(Foto: DC/Divulgação)
O diretor pretende recuperar versão original de personagem que acabou transformado em vilão nos quadrinhos
James Gunn está disposto a mexer em uma das mudanças mais controversas da história da DC nos quadrinhos. Em Man of Tomorrow, o cineasta deve manter Maxwell Lord (Sean Gunn) longe de sua transformação em um grande vilão e recuperar a personalidade moralmente cinzenta que marcou as primeiras histórias do personagem com a Liga da Justiça Internacional.
O próprio James Gunn deixou clara sua preferência ao responder um fã que questionou por que a Tropa dos Lanternas Verdes permitiria que Guy Gardner (Nathan Fillion) trabalhasse para Maxwell Lord caso o empresário fosse maligno. No Threads, o diretor rejeitou essa definição e explicou que sua versão é inspirada no personagem originalmente desenvolvido por J.M. DeMatteis, Keith Giffen e Kevin Maguire.
Interpretado por Sean Gunn na nova DC, Maxwell Lord surgiu como uma figura ambiciosa, manipuladora e egoísta, capaz de distorcer a verdade para alcançar seus objetivos. Ao mesmo tempo, ele realmente se importava com os integrantes da Liga da Justiça Internacional. A proposta combinava com uma equipe formada por heróis imperfeitos, com conflitos pessoais e uma dinâmica muito mais próxima de uma família disfuncional.
A grande transformação aconteceu posteriormente, quando a DC revelou que Maxwell Lord havia manipulado a comunidade de super-heróis durante anos e, na realidade, sempre odiara aqueles que financiava. A virada culminou no assassinato de Ted Kord, o Besouro Azul, e praticamente eliminou as características que permitiam enxergá-lo como uma figura moralmente ambígua.
Maxwell Lord (Sean Gunn) em Pacificador
(Foto: HBO Max/Divulgação)
Essa versão ainda protagonizou uma das histórias mais marcantes da DC. Maxwell passou a controlar mentalmente Superman e afirmou que jamais libertaria o herói. Diante da ameaça, Mulher-Maravilha matou o personagem quebrando seu pescoço. A mudança de personalidade e de passado, porém, nunca agradou James Gunn.
O presidente da DC já deixou claro que seu universo não precisa reproduzir exatamente os quadrinhos. Para Maxwell Lord, isso significa ignorar justamente sua transformação em um vilão tradicional. Gunn afirmou que o personagem será inspirado na concepção original e chegou a brincar que os fãs não devem esperar que ele atire no rosto do Besouro Azul.
A escolha também reforça a influência da Liga da Justiça Internacional sobre o novo universo. Guy Gardner, Besouro Azul e Maxwell Lord têm fortes ligações com essa fase, enquanto outros personagens já apresentados ajudam a formar uma equipe diferente da formação clássica mais conhecida pelo público. Gunn já descreveu o grupo comandado por Lord como uma espécie de Liga da Justiça em seus primeiros passos.
Com isso, Man of Tomorrow pode fazer mais do que avançar a história de Superman (2025). O filme tem espaço para consolidar a identidade da futura Liga da Justiça da nova DC e, ao mesmo tempo, recuperar uma versão de Maxwell Lord que ficou para trás nos quadrinhos. Em vez de repetir sua transformação em um antagonista, James Gunn parece interessado justamente nas contradições que tornaram o personagem mais complexo.
Man of Tomorrow estreia em 8 de julho de 2027 nos cinemas.
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
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