FILMES E SÉRIES

Lanternas e Resident Evil encontraram uma resposta interessante para adaptações em Hollywood

(Foto: HBO Max/Sony Pictures)

Opinião

Lanternas e Resident Evil acertam onde Hollywood errou por anos

As novas produções mostram que respeitar uma franquia não significa simplesmente reproduzir tudo que já funcionou no material original

Victor Cierro
Victor Cierro

Hollywood passou décadas tentando descobrir até onde poderia mudar uma franquia sem afastar os fãs que ajudaram a transformá-la em sucesso. Lanternas e Resident Evil encontraram uma resposta interessante para esse dilema: as duas produções seguiram caminhos inesperados, mas preservaram justamente aquilo que torna seus respectivos universos especiais.

A coincidência chama ainda mais atenção porque as duas propriedades já sofreram bastante no audiovisual. A franquia cinematográfica de Resident Evil, iniciada em 2002, afastou-se progressivamente dos jogos e apostou cada vez mais em grandes sequências de ação. Já Lanterna Verde (2011), estrelado por Ryan Reynolds, tentou incorporar diversos elementos dos quadrinhos, mas não conseguiu transformar essa fidelidade em uma história igualmente convincente.

As novas versões fazem praticamente o contrário. Em vez de partir da obrigação de reproduzir personagens, histórias e imagens conhecidas, os responsáveis pelas produções encontraram maneiras próprias de interpretar esses universos. A diferença fundamental está em entender que fidelidade e reprodução não precisam significar a mesma coisa.

Austin Abrams em cena de Resident Evil

Austin Abrams em cena de Resident Evil

(Foto: Sony Pictures/Divulgação)

Resident Evil e Lanternas encontraram outro caminho

Zach Cregger, diretor de Resident Evil, é fã declarado dos jogos e chegou a encontrar inspiração para o longa em um detalhe pequeno da franquia: uma das anotações que podem ser encontradas durante as partidas. Mesmo assim, sua decisão de criar uma história sem utilizar protagonistas e tramas clássicas dos games provocou resistência antes mesmo da estreia.

O resultado segue uma lógica diferente da adaptação convencional. Bryan (Austin Abrams), um entregador médico encarregado de levar um item importante para cientistas em Raccoon City, funciona como uma espécie de representação de alguém descobrindo Resident Evil pela primeira vez. Conforme os perigos aumentam, ele precisa aprender, evoluir e sobreviver a desafios cada vez maiores, reproduzindo no cinema a sensação de progressão presente nos jogos sem simplesmente adaptar uma de suas histórias.

Lanternas segue estratégia semelhante por outro caminho. A série foi desenvolvida por Chris Mundy, Damon Lindelof e Tom King e transformou a mitologia cósmica dos Lanternas Verdes em uma história policial mais pé no chão. A combinação ajuda a explicar sua identidade: Lindelof já havia trabalhado com a DC em Watchmen (2019), King construiu uma extensa carreira nos quadrinhos e Mundy teve papel fundamental em Ozark (2017-2022).

Aaron Pierre e Kyle Chandler em cena de Lanternas

Aaron Pierre e Kyle Chandler em Lanternas

(Foto: HBO Max/Divulgação)

Liberdade criativa vira diferencial em Hollywood

A grande diferença está justamente na liberdade para mudar. Lanternas consegue incorporar elementos da mitologia da DC dentro de um drama investigativo e, ao mesmo tempo, existir no mesmo universo de produções com propostas bastante diferentes, como Superman (2025). Resident Evil faz algo parecido ao buscar referências, atmosfera e sensações dos games sem depender dos mesmos protagonistas.

Essa abordagem também começa a aparecer em outras grandes franquias. Dan Trachtenberg ajudou a encontrar novos caminhos para Predador em Terras Selvagens (2025), enquanto Fede Álvarez assumiu Alien: Romulus (2024) depois de crescer como fã da saga. Lanternas e Resident Evil reforçam a mesma tendência: talvez o maior acerto de Hollywood não esteja em entregar aos fãs exatamente aquilo que eles esperam, mas colocar essas franquias nas mãos de criadores que entendem por que elas funcionam e têm confiança suficiente para fazer algo diferente com elas.

Resident Evil segue em cartaz nos cinemas. Lanternas, por sua vez, está disponível no catálogo da HBO Max. Assista abaixo ao trailer da série:

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Victor Cierro

Victor Cierro

Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.

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