(Foto: Divulgação/Netflix)
Os maiores estúdios do mundo enfrentam uma tecnologia capaz de recriar seus universos com um nível de velocidade nunca vistos antes
Hollywood entrou em confronto direto com uma das tecnologias mais avançadas e controversas da nova geração. Netflix e Warner Bros. acusaram a ByteDance, dona do TikTok, de permitir que sua nova ferramenta de IA (inteligência artificial) crie vídeos não autorizados com personagens e universos protegidos por direitos autorais, incluindo Superman, Batman e Stranger Things (2016-2025).
O conflito gira em torno do Seedance 2.0, um gerador de vídeos que permite criar cenas realistas a partir de simples comandos de texto. A tecnologia rapidamente viralizou nas redes sociais ao produzir sequências inéditas com personagens famosos, versões alternativas de histórias conhecidas e até encontros fictícios entre figuras que nunca dividiram o mesmo universo.
A Netflix foi uma das mais agressivas na resposta e ameaçou entrar com ação judicial imediata contra a ByteDance. Em carta formal, o estúdio afirmou que a ferramenta funciona como um “motor de pirataria em alta velocidade”, capaz de gerar conteúdos derivados não autorizados com base em suas propriedades mais valiosas.
Entre os exemplos citados estão vídeos que recriam com precisão personagens, criaturas e cenas de Stranger Things, além de conteúdos inspirados em Bridgerton, Round 6 (2021-2025) e outras produções populares. Segundo o estúdio, a tecnologia utiliza esses elementos sem autorização e ainda permite que usuários criem novos cenários, crossovers e finais alternativos.
Yerin Ha e Luke Thompson na quarta temporada de Bridgerton
(Foto: Divulgação/Netflix)
A Warner Bros. também reagiu com força e acusou a ByteDance de “violação flagrante” de suas propriedades intelectuais. O estúdio afirmou que personagens como Superman e Batman estão sendo usados para gerar vídeos falsos e cenas inéditas que imitam o estilo visual das produções originais.
Nas redes sociais, usuários já compartilharam sequências que colocam heróis de universos diferentes em combate, recriam finais alternativos de grandes produções e simulam novos episódios de franquias consagradas. A ferramenta também foi usada para gerar versões inéditas de séries como Game of Thrones (2011-2019), ampliando ainda mais a preocupação dos estúdios.
Outras gigantes da indústria, como Disney e Paramount, também enviaram notificações legais e exigiram que a ByteDance interrompa o uso de seus conteúdos. A principal exigência é que a empresa remova os materiais protegidos dos bancos de treinamento da IA e implemente barreiras mais rígidas para impedir novas violações.
A ByteDance afirmou que pretende adicionar medidas de proteção adicionais, mas isso não foi suficiente para conter a reação de Hollywood. Para os estúdios, o Seedance 2.0 representa um ponto de virada perigoso, capaz de ameaçar o controle criativo e financeiro sobre algumas das franquias mais valiosas do entretenimento mundial.
O embate marca o início de uma batalha que pode redefinir o futuro da indústria audiovisual. Pela primeira vez, os maiores estúdios do mundo enfrentam diretamente uma tecnologia capaz de recriar seus universos com um nível de realismo e velocidade nunca vistos antes.
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
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