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Michael B. Jordan e Delroy Lindo no Bafta 2026

(Foto: Reprodução/Bafta)

Lição Importante

Erro grave no Bafta vira sinal vermelho para o Oscar 2026

Em televisão aberta, aparência de seletividade pode ser tão danosa quanto a própria decisão editorial da premiação

Victor Cierro
Victor Cierro

A temporada de premiações entrou em modo de alerta após uma falha constrangedora na transmissão do Bafta 2026. Mesmo com atraso técnico para evitar imprevistos, a BBC exibiu ao vivo um insulto racial gritado da plateia, enquanto cortou um discurso político feito no palco. O contraste virou combustível para críticas e acendeu um sinal vermelho a poucas semanas do Oscar, marcado para 15 de março.

A controvérsia começou quando um xingamento foi ouvido durante a exibição da cerimônia. O responsável foi John Davidson, ativista com síndrome de Tourette, condição que pode incluir tiques vocais involuntários. O apresentador Alan Cumming já havia alertado o público sobre a possibilidade de episódios do tipo e ressaltado que não eram intencionais. Ainda assim, a fala permaneceu na versão final transmitida.

Posteriormente, a BBC pediu desculpas e afirmou que o trecho deveria ter sido removido antes da exibição. Segundo o relato divulgado, os produtores não ouviram o momento específico enquanto monitoravam o sinal na unidade móvel, embora outros palavrões tenham sido editados com sucesso. A falha colocou em xeque justamente o propósito do delay técnico, criado para impedir que situações imprevisíveis cheguem ao público.

Ryan Coogler nos bastidores de Pecadores, filme com maior número de indicações na história do Oscar

Ryan Coogler nos bastidores de Pecadores

(Foto: Divulgação/Warner Bros.)

Oscar 2026 precisa aprender com erro do Bafta

A reação não demorou. A produtora de design Hannah Beachler, indicada ao Oscar por Pecadores (2025), classificou a situação como “quase impossível” e destacou o impacto real para convidados negros presentes na cerimônia. Ela também criticou o que descreveu como um pedido de desculpas genérico, afirmando que respostas do tipo “se você se ofendeu” ampliam a sensação de descaso. O episódio deixou claro como um erro técnico pode rapidamente se transformar em crise de credibilidade.

O debate ganhou outra dimensão quando espectadores perceberam que o discurso do cineasta Akinola Davies Jr., que mencionava a Palestina, foi cortado da transmissão. Embora cortes por tempo sejam comuns em premiações, a manutenção de um insulto no ar enquanto uma fala política foi retirada alimentou a percepção de critérios desiguais. Em televisão aberta, aparência de seletividade pode ser tão danosa quanto a própria decisão editorial.

O caso do Bafta escancara um problema maior para as grandes premiações globais. Em um cenário em que cada trecho é recortado, viralizado e analisado nas redes, inconsistências ganham peso imediato. Para o Oscar 2026, a lição parece evidente: mais do que evitar falhas, é preciso demonstrar transparência e coerência nas decisões. O público até perdoa erros pontuais, mas dificilmente releva regras que parecem mudar conforme a conveniência.

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Victor Cierro

Victor Cierro

Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.

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