FILMES E SÉRIES

Vingadores: Doutor Destino e Duna: Parte Três são os maiores lançamentos de Hollywood em 2026

(Foto: Marvel/Warner Bros.)

Filmes Originais

Hollywood aposta suas últimas fichas de 2026 antes de Vingadores e Duna

Tom Cruise, Anne Hathaway e DC lideram um outubro incomum na reta final do calendário deste ano

Victor Cierro
Victor Cierro

Outubro pode ser o último grande teste de Hollywood para provar que ainda consegue transformar novidades em eventos nos cinemas em 2026. Enquanto os meses seguintes serão dominados por algumas das franquias mais conhecidas da indústria, as próximas semanas concentram filmes que dependem muito mais de estrelas, diretores, conceitos e novas propriedades cinematográficas para conquistar o público.

Digger e Verity abrem essa sequência nesta quinta-feira (1º), seguidos por O Outro Lado das Redes no dia 8. Cara-de-Barro completa o grupo em 22 de outubro e ocupa uma posição particularmente interessante nesse cenário: embora pertença ao universo da DC, aposta em um personagem que nunca protagonizou um filme e em uma proposta distante do blockbuster tradicional de super-heróis.

Digger representa o exemplo mais evidente dessa mudança. O novo longa de Alejandro G. Iñárritu coloca Tom Cruise no centro de uma história original, sem uma franquia estabelecida para atrair espectadores. Depois de anos associado principalmente a produções como Missão: Impossível e Top Gun, o astro terá seu poder de mobilização colocado à prova com um personagem completamente novo.

Tom Cruise em cena de Digger, uma das principais estreias de outubro nos cinemas

Tom Cruise em cena de Digger

(Foto: Warner Bros./Divulgação)

Outubro coloca novas apostas à prova

O peso de nomes conhecidos também será importante para Verity. O suspense adapta o best-seller de Colleen Hoover e reúne Anne Hathaway, Dakota Johnson e Josh Hartnett. Não se trata de uma história original criada para o cinema, mas de uma nova propriedade cinematográfica, sem continuações anteriores ou um universo construído durante anos para gerar reconhecimento imediato entre os espectadores.

O Outro Lado das Redes ocupa uma posição diferente nesse cenário. O novo filme de Aaron Sorkin funciona como uma espécie de continuação de A Rede Social (2010), retomando o universo do Facebook anos depois para abordar acontecimentos relacionados a Frances Haugen (Mikey Madison). Ainda assim, está distante da lógica tradicional das grandes franquias. Em vez de depender de personagens recorrentes ou de um universo compartilhado, a produção tenta transformar novamente os bastidores de uma gigante da tecnologia em um grande evento para os cinemas.

As propostas são bastante diferentes, mas compartilham um desafio semelhante. Mesmo quando partem de livros, filmes anteriores ou propriedades conhecidas, essas produções não contam com a mesma estrutura de universos e continuações que impulsiona as maiores franquias de Hollywood. Em outubro, estrelas, cineastas e conceitos terão papel decisivo para convencer o público de que cada lançamento merece ser visto na tela grande.

Jeremy Strong em O Outro Lado das Redes

Jeremy Strong em O Outro Lado das Redes

(Foto: Sony Pictures/Divulgação)

Cara-de-Barro fica entre dois mundos em Hollywood

Cara-de-Barro torna esse contraste ainda mais interessante. O longa pertence à DC, uma das maiores propriedades do entretenimento, mas coloca Matt Hagen (Tom Rhys Harries) no centro de uma produção própria antes mesmo de personagens muito mais populares ganharem novos filmes nesse universo.

A escolha permite que a DC tenha a segurança de uma marca estabelecida sem simplesmente recorrer a uma de suas apostas mais óbvias. Com uma proposta ligada ao terror corporal, Cara-de-Barro precisa vender ao grande público um protagonista muito menos conhecido do que Batman, Superman ou Mulher-Maravilha.

O filme, portanto, funciona como uma ponte entre os dois lados desse calendário. Existe uma grande franquia por trás dele, mas seu desafio comercial se aproxima daquele enfrentado por uma propriedade nova: apresentar personagem, proposta e identidade a espectadores que ainda não possuem uma relação estabelecida com aquele protagonista.

Tom Rhys Harries em cena de Cara-De-Barro, novo filme da DC

Tom Rhys Harries em cena de Cara-De-Barro

(Foto: DC/Divulgação)

Novembro devolve espaço às marcas conhecidas

Essa janela de maior risco começa a desaparecer já no mês seguinte. Jogos Vorazes: Amanhecer na Colheita chega em 19 de novembro e leva o público novamente a Panem, expandindo uma franquia que já atravessou diferentes protagonistas e períodos de sua história.

Entrando Numa Grande Fria segue em 26 de novembro com outro tipo de vantagem. Em vez de construir uma propriedade do zero, o filme recupera uma comédia conhecida e personagens com os quais parte do público já possui familiaridade.

A diferença em relação a outubro é significativa. Enquanto Digger precisa transformar uma história inédita em evento e Cara-de-Barro apresentar seu protagonista para uma audiência maior, Jogos Vorazes e Entrando Numa Grande Fria chegam acompanhados de um reconhecimento construído ao longo de filmes anteriores.

Ariana Grande, Skyler Gisondo e Ben Stiller em cena de Entrando Numa Grande Fria

Ariana Grande, Skyler Gisondo e Ben Stiller em cena de Entrando Numa Grande Fria

Vingadores e Duna levam contraste ao extremo

Dezembro leva essa mudança de cenário ao extremo com duas gigantes no mesmo dia. Vingadores: Doutor Destino e Duna: Parte Três estão previstos para 17 de dezembro, colocando duas das propriedades mais importantes do cinema atual no centro de um dos períodos mais disputados do calendário.

Vingadores: Doutor Destino carrega quase duas décadas de construção do MCU (Universo Cinematográfico da Marvel). O longa reúne personagens de diferentes núcleos, marca o retorno dos irmãos Russo à franquia e traz Robert Downey Jr. como Victor von Doom, uma combinação que depende diretamente da história construída pelo estúdio desde os primeiros filmes de seus super-heróis.

Duna: Parte Três possui uma identidade autoral muito mais ligada a Denis Villeneuve, mas também chega em uma posição completamente diferente daquela enfrentada pelo primeiro longa. Depois de dois capítulos, a saga já estabeleceu seu universo, seus personagens e seu público nos cinemas.

É justamente essa virada que torna outubro tão importante dentro da reta final do ano. Antes que Panem retorne, que uma comédia conhecida seja recuperada e que Marvel e Duna dominem dezembro, Hollywood terá algumas semanas para descobrir até onde ainda vai a força de filmes que precisam conquistar o público sem depender completamente de franquias estabelecidas.

Se Digger, Verity e Cara-de-Barro conseguirem se transformar em grandes eventos, outubro pode mostrar que ainda existe espaço para construir novos sucessos em escala relevante. Caso contrário, o contraste com os meses seguintes ficará ainda mais evidente: enquanto as novidades precisam conquistar espaço e estabelecer sua própria identidade, as maiores franquias de Hollywood chegam aos cinemas com anos de reconhecimento acumulado.

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Victor Cierro

Victor Cierro

Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.

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