FILMES E SÉRIES

Tom Cruise em Missão: Impossível 7; Paramount não deve salvar os cinemas após compra da Warner Bros.

(Foto: Divulgação/Paramount Pictures)

Paramount Skydance

Hollywood troca de dono, mas crise dos cinemas só piora

A recusa da Netflix não significa que a Paramount vá salvar os filmes nas telonas

Victor Cierro
Victor Cierro

A venda da Warner Bros. Discovery para a Paramount Skydance muda o comando de um dos maiores estúdios de Hollywood, mas não resolve o problema mais urgente da indústria: a fragilidade das salas de cinemas. Mesmo com a saída da Netflix da disputa, exibidores avaliam que qualquer desfecho levaria a um cenário negativo, marcado por menos lançamentos e mais concentração de poder.

Antes de a Netflix abandonar o leilão, o temor era que a empresa encurtasse drasticamente a janela de exibição nos cinemas, priorizando o streaming. Apesar de promessas de manter os filmes nas salas por 45 dias, executivos do setor nunca confiaram totalmente nesse compromisso. A percepção era de que, no longo prazo, o cinema acabaria perdendo espaço.

Com a Paramount assumindo a Warner, o discurso muda, mas a desconfiança permanece. David Ellison, CEO da Skydance, se posiciona como defensor do modelo tradicional e afirma que o novo conglomerado lançará mais de 30 filmes por ano nos cinemas. Nos bastidores, porém, analistas e executivos questionam a viabilidade dessa meta, já que nenhum grande estúdio chega perto desse volume atualmente.

Futuro da Warner Bros. segue em aberto, graças ao CEO da Paramount: David Ellison

Icônica torre da Warner Bros.

(Foto: Divulgação/Warner Bros. Discovery)

O futuro dos cinemas continua incerto

O ceticismo aumenta quando entram na conta os cortes de custos. A Paramount busca até US$ 6 bilhões (R$ 30 bilhões) em economia com a fusão, o que deve resultar na eliminação de áreas duplicadas, especialmente em marketing e distribuição. Para especialistas, é irreal promover um grande lançamento a cada duas semanas com equipes reduzidas, sem comprometer o desempenho dos filmes.

Outro ponto sensível é a janela de exibição. Historicamente, a Paramount já trabalha com períodos mais curtos nos cinemas do que seus concorrentes. Em 2025, os filmes do estúdio ficaram cerca de 31 dias em cartaz exclusivo, abaixo da média do setor. Analistas não acreditam que esse intervalo aumente após a fusão, apesar das promessas públicas.

Exibidores também lembram do precedente da compra da Fox pela Disney. Após a fusão, o número de lançamentos da 20th Century despencou, reduzindo a oferta de filmes para as salas. O medo é que a união entre Paramount e Warner provoque um efeito semelhante, concentrando até 40% da bilheteria anual dos Estados Unidos em um único estúdio.

No fim, a mudança de controle em Hollywood não traz alívio para os cinemas. Para donos de salas, a disputa entre gigantes deixou claro que não há saída simples: seja com streaming ou com fusões bilionárias, o resultado tende a ser menos filmes, menos diversidade e um futuro ainda mais incerto para a experiência cinematográfica.

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Victor Cierro

Victor Cierro

Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.

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