FILMES E SÉRIES

Jessie Buckley é a protagonista de A Noiva!

(Foto: Reprodução/ABC)

A Noiva!

Filme de vencedora do Oscar 2026 erra ao apostar no gênero errado

A Noiva! se torna um caso curioso de ambição criativa que quase acerta em cheio, mas tropeça na própria premissa

Victor Cierro
Victor Cierro

Um dos filmes mais comentados do momento, estrelado pela vencedora do Oscar Jessie Buckley, chegou aos cinemas cercado de expectativa, mas acabou dividindo a crítica por um motivo específico: a escolha de gênero. A Noiva!, novo projeto da diretora Maggie Gyllenhaal, tem sido apontado como um exemplo claro de como uma decisão criativa pode limitar o impacto de uma história ambiciosa.

Ao lado de Christian Bale, Jessie Buckley lidera um filme que chama atenção logo de cara pelo visual e pela proposta ousada. A Noiva! aposta em uma estética estilizada, com forte influência teatral e uma encenação que foge das convenções tradicionais do cinema. Ainda assim, o que deveria ser seu maior diferencial acabou se tornando um ponto de debate entre críticos.

No centro da discussão está justamente o gênero adotado. Embora A Noiva! se apresente como um terror com elementos de ficção científica, muitos apontam que sua narrativa funcionaria melhor em outro formato. O filme rejeita estruturas clássicas e aposta em exageros e rupturas constantes, o que gera estranhamento e divide opiniões.

A construção visual reforça essa sensação. Com cenários grandiosos, enquadramentos meticulosamente planejados e uma encenação que remete diretamente ao palco, A Noiva! se aproxima mais de uma peça teatral do que de um terror tradicional. Essa escolha estética fortalece a identidade do longa, mas também evidencia seu desalinhamento com o gênero.

Jessie Buckley em cena de A Noiva!

Jessie Buckley em cena de A Noiva!

(Foto: Divulgação/Warner Bros.)

A Noiva! tinha potencial nos cinemas

O tom da narrativa é outro ponto de tensão. A Noiva! mistura romance, sátira, crítica social e violência explícita, sem sempre conseguir equilibrar essas camadas. A tentativa de combinar humor seco com um discurso mais sério sobre questões sociais resulta em uma experiência irregular para parte da crítica.

Mesmo assim, Jessie Buckley surge como um dos grandes destaques. Sua performance intensa e multifacetada, interpretando diferentes facetas da protagonista, é amplamente elogiada e sustenta boa parte do impacto emocional do filme. A vencedora do Oscar por Hamnet: A Vida Antes de Hamlet (2025) imprime uma energia que parece dialogar diretamente com o espectador, reforçando ainda mais a sensação de espetáculo.

Essa característica, inclusive, alimenta uma das principais leituras sobre o projeto: a de que A Noiva! funcionaria melhor como um musical. A estrutura fragmentada, a variação de tons e a liberdade estética são elementos que poderiam ganhar ainda mais força dentro desse formato, potencializando a proposta do longa.

No fim, A Noiva! se torna um caso curioso de ambição criativa que quase acerta em cheio, mas tropeça na própria escolha de gênero. Com Jessie Buckley em grande forma e uma direção visualmente marcante, o filme levanta uma discussão relevante sobre até que ponto o gênero pode definir o sucesso ou as limitações de uma obra.

A Noiva!, que está em cartaz nos cinemas, alcançou 57% da crítica no Rotten Tomatoes. Assista abaixo ao trailer do filme:

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Victor Cierro

Victor Cierro

Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.

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