(Foto: Divulgação/20th Century Studios)
Poder Sem Limites segue como referência quando o assunto é uso inteligente da câmera na trama
Muito antes de universos compartilhados dominarem o cinema, um filme de baixo orçamento mostrou que era possível reinventar a figura do herói na ficção científica com criatividade e tensão realista. Poder Sem Limites (2012) surpreendeu ao misturar superpoderes com a estética de câmera na mão e transformou uma história simples em um fenômeno de bilheteria.
Dirigido por Josh Trank, o longa acompanha três adolescentes que entram em contato com um objeto misterioso e passam a desenvolver habilidades como telecinese, voo e força sobre-humana. O que poderia ser apenas mais um filme de origem de herói ganha força justamente pela forma como é contado.
A narrativa utiliza o estilo found footage, recurso popularizado no terror, para criar uma sensação de proximidade rara em histórias de superpoderes. A câmera não está ali por acaso. Andrew (Dane DeHaan) é um jovem introspectivo que registra o próprio cotidiano. Quando os poderes surgem, filmar cada descoberta passa a fazer parte natural da trama.
Esse detalhe transforma o dispositivo em algo orgânico. A câmera deixa de ser apenas um recurso técnico e passa a funcionar quase como um personagem. Conforme Andrew aprende a controlar suas habilidades, ele também passa a mover a câmera com a mente, permitindo enquadramentos mais ambiciosos sem quebrar a lógica interna da história.
Dane Dehaan em cena de Poder Sem Limites
(Foto: Divulgação/20th Century Studios)
O resultado impressiona ainda mais quando se observa o orçamento. Produzido por cerca de US$ 15 milhões (R$ 79 milhões), valor modesto para um filme de ficção científica, o longa arrecadou mais de US$ 120 milhões (R$ 632 milhões) mundialmente. No mesmo ano, blockbusters de heróis ultrapassavam facilmente a marca dos US$ 200 milhões (R$ 1 bilhão) em custos de produção.
A escolha estética ajudou a conter gastos sem comprometer a escala dramática. Pelo contrário. A abordagem crua e íntima tornou os conflitos mais pessoais e deu peso às consequências emocionais do poder. Em vez de batalhas grandiosas cheias de efeitos digitais polidos, o público acompanha a transformação psicológica dos personagens de perto.
Mais de uma década depois, Poder Sem Limites segue como referência quando o assunto é uso inteligente do found footage fora do terror. Ao colocar superpoderes dentro de uma linguagem quase documental, o filme mostrou que a ficção científica pode ser ousada sem depender de orçamentos gigantescos.
Disponível no Disney+, o filme com Michael B. Jordan permanece como um dos exemplos mais criativos de como reinventar o herói moderno. Uma prova de que, às vezes, a inovação está menos no tamanho da produção e mais na forma de contar a história.
Poder Sem Limites alcançou 85% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes. Assista abaixo ao trailer do filme:
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
Ver mais conteúdos de Victor CierroTangerina é um lugar aberto para troca de ideias. Por isso, pra gente é super importante que os comentários sejam respeitosos. Comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, com palavrões, que incitam a violência, discurso de ódio ou contenham links vão ser deletados.
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