(Foto: Divulgação/Warner Bros.)
Mais de 20 anos após virar sinônimo de vexame, Mulher-Gato vive uma inesperada redenção no streaming
Com apenas 8% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes e uma bilheteria decepcionante nos cinemas, um dos maiores fracassos da DC voltou aos holofotes duas décadas depois. Mulher-Gato (2004), que arrecadou apenas US$ 82 milhões (R$ 421 milhões) diante de um orçamento de US$ 100 milhões (R$ 513 milhões), agora ocupa o quinto lugar entre os filmes mais vistos da Netflix no Brasil.
Mulher-Gato colocou Halle Berry no papel de Patience Phillips, uma funcionária que descobre uma conspiração corporativa, morre e retorna à vida com habilidades felinas. Decidida a se vingar de quem a prejudicou, ela passa a agir como anti-heroína enquanto é perseguida pelo detetive Tom Lone (Benjamin Bratt).
Na época, o filme foi amplamente rejeitado. Além da baixa arrecadação, a produção recebeu 18% de aprovação do público no site especializado. As críticas classificaram Mulher-Gato como sem emoção e sem identidade. Halle Berry chegou a vencer o Razzie de pior atriz, prêmio que simbolizou o desgaste do projeto naquele momento.
Com o passar dos anos, porém, a percepção começou a mudar. O diretor Pitof declarou que o longa estava à frente de seu tempo e que o público de 2004 talvez não estivesse preparado para uma super-heroína negra liderando um blockbuster. Ele também apontou que a ausência do Batman desagradou fãs mais tradicionais dos quadrinhos, fator que teria pesado contra o filme.
Hoje, em um cenário mais aberto à diversidade e a releituras ousadas do gênero, o título encontrou nova audiência no streaming. Mulher-Gato entrou no Top 10 da Netflix em 21 países, chegando ao primeiro lugar em três deles.
O caso mostra como o streaming tem reescrito a história de produções que fracassaram nos cinemas. Obras antes vistas como erros irreparáveis passam a ser redescobertas por novas gerações, que consomem o catálogo sem o peso da repercussão negativa original.
Mais de 20 anos após virar sinônimo de vexame para a DC, Mulher-Gato vive uma inesperada redenção. O que foi tratado como desastre comercial agora é tratado como curiosidade cult, provando que nem todo fracasso é definitivo na era das plataformas digitais.
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
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