(Foto: Divulgação/Prime Video)
Quando há ousadia criativa e foco em narrativa, o gênero ainda é capaz de atingir níveis de aprovação que poucos conseguem nas plataformas
Em um cenário marcado pela saturação de produções de super-heróis, apenas algumas séries conseguiram escapar do desgaste do gênero e conquistar um consenso raro entre crítica e público. Em vez de repetir fórmulas, essas obras apostaram em identidade própria, riscos narrativos e personagens mais complexos.
O reflexo desse cuidado aparece de forma clara nas notas do Rotten Tomatoes. Com índices altíssimos, muitas vezes beirando a perfeição, essas séries se tornaram referência não só dentro do gênero, mas também no próprio universo do streaming, competindo em pé de igualdade com dramas e produções de prestígio.
Mais do que histórias sobre poderes, essas produções usam o super-herói como ponto de partida para discutir moralidade, política, trauma, identidade e consequências. O resultado são séries que envelheceram bem, seguem relevantes e continuam sendo descobertas por novos públicos.
A série resgata uma versão alternativa de Loki (Tom Hiddleston) após os eventos de Vingadores: Ultimato, colocando o Deus da Trapaça sob custódia da Autoridade de Variância Temporal. A partir daí, a trama mergulha em viagens no tempo, multiverso e livre-arbítrio, transformando o personagem em algo muito além de um vilão carismático. Com duas temporadas elogiadas, Loki se destacou como a produção mais ambiciosa e bem avaliada do MCU (Universo Cinematográfico da Marvel) no streaming.
A produção acompanha Matt Murdock (Charlie Cox), um advogado cego que combate o crime à noite como o vigilante Demolidor. Com um tom mais sombrio e realista, a série se destacou pelas cenas de ação coreografadas e pela relação intensa entre Murdock e Wilson Fisk (Vincent D’Onofrio). Ao longo de três temporadas, Demolidor construiu uma narrativa madura e consistente, sendo considerada uma das melhores séries de super-heróis já feitas.
Ambientada em um mundo onde super-heróis são celebridades corporativas, a série acompanha Billy Butcher (Karl Urban) e Hughie Campbell (Jack Quaid) na missão de expor o lado obscuro desses ícones. O grande destaque é o confronto direto com figuras como Homelander (Antony Starr), uma versão distorcida do ideal heroico. Misturando sátira, comentário social e violência extrema, The Boys manteve aprovação altíssima ao longo de suas temporadas.
Derivada de O Esquadrão Suicida (2021), a série acompanha Christopher Smith (John Cena), um anti-herói obcecado pela ideia de paz a qualquer custo. O que parecia apenas um spin-off irreverente se transformou em uma história surpreendentemente emocional, explorando traumas, patriotismo e identidade. Com humor ácido, personagens excêntricos e forte integração ao novo universo da DC, Pacificador conquistou aprovação elevada e virou destaque no streaming.
A animação acompanha Mark Grayson (Steven Yeun), um jovem que descobre ter herdado os poderes de seu pai, Nolan Grayson (J.K. Simmons), o herói mais poderoso do planeta. O que começa como uma jornada clássica de amadurecimento se transforma em uma desconstrução brutal do heroísmo, com violência gráfica e dilemas morais constantes. Ao longo das temporadas, a série expande seu universo e aprofunda conflitos familiares, políticos e existenciais, mantendo uma aprovação quase perfeita da crítica.
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
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