(Foto: Divulgação/Netflix)
The Crown aposta no tempo, detalhismo e acabamento minucioso para ser destaque no catálogo
A Netflix construiu seu império com volume, algoritmos e hits fáceis de consumir. No entanto, uma série específica foge completamente dessa lógica e se tornou o maior exemplo de prestígio dentro da plataforma. Com produção milionária, estética cinematográfica e atenção obsessiva aos detalhes, The Crown (2016-2023) virou um marco raro no streaming.
Desde a estreia, em 2016, a série sobre a rainha Elizabeth II (1926-2022) nasceu com uma missão clara: provar que a Netflix poderia competir diretamente com o padrão de qualidade da HBO. Na época, o serviço ainda consolidava sua identidade como produtora original e precisava de um projeto que elevasse sua imagem.
O resultado foi uma produção que não economizou em nada. Estima-se que as primeiras temporadas tenham ultrapassado a casa dos US$ 100 milhões (R$ 534 milhões), um valor incomum para séries naquele momento. Esse investimento permitiu recriar ambientes históricos com precisão, incluindo interiores completos do Palácio de Buckingham e locações reais no Reino Unido.
Mais do que dinheiro, o diferencial está na abordagem criativa. Sob o comando de Peter Morgan, a série adotou uma linguagem cinematográfica, com enquadramentos elaborados, uso mínimo de CGI e foco em cenários práticos e figurinos fiéis à época. Cada cena é construída como se fosse parte de um filme, não apenas televisão.
Claire Foy em cena de The Crown
(Foto: Divulgação/Netflix)
Essa escolha também impacta decisões pouco comuns na TV, como a troca completa do elenco a cada duas temporadas. Em vez de recorrer a maquiagem pesada ou rejuvenescimento digital, a produção optou por novos atores para acompanhar o envelhecimento dos personagens, o que reforça o realismo e evita que a série perca credibilidade visual.
No entanto, o fator decisivo está nos bastidores. Apesar de ser vendida como original da Netflix, The Crown não segue o modelo tradicional da plataforma. A série é produzida pela Left Bank Pictures, estúdio ligado à Sony, conhecido por dramas históricos sofisticados e com forte apelo internacional.
Essa estrutura explica por que The Crown se diferencia tanto do restante do catálogo. Enquanto muitas produções da Netflix priorizam volume, franquias e custos mais controlados, a série aposta no oposto: tempo, detalhismo e acabamento minucioso. O resultado é uma obra que parece cara em cada frame.
No fim, The Crown não é apenas mais uma série de sucesso. Ela se tornou um símbolo de um momento específico da Netflix, quando a plataforma decidiu investir pesado em qualidade para conquistar prestígio. E, ao fazer isso, criou o que muitos consideram até hoje sua produção mais bonita e sofisticada.
The Crown alcançou 81% da crítica no Rotten Tomatoes, enquanto o público foi mais generoso com 92% de aprovação. Assista abaixo ao trailer da série:
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
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