(Foto: Divulgação/Marvel Studios)
O resultado desse embate deve definir não apenas o desempenho dos estúdios, mas também o fôlego do gênero nos cinemas
O cinema de super-heróis entra em 2026 sob pressão máxima. Depois de um período marcado por bilheterias irregulares, desgaste de público e decisões criativas contestadas, Marvel e DC chegam a este ano como se estivessem diante de um teste decisivo para o futuro do gênero. O que antes era tratado como domínio absoluto agora precisa ser reconquistado, filme a filme.
No lado da Marvel, o estúdio concentra suas fichas em poucos lançamentos, mas com peso simbólico enorme. A estratégia passa por reduzir a quantidade de estreias nos cinemas e apostar em marcas que ainda mantêm forte apelo comercial, tentando recuperar o entusiasmo que marcou a era pré-Ultimato (2019). A expectativa é que 2026 funcione como um ponto de virada antes de mudanças ainda maiores planejadas para os anos seguintes.
O primeiro grande teste vem com Homem-Aranha: Um Novo Dia, previsto para julho. O filme marca um retorno ao lado mais urbano do herói vivido por Tom Holland, deixando de lado o excesso de multiverso e focando novamente em conflitos de rua, vilões mais “pé no chão” e um Peter Parker em novo momento de vida. Mesmo fora da engrenagem tradicional do MCU (Universo Cinematográfico da Marvel), o personagem segue como a aposta mais segura do estúdio nas bilheterias.
Já em dezembro, a pressão recai sobre Vingadores: Doutor Destino. O longa chega com a missão de recolocar os heróis no centro da cultura pop, após anos de narrativas fragmentadas e personagens que não conquistaram o público como o esperado. O retorno dos irmãos Russo à direção e de Robert Downey Jr. em um novo papel aumenta o peso do projeto, que precisa funcionar tanto como espetáculo quanto como reorganização criativa do universo Marvel.
A DC, por sua vez, segue um caminho diferente em 2026. Após a recepção positiva de Superman (2025), o estúdio aposta em construir o novo universo com mais calma, menos títulos e propostas mais específicas. A ideia é consolidar identidade antes de partir para grandes cruzamentos, evitando repetir erros do passado recente.
Supergirl, com estreia marcada para junho, surge como o próximo passo dessa estratégia. Inspirado na fase Woman of Tomorrow dos quadrinhos, o filme promete uma abordagem mais autoral e emocional para Kara Zor-El (Milly Alcock), além de ampliar o escopo cósmico do novo DCU. A personagem já chamou atenção em sua breve aparição anterior e agora assume o protagonismo.
Ainda em 2026, a DC aposta em algo menos óbvio com Cara-de-Barro. O longa de baixo orçamento aposta no terror corporal e psicológico para reinventar um vilão clássico do Batman, apostando em um público além do tradicional fã de super-heróis. Em um ano dominado por apostas gigantes da Marvel, o filme tem espaço para se destacar justamente por ser diferente.
No fim das contas, 2026 coloca Marvel e DC em direções opostas, mas com o mesmo objetivo. Enquanto uma tenta recuperar o brilho apostando em seus maiores ícones, a outra busca solidez com projetos menores e mais controlados. O resultado desse embate deve definir não apenas o desempenho dos estúdios, mas também o fôlego do cinema de super-heróis na próxima década. Assista abaixo ao trailer de Supergirl:
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
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