray.
Foi bom dar um encerramento para cada um, mas não precisava de 40 minutos para isso, principalmente porque esse tempo poderia ser melhor aproveitado com cenas que faltaram, como a fuga das crianças, ou resposta para perguntas que ficaram em aberto.
O exército da Dra. Key, que tanto atrapalhou a batalha contra o Vecna até no Mundo Invertido, estava explorando Kali (Linnea Berthelsen) para “criar” novas crianças com poderes e pretendia fazer o mesmo com Eleven, também desapareceu após a heroína ser vista desaparecendo no portal. Não houve nenhum tipo de consequência para os militares, que evaporaram como se nunca tivessem colocado Hawkins em quarentena.
Millie Bobby Brown e Jamie Campbell Bower em cena de Stranger Things 5. Foto: Reprodução/Netflix
Millie Bobby Brown e Jamie Campbell Bower em cena de Stranger Things 5. Foto: Reprodução/Netflix
O momento de maior tensão do episódio final de Stranger Things, sem dúvida alguma, foi quando Steve (Joe Keery) caiu da torre e a tela ficou preta ao som de um grito desesperado de Dustin (Gaten Matarazzo). Apesar de cruel, esse foi um grande acerto dos Duffers, pois mexeu com a emoção de todo o público, já que o personagem chega a ser mais querido que a própria Eleven. Perdê-lo seria devastador.
Quando a imagem volta, no entanto, vemos Jonathan (Charlie Heaton) segurando sua mão e salvando sua vida, apesar de serem rivais por amarem Nancy (Natalia Dyer). Os dois conseguem se entender e admitem que nenhum deles teria um futuro ao lado dela.
Nancy sempre foi uma das personagens mais ousadas e corajosas de Stranger Things, transitando de uma adolescente “certinha” que passa a se arriscar ao seguir o próprio instinto, acertando quase sempre. Colocá-la como isca para atrair o Devorador de Mentes na tentativa de ajudar Eleven a derrotar Vecna foi o melhor desfecho possível para a evolução de seu arco.
Apesar da ausência de Demogorgons e todas as criaturas controladas pela mente coletiva, a cena da batalha final entre Vecna e Eleven entregou tudo o que era esperado: tensão, ação, uma protagonista mais poderosa do que nunca e momentos de vulnerabilidade.
Ao mesmo tempo, Will (Noah Schnapp) invadiu a mente de Henry enquanto o restante do grupo se uniu para distrair o Devorador de Mentes, enfraquecendo ainda mais o vilão. Ele era claramente mais forte que Eleven, então seria muito “irreal” que ela conseguisse derrotá-lo sozinha. Além disso, a maior força de Stranger Things sempre foi a união dos personagens.
Quando Will está dentro da mente de Henry e descobre seu maior trauma dentro da caverna, o vilão ganha uma chance de redenção. Byers tenta convencê-lo a desistir do plano e abandonar o Devorador de Mentes, pois foi influenciado quando era apenas uma criança.
O próprio Vecna, no entanto, admite que foi uma escolha pessoal se unir ao Devorador de Mentes mesmo após ter compreensão do que poderia acontecer, então ele segue com o plano de unir Hawkins e o Abismo. Isso foi determinante para que Joyce arrancasse sua cabeça no final, mesmo com ele tentando suplicar para que ela não o matasse.
Nesse momento, o grupo se sentiu vingado por todos os traumas e perdas sofridos desde que ele conseguiu abrir um portal em Hawkins e sequestrar Will. Os Irmãos Duffer optaram pela não redenção porque ele já havia causado danos demais.
Paola Zanon
Jornalista formada pela Cásper Líbero, repórter e redatora com passagens pelo Notícias da TV, R7, UOL Esporte, Lakers Brasil e UmDois Esportes. Apaixonada por cobertura esportiva e cultura pop em geral. E-mail: paola@tangerina.news
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