(Foto: Divulgação/Warner Bros.)
Embora a empresa de Ted Sarandos ainda detenha a prioridade contratual, o mercado observa se o streaming aceitará entrar em uma guerra de lances
A novela pela aquisição da Warner Bros. Discovery (WBD) ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (24). Após dez tentativas frustradas de convencer o conselho de administração da gigante de mídia, a Paramount Skydance, liderada por David Ellison, finalmente apresentou uma proposta que a WBD admitiu publicamente que pode ser superior ao acordo já firmado com a Netflix.
O anúncio marca uma reviravolta no cenário de fusões e aquisições de Hollywood, colocando em xeque o que parecia ser uma vitória consolidada da gigante de streaming. Em comunicado oficial emitido nesta tarde, a Warner Bros. Discovery revelou que a nova oferta da Paramount aumentou o valor por ação para US$ 31,00 (R$ 159,77) em dinheiro, superando os US$ 30,00 (R$ 154,61) propostos anteriormente.
O conselho da WBD afirmou que a revisão no valor poderia levar a uma proposta superior para a companhia, embora ainda não tenha batido o martelo de forma definitiva sobre qual é a melhor opção para os acionistas.
Se o conselho da WBD determinar que a oferta da Paramount é melhor, a Netflix terá quatro dias para apresentar uma proposta melhorada, caso deseje. A Netflix ofereceu US$ 27,75 (R$ 143) por ação pelos ativos de streaming e estúdio da WBD e não está interessada nos canais de TV por assinatura, como a CNN. Embora a Netflix possa manter sua oferta atual, isso poderia colocar em risco seu sonho de comprar a empresa.
A proposta revisada da Paramount não só inclui o aumento do preço de compra para US$ 31,00 por ação da WBD em dinheiro, como também uma taxa diária de acompanhamento a ser paga aos acionistas no valor de US$ 0,25 por trimestre, a partir de 30 de setembro de 2026, além de uma multa de US$ 7 bilhões (R$ 36 bilhões) caso a transação não seja concluída devido a questões regulatórias. A Paramount ainda concordou em pagar a multa de rescisão de US$ 2,8 bilhões (R$ 14,43 bilhões) que a Warner Bros. teria que pagar à Netflix para rescindir o contrato de fusão existente.
A votação dos acionistas sobre o acordo com a Netflix está marcada para 20 de março. A Warner Bros. Discovery pretende aprofundar as conversas com a Paramount imediatamente para definir se a nova proposta é, de fato, superior. Caso o conselho decida pela Paramount, a Netflix terá um prazo legal de quatro dias úteis para exercer seu direito de preferência, podendo igualar ou superar os termos apresentados pela concorrente.
Nos bastidores, o clima é de incerteza para a Netflix. Embora a empresa de Ted Sarandos ainda detenha a prioridade contratual, o mercado observa se o streaming aceitará entrar em uma guerra de lances por ativos que originalmente não desejava, como as redes de TV por assinatura.
A possibilidade da Netflix retirar sua oferta existe caso o preço se torne irracional ou se a empresa decidir que os riscos regulatórios e a estrutura do negócio da Paramount são insuperáveis. Por enquanto, a empresa de streaming optou por não comentar as movimentações desta terça-feira.
Vinícius Andrade
Jornalista e colaborador da Tangerina. Vinícius Andrade já foi editor do Notícias da TV e tem especialização em SEO. Interessado por tudo o que envolve mercado de entretenimento, tem mais de 13 anos de experiência na área e também trabalha com jornalismo local. E-mail: vinicius@tangerina.news
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