(Foto: Divulgação/Netflix)
A gigante de Hollywood quer parar de depender de outros estúdios e ter o controle integral de propriedades intelectuais famosas
Mesmo sendo a maior plataforma de streaming do mundo, a Netflix enfrenta um problema estrutural que voltou ao centro das discussões em Hollywood nos últimos meses. A empresa domina audiência, escala global e engajamento, mas ainda carece de algo essencial na indústria do entretenimento: um catálogo robusto de franquias próprias capazes de atravessar gerações.
Esse ponto ficou evidente com o sucesso inesperado de Caçadoras do K-Pop, animação que virou hit do verão e levou a Netflix a reagir rapidamente. A produção foi incorporada às experiências físicas da plataforma, com itens temáticos, murais e até uma estátua instalada em um shopping da Pensilvânia. Para executivos da empresa, o movimento mostrou agilidade. Para o mercado, escancarou uma limitação maior.
Ao contrário de estúdios tradicionais, a Netflix construiu seu império baseada em licenciamento. Séries como Friends e The Office ajudaram a impulsionar a plataforma no passado, enquanto sucessos recentes como Wandinha e One Piece pertencem a universos que não são controlados pela empresa. Mesmo quando um título vira fenômeno global, parte do valor estratégico permanece fora de seu alcance.
Por isso, produções totalmente originais como Stranger Things, Bridgerton e Round 6 são exploradas ao máximo. Elas representam algumas das poucas propriedades intelectuais que a Netflix controla integralmente, o que explica sua presença constante em campanhas, produtos licenciados e experiências presenciais. Ainda assim, o volume é pequeno se comparado ao de concorrentes históricos.
É nesse contexto que entra a Warner Bros. Discovery. Dono de franquias como Harry Potter, DC e Game of Thrones, o estúdio é visto como o segundo maior acervo de IP de Hollywood, atrás apenas da Disney. Controlar essa biblioteca significa acesso imediato a personagens, mundos e marcas com décadas de reconhecimento global.
A disputa envolvendo Netflix e Paramount pela Warner vai além do streaming. Trata-se de uma batalha pelo futuro do entretenimento, em que franquias alimentam um ciclo contínuo entre cinema, televisão, plataformas digitais e experiências no mundo real. Quem controla esses universos controla também o tempo, a atenção e o dinheiro do público.
Executivos e analistas do setor são claros ao apontar essa mudança de estratégia. A Netflix segue líder em assinantes, mas entende que o próximo passo é deixar de depender de propriedades alheias. A corrida pelas franquias da Warner não é oportunismo. É uma tentativa de corrigir a maior fraqueza de um gigante que quer deixar de ser apenas uma plataforma e se tornar um estúdio com legado.
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
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