FILMES E SÉRIES

John Boyega, Chewbacca e Harrison Ford em cena de Star Wars: O Despertar da Força

(Foto: Divulgação/Lucasfilm)

O Despertar da Força

O filme que fez Star Wars parecer maior que uma franquia

Rever O Despertar da Força hoje mostra por que o filme ainda ecoa dez anos depois

Victor Cierro
Victor Cierro

Quando Star Wars: O Despertar da Força chegou aos cinemas, em dezembro de 2015, havia mais em jogo do que o lançamento de mais um blockbuster. O filme marcava o retorno da saga aos cinemas após uma década e carregava a promessa de reconectar o público com algo que parecia ter se perdido ao longo do tempo. Não era apenas sobre continuar a história, mas sobre resgatar a sensação de evento cultural que Star Wars sempre representou.

Naquele momento, o lançamento de um novo episódio ainda parava o mundo. Trailers viravam acontecimentos, pré-vendas derrubavam sites e sessões esgotavam dias antes da estreia. O Despertar da Força chegou como um raro exemplo de monocultura em um cenário que, anos depois, se fragmentaria completamente. Era um filme que unia gerações, fãs antigos e novos, em torno de uma experiência coletiva difícil de imaginar hoje.

Mesmo com falhas evidentes, o longa dirigido por J.J. Abrams conseguiu reposicionar Star Wars como algo maior do que uma simples marca. Pela primeira vez em muito tempo, a franquia parecia dialogar diretamente com o presente, refletindo tensões políticas, mudanças culturais e debates sobre representatividade. O filme entendia que Star Wars sempre foi mais do que naves, sabres de luz e batalhas espaciais. Era, acima de tudo, uma história sobre pertencimento, esperança e identidade.

A introdução de Rey (Daisy Ridley) sintetiza bem esse espírito. A personagem surge como alguém comum, sobrevivendo à margem da galáxia, mas profundamente conectada aos mitos do passado. Ela representa o fã que cresceu ouvindo histórias sobre Luke Skywalker (Mark Hamill) e a Rebelião, sonhando em fazer parte daquele universo. Sua jornada fala diretamente com uma geração marcada por insegurança, dúvida e desejo de encontrar um lugar no mundo.

Daisy Ridley em cena de Star Wars: O Despertar da Força

Daisy Ridley em cena de Star Wars: O Despertar da Força

(Foto: Divulgação/Lucasfilm)

Star Wars de 2015 foi extremamente relevante

Ao lado dela, Finn (John Boyega) e Poe Dameron (Oscar Isaac) formam um novo trio que carrega simbolismos importantes. Um ex-stormtrooper negro, um piloto latino carismático e uma mulher no centro da narrativa não eram apenas escolhas criativas. Eram sinais claros de que Star Wars estava se abrindo para novos públicos e novas leituras. Pela primeira vez, muitos espectadores se viram representados como protagonistas da saga.

O Despertar da Força também soube usar o legado sem deixar que ele engolisse a história. Han Solo (Harrison Ford) e Leia Organa (Carrie Fisher) retornam como figuras marcadas pelo tempo, pelo fracasso e pela dor, especialmente na relação com o filho, Kylo Ren (Adam Driver). A decisão de não reunir imediatamente o trio clássico foi controversa, mas ajudou a reforçar o peso emocional de cada aparição e a passagem simbólica de bastão para a nova geração.

Visualmente, o filme também se destaca como um lembrete de quando grandes franquias ainda tratavam o cinema como arte. A fotografia, os cenários práticos e a sensação de mundo vivido contrastam com o excesso de artificialidade que domina muitos blockbusters atuais. O Despertar da Força olha para o passado do cinema, dialoga com referências clássicas e reafirma a importância da linguagem cinematográfica dentro de uma produção comercial.

Oscar Isaac em cena de Star Wars: O Despertar da Força, uma das maiores bilheterias da década

Oscar Isaac em cena de Star Wars: O Despertar da Força

(Foto: Divulgação/Lucasfilm)

O Despertar da Força é um caso único

Com o passar dos anos e decisões criativas questionáveis que viriam depois, especialmente em A Ascensão Skywalker (2019), parte desse encanto se perdeu. Ainda assim, revisitar O Despertar da Força uma década depois revela por que ele permanece tão marcante. O filme capturou um momento específico da cultura pop, quando ainda era possível acreditar que uma grande franquia poderia unir pessoas, provocar debates relevantes e inspirar uma nova geração.

Star Wars pode hoje existir em um fluxo constante de conteúdos, séries e derivados, mas O Despertar da Força permanece como o último instante em que a saga pareceu transcender o próprio rótulo de IP. Foi quando Star Wars voltou a ser sentimento, experiência coletiva e reflexo de seu tempo, lembrando que, em seu melhor estado, sempre foi muito maior do que apenas uma franquia.

Star Wars: O Despertar da Força está disponível no Disney+. O próximo filme da saga, O Mandaloriano e Grogu, estreia em 21 de maio de 2026 nos cinemas.

O Mandaloriano e Grogu, filme com Pedro Pascal e Baby Yoda, teve o primeiro trailer lançado

O Mandaloriano e Grogu conta com Pedro Pascal e Baby Yoda

(Foto: Divulgação/Lucasfilm)

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Victor Cierro

Victor Cierro

Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.

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