(Reprodução/Globoplay)
O Testamento: O Segredo de Anita Harley mostra os bastidores de batalha judicial que já dura quase uma década
Uma herdeira em coma, um império bilionário em jogo, uma batalha judicial que já dura quase uma década e que expõe laços de afeto, poder e fortuna. Esses são os elementos centrais da série documental O Testamento: O Segredo de Anita Harley, lançada nesta semana pelo Globoplay. Em cinco episódios, a obra conta a trajetória empresarial e familiar complexa de Anita Harley, maior acionista individual da Pernambucanas, uma das redes de varejo mais tradicionais do país.
O Testamento apresenta os bastidores das disputas envolvendo duas ex-funcionárias da empresária e o filho de uma delas em torno de sua curatela e herança avaliada em mais de R$ 1 bilhão. A produção é do Núcleo de Documentários dos Estúdios Globo, com direção de Camila Appel, roteirista das produções Em Nome de Deus e Xuxa: o Documentário.
Criada no Recife, na década de 1940, Anita cresceu cercada pela tradição e influência da família no varejo nacional: a empresária é filha de Helena Groschke Lundgren e bisneta de Herman Lundgren, fundador da Pernambucanas. Nos anos 1990, após a morte da mãe, assumiu a presidência da companhia.
No entanto, um evento inesperado mudou o rumo da sua carreira. Desde 2016, está em coma depois de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC), desencadeando uma batalha judicial em volta da sua curatela –nome do encargo legal atribuído a uma pessoa para representar alguém civilmente quando este não possui capacidade para fazê-lo, como a administração de seus bens.
Nessa complexa batalha judicial, o documentário apresenta os principais envolvidos. De um lado, Cristine Rodrigues, secretária de confiança de Anita e designada como responsável por seus cuidados em testamento vital, documento em que uma pessoa pode expressar desejos caso esteja incapacitada, como em um coma. De outro, Sônia Soares, a Suzuki, funcionária que residia na mansão da herdeira e que se apresenta como companheira de Anita.
O conflito entre elas se intensifica a partir do anulamento do testamento vital, como resultado de uma ação movida por Suzuki que retirou Cristine da curatela e a impediu de visitá-la no hospital. Nessa disputa também entra Arthur, filho de Suzuki e criado desde pequeno na casa da empresária. Ele ganha, judicialmente, o reconhecimento do vínculo de maternidade socioafetiva com Anita, tornando-se seu herdeiro direto e curador. Posteriormente, em um depoimento no tribunal, Cristine revela que Suzuki não poderia ser a esposa de Anita, porque a verdadeira era ela.
Para organizar essa complexa teia de informações para o público, a série apresenta depoimentos de personagens-chave dessa trama, e reúne relatos de advogados, amigos e familiares. “Fiquei muito envolvida com o desafio da investigação de uma disputa judicial propriamente dita e tentando convencer as pessoas envolvidas a falarem –o que foi, sem dúvida, o mais difícil de tudo”, conta a diretora Camila Appel, em material enviado pelo Globoplay.
Anelise Franco, produtora, destaca este como principal desafio de produção: “A adesão ao projeto exigiu um processo de negociação longo, delicado e complexo. Em alguns casos, levando mais de dois anos até que a participação fosse confirmada”, explica.
A trama, marcada pelas versões conflitantes e sucessivas reviravoltas, conduz o espectador por processos que ora confirmam, ora anulam relações de afeto e legitimidades jurídicas –expondo, inclusive, a fragilidade de documentos como o testamento vital. “É uma chuva de versões sobre cada detalhe. Então, é um vai e vem na nossa cabeça, porque a hora que você acha que está construindo um caminho, de repente vem alguém e fala alguma coisa e te traz um outro lado”, completa Dudu Levy, codiretor.
Utilizando-se ainda de documentos e análises jurídicas de dezenas de processos, O Testamento também recorre a dramatizações que não têm a intenção de reconstruir os fatos de forma literal, mas ajudar a traduzir o emaranhado de versões e levar o espectador junto nas viradas da narrativa, que são muitas. “É uma trama em movimento, e isso também é um desafio narrativo. A cada nova decisão judicial, a história muda de rumo. E é justamente nesse terreno instável que o documentário se constrói”, finaliza a diretora Camila Appel.
A série documental O Testamento: O Segredo de Anita Harley, Original Globoplay, tem direção de Camila Appel, codireção de Dudu Levy, roteiro de Ricardo Calil, Camila Appel e Iuri Barcelos. Iuri também assina a pesquisa. A produção é de Anelise Franco, a produção executiva de Fernanda Neves e a direção artística é de Monica Almeida.
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