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Kurt Russell em cena de Guardiões da Galáxia Vol. 2, filme da Marvel

(Foto: Divulgação/Marvel)

Guardiões da Galáxia

Filme triste da Marvel também é o mais bobo do estúdio

Guardiões da Galáxia Vol. 2 é um caso único dentro do universo dos super-heróis

Victor Cierro
Victor Cierro

Lançado como uma aventura colorida e repleta de piadas, Guardiões da Galáxia Vol. 2 (2017) acabou se consolidando como um dos capítulos mais emocionais de todo o MCU (Universo Cinematográfico da Marvel). Por trás do humor escrachado e das situações cartunescas, o longa dirigido por James Gunn constrói um drama familiar pesado, que passa despercebido por parte do público, mas deixa marcas profundas em seus personagens.

O ponto central dessa carga emocional está no desfecho do filme. Após a derrota de Ego (Kurt Russell), Peter Quill (Chris Pratt) sobrevive graças ao sacrifício de Yondu (Michael Rooker), seu verdadeiro pai ao longo da vida. A cena já é forte por si só, mas ganha ainda mais peso com o funeral Ravager, quando antigos aliados aparecem para prestar homenagem. O momento final, encerrado com Rocket (Bradley Cooper) chorando em silêncio, transforma a despedida em uma das mais tristes de toda a franquia.

Outro arco essencial para esse tom melancólico envolve Gamora (Zoë Saldaña) e Nebula (Karen Gillan). A rivalidade entre as irmãs culmina em um confronto físico que termina de forma inesperada. Nebula revela que nunca quis vencer Gamora, apenas ter uma irmã. A confissão redefine a relação das duas e dá início a uma reconciliação que ecoa nos filmes seguintes do MCU, incluindo sacrifícios e reencontros que só fazem sentido a partir desse momento.

Michael Rooker em Guardiões da Galáxia, franquia de James Gunn

Michael Rooker em Guardiões da Galáxia

(Foto: Divulgação/Marvel)

Marvel misturou muitos arcos no filme

Drax (Dave Bautista), geralmente tratado como alívio cômico, também vive uma de suas cenas mais tristes no longa. Em uma conversa aparentemente leve com Mantis (Pom Klementieff), ele menciona a filha que perdeu. Ao tocar em Drax, Mantis sente toda a dor que ele carrega e desaba em lágrimas, enquanto ele permanece imóvel. A sequência revela que, por trás das piadas, existe um personagem marcado por luto constante e silencioso.

O contraste com esse drama intenso está no tom propositalmente bobo do filme. Rostos esticados em saltos espaciais, piadas repetidas como o nome Taserface, Baby Groot roubando a cena e até a derrota do vilão em uma referência a Pac-Man reforçam o lado mais infantil e exagerado da produção. São escolhas que, isoladamente, parecem incompatíveis com um drama tão pesado.

É justamente essa combinação que torna Guardiões da Galáxia Vol. 2 um caso único dentro da Marvel. O filme consegue fazer o público rir durante quase toda a projeção e, ao mesmo tempo, terminar com um sentimento de perda genuína. Ao esconder sua tristeza sob uma camada de humor absurdo, o estúdio entregou um de seus capítulos mais emocionais sem nunca parecer, à primeira vista, um drama.

Guardiões da Galáxia Vol. 2 está disponível no Disney+. Assista abaixo ao trailer:

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QUEM FEZ
Victor Cierro

Victor Cierro

Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.

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