FILMES E SÉRIES

Tom Cruise em A Múmia, filme lançado para fazer parte do Dark Universe

(Foto: Universal Pictures/Divulgação)

A MÚMIA

Filme de US$ 345 milhões com Tom Cruise acabou com plano de franquia da Universal

A Múmia tentou trocar o terror clássico pela ação digital, foi rejeitada e causou a demissão dos projetistas do Dark Universe

Vinícius Andrade, Tangerina
Vinícius Andrade

O mercado cinematográfico foi dominado por franquias interligadas na última década, motivando diversos estúdios a buscarem suas próprias narrativas compartilhadas. Além das sagas mais óbvias, como histórias da Marvel, DC e Star Wars, outros universos bem sucedidos surgiram nos últimos anos, como Invocação do Mal. Nesse cenário de um “sucesso puxa o outro”, a Universal Pictures visualizou uma oportunidade em seu catálogo de criaturas clássicas do terror e anunciou o ambicioso Dark Universe na década passada.

No entanto, os planos de erguer um império de monstros foram sepultados logo no primeiro passo. O grande responsável pelo colapso foi A Múmia, longa lançado em 2017 e protagonizado por Tom Cruise. O filme não obteve o retorno financeiro esperado e provocou o cancelamento precoce de toda a franquia planejada. A Tangerina te conta essa história.

A produção nasceu sob imensa pressão corporativa. Para competir diretamente com as sagas de super-heróis, que viviam o seu auge naquele momento, a Universal Pictures decidiu abrir os cofres para dar uma resposta ao mercado.

A Múmia teve um custo total estimado em cerca de US$ 345 milhões (R$ 1,79 bilhão, em valores atuais), valor que engloba US$ 195 milhões (R$ 1,01 bilhão) destinados ao orçamento de produção e US$ 150 milhões (R$ 780 milhões) voltados para as despesas de distribuição e publicidade.

Apesar de ter fechado com US$ 409 milhões (R$ 2,12 bilhões) de arrecadação, o desempenho nas bilheterias foi considerado um fracasso comercial retumbante, gerando um prejuízo financeiro estimado em quase US$ 100 milhões (R$ 520 milhões) para os cofres do estúdio.

O Dark Universe que não existiu

A estratégia para a construção desse universo de monstros era baseada na escalação de astros de primeiro escalão de Hollywood para encarnar os papéis principais. A empolgação inicial da companhia era tamanha que uma fotografia promocional oficial foi divulgada à imprensa para apresentar o elenco principal. Confira:

O elenco do Dark Universe que não funcionou

Russell Crowe, Javier Bardem, Tom Cruise, Johnny Depp e Sofia Boutella

(Foto: Universal Pictures/Divulgação)

Na imagem, gerada por meio de edição digital, Tom Cruise posava ao lado de Russell Crowe, escalado como Dr. Jekyll e Mr. Hyde (O Médico e o Monstro), Sofia Boutella, que interpretou a criatura egípcia Ahmanet, além de Javier Bardem e Johnny Depp. Bardem havia assinado o contrato para viver o Monstro de Frankenstein, enquanto Depp daria vida ao Homem Invisível em um filme solo subsequente.

Outras produções já estavam mapeadas na agenda oficial de lançamentos, como A Noiva de Frankenstein, que contaria com a direção de Bill Condon e tinha Angelina Jolie cotada para o papel-título, além de um longa focado no caçador Van Helsing, cujo roteiro estava em desenvolvimento com o nome de Channing Tatum em vista.

Projeto arquivado pela Universal Pictures

O desmoronamento do Dark Universe ocorreu de forma veloz após a rejeição da crítica especializada e do público ao filme de estreia. A trama de A Múmia tentou transformar uma clássica atmosfera gótica em um espetáculo de ação repleto de efeitos visuais computadorizados, perdendo a essência sombria das obras originais. O resultado? No Rotten Tomatoes, 15% de aprovação da crítica e 35% do público.

Poucos meses após a estreia, em novembro de 2017, os principais produtores e arquitetos criativos do projeto, Alex Kurtzman e Chris Morgan, anunciaram suas saídas da franquia. Diante da ausência de liderança e do prejuízo milionário, a Universal Pictures decidiu suspender por tempo indeterminado a pré-produção de A Noiva de Frankenstein, desocupar os escritórios decorados com a temática de terror no lote do estúdio e abandonar em definitivo a proposta de uma narrativa compartilhada.

Nos anos posteriores, o estúdio concedeu liberdade a cineastas independentes para realizarem obras isoladas com os personagens da casa. Essa nova política rendeu frutos positivos por meio de uma parceria com a Blumhouse Productions, que lançou produções como o repaginado O Homem Invisível (2020), sob o comando do diretor Leigh Whannell.

Para os espectadores que desejam relembrar ou conhecer o estopim de toda essa saga corporativa e cinematográfica, A Múmia está disponível no catálogo Prime Video Brasil até 30 de junho.

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QUEM FEZ
Vinícius Andrade, Tangerina

Vinícius Andrade

Jornalista e Coordenador de Conteúdo da Tangerina. Vinícius Andrade já foi editor do Notícias da TV. Interessado por tudo o que envolve mercado de entretenimento, tem mais de 14 anos de experiência na área e também trabalha com jornalismo local. E-mail: vinicius@tangerina.news

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