(Foto: Divulgação/HBO.)
A série satiriza dinâmicas de nepo babies e o culto ao status típico da cidade, mas também revela traumas e fragilidades
Em um momento no qual comédias são canceladas antes mesmo de completarem um ciclo consistente, I Love LA surge como exceção. A produção da HBO retrata com precisão a dinâmica de amigos que envelheceram juntos, mas carregam ressentimentos silenciosos, privilégios e neuroses que moldaram suas relações ao longo dos anos. É um retrato contemporâneo, urbano e nada romantizado sobre crescer ao redor das mesmas pessoas sem necessariamente evoluir junto com elas.
Na história, um grupo de amigos volta a se reunir em Los Angeles. Agora adultos, eles precisam lidar com ambição, amores e a pressão constante por espaço e relevância na cidade. No centro da trama está Mia (Rachel Sennott), uma jovem determinada a conquistar um lugar na cena de LA enquanto equilibra carreira, relacionamentos e a vida noturna badalada. Criada pela própria protagonista, a produção combina humor ácido e reflexões sobre sucesso e amizade.
A série acerta ao capturar o espírito de uma geração entre Millennials e Gen Z, muitas vezes chamada de Zillennial. Os personagens convivem com insegurança, autocentramento, comparações e a sensação persistente de que estão atrasados para algo que ninguém sabe definir. O texto faz humor a partir desse desconforto, expondo contradições pessoais e sociais sem suavizar comportamentos tóxicos.
Outro ponto que chama atenção é o retrato do privilégio. I Love LA satiriza dinâmicas de nepo babies e o culto ao status típico da cidade, mas também revela traumas e fragilidades por trás dessa camada. As amizades mostradas são intensas, carinhosas, competitivas, disfuncionais e, acima de tudo, reconhecíveis. O humor não vem da piada fácil, mas da fricção emocional entre quem os personagens pensam que são e o que realmente mostram.
A crítica já abraçou a série. I Love LA tem 84% de aprovação entre críticos no Rotten Tomatoes, enquanto a nota do público é de 47%, um contraste que reforça o foco em um recorte cultural específico. A série pode não dialogar com todos, mas traduz com fidelidade a identidade de um nicho contemporâneo, algo raro no catálogo de comédias atuais.
Além disso, a HBO renovou I Love LA para a segunda temporada, movimento que confirma o interesse do estúdio em desenvolver ainda mais o universo construído por Sennott. Em um ambiente competitivo no qual novas comédias são descartadas rapidamente, a continuidade permite que a série aprofunde os personagens e amplie sua conversa cultural.
Os novos episódios de I Love LA estreiam aos domingos na HBO Max. Assista abaixo ao trailer da série:
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
Ver mais conteúdos de Victor CierroTangerina é um lugar aberto para troca de ideias. Por isso, pra gente é super importante que os comentários sejam respeitosos. Comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, com palavrões, que incitam a violência, discurso de ódio ou contenham links vão ser deletados.
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