(Foto: Reprodução/Bafta)
Em televisão aberta, aparência de seletividade pode ser tão danosa quanto a própria decisão editorial da premiação
A temporada de premiações entrou em modo de alerta após uma falha constrangedora na transmissão do Bafta 2026. Mesmo com atraso técnico para evitar imprevistos, a BBC exibiu ao vivo um insulto racial gritado da plateia, enquanto cortou um discurso político feito no palco. O contraste virou combustível para críticas e acendeu um sinal vermelho a poucas semanas do Oscar, marcado para 15 de março.
A controvérsia começou quando um xingamento foi ouvido durante a exibição da cerimônia. O responsável foi John Davidson, ativista com síndrome de Tourette, condição que pode incluir tiques vocais involuntários. O apresentador Alan Cumming já havia alertado o público sobre a possibilidade de episódios do tipo e ressaltado que não eram intencionais. Ainda assim, a fala permaneceu na versão final transmitida.
Posteriormente, a BBC pediu desculpas e afirmou que o trecho deveria ter sido removido antes da exibição. Segundo o relato divulgado, os produtores não ouviram o momento específico enquanto monitoravam o sinal na unidade móvel, embora outros palavrões tenham sido editados com sucesso. A falha colocou em xeque justamente o propósito do delay técnico, criado para impedir que situações imprevisíveis cheguem ao público.
Ryan Coogler nos bastidores de Pecadores
(Foto: Divulgação/Warner Bros.)
A reação não demorou. A produtora de design Hannah Beachler, indicada ao Oscar por Pecadores (2025), classificou a situação como “quase impossível” e destacou o impacto real para convidados negros presentes na cerimônia. Ela também criticou o que descreveu como um pedido de desculpas genérico, afirmando que respostas do tipo “se você se ofendeu” ampliam a sensação de descaso. O episódio deixou claro como um erro técnico pode rapidamente se transformar em crise de credibilidade.
O debate ganhou outra dimensão quando espectadores perceberam que o discurso do cineasta Akinola Davies Jr., que mencionava a Palestina, foi cortado da transmissão. Embora cortes por tempo sejam comuns em premiações, a manutenção de um insulto no ar enquanto uma fala política foi retirada alimentou a percepção de critérios desiguais. Em televisão aberta, aparência de seletividade pode ser tão danosa quanto a própria decisão editorial.
O caso do Bafta escancara um problema maior para as grandes premiações globais. Em um cenário em que cada trecho é recortado, viralizado e analisado nas redes, inconsistências ganham peso imediato. Para o Oscar 2026, a lição parece evidente: mais do que evitar falhas, é preciso demonstrar transparência e coerência nas decisões. O público até perdoa erros pontuais, mas dificilmente releva regras que parecem mudar conforme a conveniência.
Agora que saíram os vencedores do Bafta, será que ficou mais fácil palpitar no Oscar? É hora de transformar o seu conhecimento em filmes em prêmios reais, no Bolão 2026 da Tangerina.
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
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