(Foto: Divulgação/Amazon MGM Studios)
O caminho para revitalizar propriedades clássicas passa por conquistar uma nova geração de espectadores
Hollywood acaba de receber mais um sinal de que uma de suas estratégias mais lucrativas pode estar perdendo força. Lançado com a missão de transformar a marca clássica do He-Man em uma nova franquia de sucesso, Mestres do Universo estreou abaixo das expectativas e levantou dúvidas sobre o futuro de adaptações baseadas na nostalgia dos anos 1980.
O longa arrecadou US$ 54,3 milhões (R$ 282 milhões) em seu primeiro fim de semana mundial, resultado considerado decepcionante para uma produção que custou aproximadamente US$ 200 milhões (R$ 1 bilhão). Nos Estados Unidos, o filme somou apenas US$ 29,3 milhões (R$ 152 milhões), ficando em segundo lugar nas bilheterias do período, atrás de Todo Mundo em Pânico 6.
A aposta da Amazon MGM era repetir o sucesso de outras franquias clássicas que voltaram aos cinemas nos últimos anos ou fizeram releituras, como Barbie. O estúdio contava com o reconhecimento da marca He-Man, personagens conhecidos e o apelo nostálgico para atrair o público adulto que cresceu acompanhando os brinquedos e desenhos animados da década de 1980.
Esqueleto (Jared Leto) em cena de Mestres do Universo
(Foto: Divulgação/Amazon MGM Studios)
O problema é que essa fórmula parece não funcionar mais com a mesma eficiência. Diversas franquias ligadas aos anos 1980 enfrentaram dificuldades recentes nas bilheterias. Produções de séries como Transformers, As Tartarugas Ninja, Karatê Kid, Tron e Dungeons & Dragons tiveram resultados modestos, mesmo quando receberam avaliações positivas da crítica.
A principal diferença em relação a sucessos como Top Gun: Maverick (2022) e Os Fantasmas Ainda se Divertem: Beetlejuice Beetlejuice (2024) é que esses filmes continuaram histórias já conhecidas, enquanto projetos como Mestres do Universo precisam reapresentar universos inteiros para uma nova geração. Isso torna mais difícil conquistar tanto os fãs antigos quanto espectadores que não possuem ligação emocional com a marca.
Outro desafio apontado é o foco excessivo no público adulto. Muitas dessas adaptações são desenvolvidas pensando nos antigos fãs, mas acabam deixando de lado crianças e adolescentes, justamente o grupo que pode sustentar uma franquia por muitos anos. A consequência é uma dificuldade crescente para transformar esses relançamentos em fenômenos duradouros.
O CEO da Mattel, Ynon Kreiz, afirmou na semana passada que Mestres do Universo não precisa igualar o sucesso de Barbie “para ter um impacto econômico significativo na empresa”. O filme faz parte da estratégia da Mattel Inc. de continuar expandindo suas marcas de brinquedos para o ramo do entretenimento. É o primeiro filme da empresa a chegar aos cinemas desde o grande sucesso de Barbie em 2023.
Para especialistas do setor, o caminho para revitalizar propriedades clássicas passa por conquistar uma nova geração de espectadores. Exemplos recentes como Um Filme Minecraft, Sonic e Super Mario Bros. mostraram que apostar no interesse do público jovem pode ser mais eficiente do que depender apenas da nostalgia.
O desempenho de Mestres do Universo agora reforça a percepção de que Hollywood talvez precise mudar sua estratégia para manter vivas as franquias do passado.
Mestres do Universo segue em cartaz nos cinemas. Assista abaixo ao trailer:
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
Ver mais conteúdos de Victor CierroTangerina é um lugar aberto para troca de ideias. Por isso, pra gente é super importante que os comentários sejam respeitosos. Comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, com palavrões, que incitam a violência, discurso de ódio ou contenham links vão ser deletados.
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