(Foto: Divulgação/Netflix)
Ao longo do experimento, o britânico Mo Gilligan mostra os bastidores da indústria e os efeitos dessa dieta em seu organismo
A Netflix lançou nesta semana o documentário Frango: A Conspiração do Fast Food, uma obra focada em expor a estrutura por trás da produção em massa de frango frito. A produção acompanha o comediante de stand-up britânico Mo Gilligan durante um experimento no qual ele toma café, almoça e janta apenas refeições vindas de lanchonetes especializadas no alimento ao longo de 28 dias consecutivos, somando 84 refeições no período.
O ator, que tem 38 anos de idade e mais de 1,2 milhão de seguidores apenas no Instagram, se identifica como um fã de frango frito, cita o prato em seus shows de comédia e já fez até publicidade sobre isso. O objetivo da produção da Netflix é mostrar do que são compostos os alimentos servidos pelas grandes cadeias de restaurantes e analisar os efeitos dessa dieta no organismo humano e no meio ambiente.
A investigação de Gilligan cruza o Reino Unido e os Estados Unidos para abordar como as aves são criadas e processadas. No território britânico, a produção destaca a dimensão do setor, que abate cerca de um bilhão de galinhas por ano, além de apontar a contaminação de rios provocada pelas granjas industriais e os segredos da manipulação química que transforma a carne em ultraprocessados de alto teor viciante.
Já na etapa dos Estados Unidos, o foco se volta para as instalações industriais de grande porte, demonstrando mutações genéticas para hipertrofiar o peito das aves e condições de trabalho nas fábricas, onde operários chegam a ter pausas de banheiro negadas.
Apesar de mostrar o recorte nesses dois países, algumas das empresas de fast food e redes mencionadas ao longo do documentário possuem operações no Brasil. A discussão apresentada inclui fatores sociológicos, como a ocorrência de desertos alimentares, a desigualdade de renda que empurra populações de menor poder aquisitivo para refeições industrializadas mais baratas e o resgate histórico de estereótipos associados a determinados grupos sociais.
[[Aviso de SPOILER: o trecho abaixo revela os resultados de saúde do comediante ao longo do projeto]]
Apesar de sobreviver à maratona de 28 dias, o corpo de Mo Gilligan sofreu alterações profundas ao final do teste. O artista registrou ganho de peso acentuado, além de episódios frequentes de letargia, alterações de humor, desarranjo intestinal, quadros de insônia provocados pelo excesso calórico noturno e sintomas depressivos originados pelas oscilações químicas do consumo contínuo de ultraprocessados.
A premissa de Frango: A Conspiração do Fast Food remete à estrutura utilizada no clássico documentário Super Size Me: A Dieta do Palhaço (2004). Naquele projeto, o cineasta Morgan Spurlock (1970-2024) passou 30 dias comendo exclusivamente o cardápio do McDonald’s para testar os danos à saúde física e mental.
O próprio Spurlock lançou em 2017 a sequência Super Size Me 2: Holy Chicken!, na qual tentou abrir a própria lanchonete de frango para se infiltrar o setor e expor os bastidores do marketing de alimentos. O novo lançamento da Netflix resgata essa linguagem visual dinâmica e satírica para dialogar com uma nova geração de espectadores. Vale o play!
Vinícius Andrade
Jornalista e Coordenador de Conteúdo da Tangerina. Vinícius Andrade já foi editor do Notícias da TV. Interessado por tudo o que envolve mercado de entretenimento, tem mais de 14 anos de experiência na área e também trabalha com jornalismo local. E-mail: vinicius@tangerina.news
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