FILMES E SÉRIES

Mortal Kombat

Divulgação/Warner Bros.

RICK MORALES

Para diretor, Mortal Kombat precisa de violência: ‘Povo quer fatality’

A Tangerina conversou com o diretor Rick Morales e o roteirista Jeremy Adams sobre as animações da franquia na New York Comic Con 2022

André Zuliani, de Nova York

Fenômeno há mais de 30 anos, Mortal Kombat é uma franquia reconhecida por uma característica muito marcante: a violência. Seja nos games ou nos filmes, os personagens deste universo lutam entre si sem qualquer pudor de mostrar sangue jorrando ou corpos desmembrados.

Para quem consome os produtos da franquia, acompanhar qualquer coisa de Mortal Kombat sem a violência usual pode ser considerado estranho. Por conta disso, até mesmo as animações inspiradas nos jogos têm como maior foco o público adulto.

Na visão de Rick Morales, chefão da nova trilogia animada de Mortal Kombat que ressuscitou a marca sob o selo Legends, violência é o único elemento que não pode faltar. Para ele, tudo o que os fãs dos games querem ver são os fatalities que se tornaram icônicos nos jogos originais.

“Sabe, acho que o principal aspecto de Mortal Kombat é que você precisa de ultraviolência. Você precisa disso para a audiência. O povo quer fatality e coisas do tipo”, explicou Morales em bate-papo com jornalistas durante a New York Comic Con 2022 do qual a Tangerina participou.

O fato de a franquia Mortal Kombat não ser restrita a apenas filmes live-action ajudou a equipe por trás de Legends a abusar da violência nas animações. Segundo Jeremy Adams, que roteirizou a nova trilogia, longas animados dão mais liberdade de criação na hora de passar os fatalities da tela dos games para TV ou cinema.

“Se você quer se aproximar dos fatalities e da violência dos jogos, mesmo quando é muito difícil, há algo nas animações que torna isso mais fácil de digerir. Você escreve a violência ‘certa’ para este tipo de produção. E, ainda assim, há vários momentos nos quais você se surpreende com o resultado quando assiste ao filme pronto. Certa vez, eu pensei: ‘Nossa, fui eu quem escreveu isso'”, compartilhou.

Mortal Kombat

Cena de Mortal Kombat Legends: A Vingança de Scorpion

Reprodução/Warner Bros.

Multiverso de Mortal Kombat

Entre games, filmes e brinquedos, a franquia Mortal Kombat pode se gabar das inúmeras possibilidades a serem exploradas por seus personagens principais. No caso dos jogos, cada nova versão traz de volta um lutador que morreu na história do anterior –mesmo que sua despedida tenha sido a mais sangrenta possível.

O fato de a essência de Mortal Kombat envolver retornos inesperados fez com que Rick Morales trabalhasse na trilogia Legends sem grandes preocupações com continuidade. Apesar de cada um dos novos filmes ser sequência do antecessor, o produtor e diretor acredita que um multiverso da franquia inspirado no trabalho da Marvel pode expandir os limites para os próximos projetos.

“A principal razão de termos feito Snow Blind [terceiro longa da franquia] da maneira que fizemos foi para expandir um pouco mais este mundo. Diferentemente dos antecessores, este filme não tem um torneio. Nós tiramos este detalhe, que é uma parte importante do mundo de Mortal Kombat, né? Eu quero dizer que nós podemos criar histórias sem que elas estejam ligadas o tempo todo”, detalhou.

Liu Kang e Raiden

Os personagens Liu Kang e Raiden

Reprodução/Warner Bros.

“Nos jogos, às vezes você completa uma história com um personagem e ele tem o seu final. Como este jogo se conecta com os outros? Qual é o final real? Há tantos jogos [de Mortal Kombat]. Há tantos finais e versões diferentes. Pensando nisso, eles meio que coexistem. Todo mundo está fazendo multiverso ultimamente, né?”, filosofou.

Aos jornalistas, Morales ainda confessou o óbvio. Para produzir mais filmes com o selo Legends, o público precisa responder positivamente ao lançamento de Snow Blind, que entrou no catálogo da HBO Max dos Estados Unidos no último domingo (9), mas ainda não tem previsão de estreia no Brasil.

“Fazer filmes sempre depende do quanto eles são apoiados. A realidade é que, se eles fazem dinheiro e há uma demanda para mais, então nós faremos. Principalmente se a coisa explodir e tivermos uma grande demanda. Se não tiver, não vai rolar. Mas há tantos personagens de Mortal Kombat que podemos explorar de maneira similar a que fizemos com Snow Blind”, provocou.

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QUEM FEZ

André Zuliani

Repórter de séries e filmes. Viciado em cultura pop, acompanha o mundo do entretenimento desde 2013. Tem pós-graduação em Jornalismo Digital pela ESPM e foi redator do Omelete.

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