FILMES E SÉRIES

Amy Adams em cena de A Chegada, um dos melhores filmes de ficção científica

(Foto: Divulgação/Sony Pictures)

Análise

Esses filmes provaram que ficção científica não precisa de vilões

As tramas mostram que os maiores desafios não são inimigos externos, mas sim as forças invisíveis que moldam a experiência humana

Victor Cierro
Victor Cierro

A ficção científica construiu sua identidade ao longo de décadas explorando os maiores medos da humanidade. Robôs assassinos, invasões alienígenas e catástrofes tecnológicas dominaram o gênero, transformando vilões em peças centrais de histórias sobre sobrevivência e evolução. Essas ameaças externas funcionam como catalisadores claros, criando conflitos diretos e colocando os personagens diante de escolhas extremas.

No entanto, alguns dos melhores filmes do gênero escolheram um caminho completamente diferente. Em vez de apresentar antagonistas tradicionais, essas obras transformaram o ambiente, o tempo ou até as emoções humanas no verdadeiro desafio. O conflito deixa de ser físico e passa a ser existencial, psicológico ou científico.

Essa abordagem não enfraquece a narrativa. Pelo contrário. Ao remover o vilão, esses filmes ampliam a tensão e criam histórias mais profundas, nas quais a sobrevivência depende da inteligência, da adaptação e da capacidade humana de encontrar significado em situações impossíveis.

Entre os exemplos mais marcantes estão Gravidade (2013), Ela (2013) e A Chegada (2016), três produções aclamadas pela crítica e pelo público. Cada uma delas mostra que o maior obstáculo nem sempre é um inimigo, mas sim o próprio universo e as limitações humanas.

Gravidade transforma o espaço em seu maior adversário

Disponível na HBO Max, Gravidade alcançou impressionantes 96% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes. O filme acompanha Ryan Stone (Sandra Bullock), uma engenheira médica que fica completamente sozinha no espaço após sua nave ser destruída por destroços em órbita.

Sem alienígenas, sabotadores ou qualquer inimigo consciente, o verdadeiro antagonista é o próprio ambiente espacial. A ausência de gravidade, a falta de oxigênio e a implacável física orbital criam uma corrida desesperada pela sobrevivência.

A jornada de Ryan é marcada por isolamento extremo e superação emocional. O filme de Alfonso Cuarónela transforma o vazio do espaço em uma ameaça constante, criando uma experiência intensa e profundamente humana sobre resiliência e renascimento.

Ela explora o amor e os limites da conexão humana

Disponível na HBO Max e com 95% de aprovação no Rotten Tomatoes, Ela apresenta uma visão intimista e emocional do futuro. A história acompanha Theodore Twombly (Joaquin Phoenix), um homem solitário que se apaixona por Samantha (Scarlett Johansson), um sistema operacional com inteligência artificial avançada.

Ao contrário de muitas histórias do gênero, Samantha não se torna uma ameaça. Sua evolução é natural, refletindo uma inteligência que cresce além das limitações humanas. O conflito surge da própria natureza dessa relação e da inevitável distância entre humano e tecnologia.

O filme de Spike Jonze transforma a ficção científica em uma reflexão sobre solidão, amor e mudança, mostrando que o verdadeiro desafio é aceitar a evolução e as perdas inevitáveis da vida.

A Chegada mostra que o maior risco é não conseguir se comunicar

Com 94% de aprovação da crítica, A Chegada, que também está disponível na HBO Max, desafia as expectativas tradicionais de uma história sobre contato alienígena. Louise Banks (Amy Adams), uma linguista, é recrutada para se comunicar com misteriosas naves que aparecem ao redor do planeta.

Em vez de apresentar uma invasão hostil, o filme de Denis Villeneuve revela que os alienígenas vieram compartilhar conhecimento. O verdadeiro perigo está na reação humana, marcada por medo, desconfiança e falhas de comunicação entre as nações.

A ficção científica transforma a linguagem em elemento central e mostra que compreensão e empatia podem ser mais poderosas do que qualquer arma. O conflito deixa de ser uma batalha e se torna uma descoberta sobre o tempo, a existência e o futuro da humanidade.

Informar Erro
Falar com a equipe
QUEM FEZ
Victor Cierro

Victor Cierro

Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.

Ver mais conteúdos de Victor Cierro

0 comentário

Tangerina é um lugar aberto para troca de ideias. Por isso, pra gente é super importante que os comentários sejam respeitosos. Comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, com palavrões, que incitam a violência, discurso de ódio ou contenham links vão ser deletados.

Acesse sua conta para comentar

Ainda não tem uma conta?

Só o que vale o play

Toda sexta-feira, no seu e-mail, as melhores dicas de filmes e séries para ver em casa