(Foto: Divulgação/Netflix)
Com elenco interessante e proposta com apelo, o filme deixa a sensação de oportunidade desperdiçada
A Netflix reuniu Kevin Hart e um elenco cheio de nomes em ascensão para uma comédia com potencial de agradar a diferentes gerações. No papel, a premissa parecia divertida, mas a execução fica muito aquém do esperado e transforma 72 Horas em Miami em um filme que desperdiça praticamente todas as suas melhores ideias.
Dirigido por Tim Story (de Policial em Apuros e A Última Missão), o longa acompanha Joe (Kevin Hart), um executivo de publicidade que, prestes a conquistar uma promoção, acaba adicionado por engano ao grupo de mensagens de uma despedida de solteiro de jovens na faixa dos 20 anos. Em vez de sair da conversa, ele decide aproveitar a situação para estudar o comportamento da geração Z e salvar uma campanha publicitária que precisa ser concluída em apenas 72 horas.
A proposta poderia render uma boa comédia de choque de gerações, mas o roteiro tropeça logo no ponto de partida. A situação soa forçada desde o início e nunca consegue convencer totalmente, o que dificulta qualquer envolvimento com os personagens. Em vez de explorar o conflito de forma inteligente, o filme aposta em acontecimentos cada vez mais exagerados e perde o foco daquilo que realmente poderia torná-lo engraçado.
72 Horas em Miami tinha tudo para ser uma boa comédia
(Foto: Divulgação/Netflix)
O maior acerto está justamente no elenco da Netflix. Kevin Hart mantém o carisma habitual, enquanto Marcello Hernández, Mason Gooding, Ben Marshall e Kam Patterson conseguem arrancar algumas risadas quando simplesmente interagem entre si. São esses momentos mais espontâneos que fazem o filme funcionar por alguns instantes, embora nunca sejam suficientes para sustentar a história.
Outro problema é que 72 Horas em Miami tenta equilibrar humor, drama, ação e até uma trama envolvendo criminosos locais. O resultado é uma narrativa inchada, que dedica pouco tempo ao que realmente interessa. Em vez de investir nas situações cômicas entre personagens de gerações diferentes, o roteiro da Netflix acumula conflitos paralelos que tiram força da principal proposta do longa.
As piadas também apresentam uma qualidade bastante irregular. Enquanto algumas sequências funcionam, especialmente aquelas envolvendo a despedida de solteira que cruza o caminho dos protagonistas, outras apostam em um humor provocativo que parece ultrapassado e raramente entrega o efeito esperado. Isso faz com que a experiência oscile do começo ao fim, sem encontrar um ritmo consistente.
No fim das contas, 72 Horas em Miami deixa a sensação de oportunidade desperdiçada. A combinação de um elenco talentoso, um diretor experiente e uma premissa curiosa tinha potencial para render uma das boas comédias da Netflix em 2026. Em vez disso, entrega um filme que até arranca algumas risadas, mas dificilmente permanecerá na memória do público depois que os créditos subirem.
Assista abaixo ao trailer da nova comédia da Netflix:
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
Ver mais conteúdos de Victor CierroTangerina é um lugar aberto para troca de ideias. Por isso, pra gente é super importante que os comentários sejam respeitosos. Comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, com palavrões, que incitam a violência, discurso de ódio ou contenham links vão ser deletados.
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