(Foto: Divulgação/Marvel Studios)
A solução envolve justamente fazer o que o estúdio fez com as Joias do Infinito após Ultimato
A Marvel chega ao fim da Saga do Multiverso com um desafio que nunca encarou desde o impacto de Ultimato (2019). Depois de anos tentando transformar saltos dimensionais em carro-chefe narrativo, o estúdio percebeu que a fórmula trouxe mais confusão do que coesão. Vingadores 6 tem agora a responsabilidade de restaurar a força do universo central e preparar terreno para a próxima fase, que deve inaugurar uma nova era com os mutantes.
O contraste com a Saga do Infinito permanece evidente. Durante mais de uma década, o MCU (Universo Cinematográfico da Marvel) construiu uma narrativa sólida e direta, sempre voltada para personagens que viviam as consequências de suas escolhas dentro de uma única linha temporal. Quando Thanos (Josh Brolin) foi derrotado, as Joias do Infinito deixaram de ser relevantes, o que permitiu ao estúdio seguir adiante sem olhar para trás. Esse tipo de encerramento limpo nunca aconteceu na Saga do Multiverso.
Desde 2021, filmes e séries mergulharam em variantes, linhas temporais ramificadas e realidades sobrepostas. Isso rendeu momentos brilhantes, como a união dos três Homens-Aranha e o encontro de Deadpool (Ryan Reynolds) com Wolverine (Hugh Jackman). Ao mesmo tempo, o excesso de conceitos abstratos derrubou as stakes tradicionais, já que sempre existia a possibilidade de outra versão de um personagem retornar para preencher o espaço vazio de quem partia.
A estratégia também diminuiu o impacto emocional das histórias. Mortes perderam força, realidades desapareceram sem peso dramático e personagens surgiram apenas como peças descartáveis. O público percebeu essa desconexão e a repercussão morna de títulos recentes refletiu a dificuldade em criar urgência em um universo onde tudo pode ser revertido com uma viagem dimensional.
Vingadores: Guerras Secretas precisa romper esse ciclo. A solução envolve justamente fazer o que a Marvel fez com as Joias do Infinito após Ultimato: encerrar completamente o recurso que sustentou a saga. Assim como o estúdio abandonou as pedras cósmicas para contar novas histórias, agora precisa fechar a porta do multiverso para recuperar o foco em personagens, conflitos internos e consequências permanentes.
Encerrar o multiverso daria início ao próximo capítulo com clareza e propósito. A chamada Era Mutante só funcionará se o público acreditar que cada decisão é definitiva, que os riscos são reais e que a linha temporal principal não será substituída por uma alternativa sempre que conveniente. Esse é o tipo de estabilidade que sustentou o MCU no passado e que ele precisa reencontrar para evitar a exaustão narrativa.
Vingadores 6 se torna então o filme mais importante desde Ultimato. A Marvel tem a chance de restabelecer peso dramático, reforçar o universo central e abrir espaço para novos heróis assumirem o protagonismo. Se essa escolha radical for feita, o estúdio pode finalmente virar a página e construir uma fase tão impactante quanto a era que definiu uma geração de fãs.
O próximo filme da equipe da Marvel, Doomdsay, estreia 18 de dezembro de 2026. Já Vingadores 6, mais conhecido como Guerras Secretas chega aos cinemas em 17 de dezembro de 2027.
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
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