(Foto: Divulgação/Netflix)
É uma performance que faz jus ao fenômeno cultural que a série se tornou no catálogo da Netflix
O final de Stranger Things deixou uma sensação ambígua entre fãs e crítica, com decisões narrativas que dividiram opiniões e personagens importantes perdendo espaço no encerramento. Em meio a essas falhas, uma atuação se destacou de forma incontestável e ajudou a sustentar o impacto da última temporada: Jamie Campbell Bower como Henry Creel e, principalmente, como Vecna.
Mesmo enfrentando um roteiro irregular e escolhas que simplificaram o conflito central, Bower entrega uma performance marcada por intensidade física e emocional. Sua presença em cena impõe ameaça real, algo que a série vinha diluindo ao longo das temporadas. Cada aparição de Vecna carrega peso, desconforto e um senso de perigo que resgata parte do terror psicológico que consagrou Stranger Things no início.
A dualidade entre Henry e Vecna também é um dos grandes trunfos da atuação. Bower consegue diferenciar com clareza o lado humano e ressentido do monstro que se tornou símbolo do mal absoluto em Hawkins. A transformação não depende apenas de maquiagem ou efeitos visuais, mas de gestos, olhar e controle vocal, o que dá profundidade a um vilão que poderia facilmente cair na caricatura.
Vecna e Will (Noah Schnapp) em cena de Stranger Things
(Foto: Reprodução/Netflix)
Esse desempenho ganha ainda mais força quando comparado ao espaço reduzido dado a outros nomes fortes do elenco no episódio final. Sadie Sink, que foi essencial para sustentar a carga dramática dos últimos episódios da temporada, acaba ficando fora dos holofotes no desfecho. O mesmo acontece com Nell Fisher, cuja participação perde relevância justamente quando a série se aproxima de sua despedida na Netflix.
O caso mais emblemático é o de Winona Ryder. Dona do currículo mais sólido do elenco e responsável por algumas das cenas mais icônicas da história da série, a atriz termina Stranger Things em um papel quase decorativo. Joyce Byers, que já foi o coração emocional da trama, se transforma em coadjuvante silenciosa em momentos decisivos, simbolizando o desequilíbrio do foco narrativo da temporada final.
Nesse contexto, o trabalho de Jamie Campbell Bower se destaca ainda mais. Enquanto a série hesita em explorar plenamente seus protagonistas clássicos, o vilão se impõe como o centro dramático mais consistente do encerramento. Vecna funciona não apenas como ameaça física, mas como força simbólica que concentra os conflitos, medos e frustrações acumulados ao longo dos anos.
No fim, apesar dos tropeços do roteiro e das escolhas questionáveis para alguns personagens, Stranger Things encontra em Jamie Campbell Bower sua atuação mais forte na última temporada. É uma performance que faz jus ao fenômeno cultural que a série se tornou e que reforça a ideia de que, mesmo em um final irregular, o impacto do vilão ajudou a sustentar a despedida de Hawkins.
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
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