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Milly Alcock em cena de Supergirl

(Foto: Divulgação/DC Studios)

Adaptação

James Gunn quebra expectativa sobre Supergirl e frustra leitores da DC

Woman of Tomorrow é lembrada por seu tom mais contemplativo, melancólico e quase mitológico, bem distante de aventuras espaciais mais leves

Victor Cierro
Victor Cierro

O próximo grande lançamento do DCU nos cinemas, Supergirl, já começa a gerar debate antes mesmo de sua estreia. Vendido inicialmente como uma adaptação de Woman of Tomorrow, uma das HQs mais elogiadas da personagem, o filme passou a ser visto com mais cautela após declarações recentes de James Gunn sobre o grau de fidelidade ao material original.

James Gunn afirmou que o longa não seguirá a obra de Tom King de forma “religiosa”. A entrevista para a Variety ganhou repercussão justamente porque Woman of Tomorrow ocupa um lugar especial entre os leitores, sendo considerada uma das histórias mais marcantes de Kara Zor-El. Para parte do público, a expectativa não era apenas por mais um filme da personagem, mas por uma transposição fiel de uma HQ já consagrada.

Os sinais desse distanciamento já apareciam no teaser. A identidade visual criada por Bilquis Evely e Matheus Lopes, vista como parte essencial da força da história, não parece ter sido incorporada ao filme. A ausência dessa estética específica passou a ser encarada como uma perda de identidade, indo além de simples ajustes criativos comuns em adaptações.

Milly Alcock é a Supergirl no próximo filme da DC nos cinemas

Milly Alcock como Kara Zor-El, a Supergirl

(Foto: DC Studios/Reprodução)

Supergirl pode irritar os fãs da DC

Ao definir Supergirl como uma fantasia espacial, Gunn também acabou alimentando comparações que incomodaram leitores. Woman of Tomorrow é lembrada por seu tom mais contemplativo, melancólico e quase mitológico, bem distante de aventuras espaciais mais leves e expansivas associadas a outros universos de super-heróis.

A caracterização da protagonista, por outro lado, mantém pontos de contato com os quadrinhos. Segundo o diretor Craig Gillespie, a Supergirl interpretada por Milly Alcock será marcada por traumas e conflitos internos, funcionando como um contraponto emocional ao Superman vivido por David Corenswet. Ainda assim, para muitos fãs, esse aspecto perde força quando dissociado da atmosfera visual que ajudou a definir essa versão da personagem.

O histórico recente do próprio DCU reforça a desconfiança. Obras usadas como referência criativa nem sempre se transformaram em adaptações diretas, servindo mais como guias temáticos do que como modelos narrativos. O temor é que Woman of Tomorrow siga esse mesmo caminho, reduzida a uma inspiração parcial.

Com expectativas mais calibradas, Supergirl passa a ser observada com atenção redobrada. Ao afastar a ideia de uma adaptação fiel logo de início, James Gunn coloca o filme no centro de um debate que vai além da personagem e toca diretamente na forma como o DCU pretende lidar com seus quadrinhos mais celebrados.

Supergirl estreia em 26 de junho nos cinemas. Assista abaixo ao teaser:

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Victor Cierro

Victor Cierro

Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.

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