(Foto: Focus Features/Divulgação)
Sadie Sink e Inde Navarrette estão entre as atrizes que enfrentaram resistência após anúncio da nova equipe
A Marvel finalmente revelou boa parte da nova formação dos X-Men, mas uma velha batalha do estúdio reapareceu antes mesmo de o filme começar sua campanha. As escolhas de Sadie Sink como Jean Grey e Inde Navarrette como Vampira receberam uma forte resistência nas redes sociais, reforçando a dificuldade que produções de super-heróis ainda encontram quando colocam personagens femininas no centro das atenções.
O problema vai muito além de gostar ou não de uma escalação. Existe uma resistência quase imediata de parte do público a projetos do gênero liderados por mulheres, muitas vezes antes que seja possível avaliar o resultado. Depois do enorme impacto de Mulher-Maravilha (2017) e do sucesso bilionário de Capitã Marvel (2019), poucas protagonistas conseguiram mobilizar a audiência da mesma maneira. Supergirl sentiu isso diretamente neste ano e terminou como um dos grandes fracassos de bilheteria. Emplacar uma nova heroína se tornou uma batalha particularmente complicada para os estúdios.
É nesse cenário que chegam as novas mutantes. Sadie Sink já estreou como Jean Grey em Homem-Aranha: Um Novo Dia, no qual a personagem teve uma participação importante ao se conectar emocionalmente com Peter Parker (Tom Holland) por meio das experiências de luto e solidão. Mesmo depois dessa primeira amostra, a atriz virou um dos principais alvos das críticas ao elenco, inclusive por sua forte associação com Stranger Things (2016-2025).
Sadie Sink em cena de Homem-Aranha: Um Novo Dia
(Foto: Sony Pictures/Divulgação)
Inde Navarrette enfrenta uma situação ainda mais contraditória. A estrela de Obsessão chegou a ser defendida por fãs para interpretar uma mutante antes da confirmação da Marvel, mas também passou a receber críticas depois que conseguiu o papel da Vampira. A atriz demonstrou na série uma intensidade que combina especialmente com uma mutante cuja vida é marcada pelo trauma de não poder tocar outras pessoas sem consequências.
Maya Boyd, escolhida como Tempestade, não enfrentou uma reação negativa na mesma proporção. A atriz ainda é mais conhecida por seus trabalhos no teatro do que no cinema, o que deixa o público com menos material para julgar sua escalação. Mesmo assim, a escolha encontrou alguma resistência porque Jayme Lawson estava entre as favoritas dos fãs para assumir o papel. Nesse caso, as críticas parecem estar mais relacionadas à expectativa criada em torno de outra atriz do que propriamente ao trabalho de Boyd.
A formação feminina ainda inclui Samara Weaving como Emma Frost. A personagem ganhará uma nova oportunidade no cinema depois de aparecer em X-Men: Primeira Classe (2011), enquanto Adam Driver foi escolhido para interpretar Senhor Sinistro. A presença do vilão pode abrir espaço para histórias bem mais ambiciosas, considerando sua ligação nos quadrinhos com clonagem, Madelyne Pryor e até as Cuckoos.
Samara Weaving em Casamento Sangrento: A Viúva
(Foto: 20th Century Studios/Divulgação)
O problema é que as novas X-Men precisam vencer uma resistência que começa muito antes de qualquer trailer. A discussão em torno de Sadie Sink e Inde Navarrette mostra como protagonistas femininas ainda podem chegar a grandes franquias carregando uma rejeição prévia, algo que torna mais difícil até separar críticas legítimas de uma aversão automática a esse tipo de produção. Para a Marvel, portanto, não basta acertar nas personagens: será preciso convencer uma parcela da audiência a dar uma chance ao filme.
E ainda é cedo demais para saber se as escolhas vão funcionar. Os anúncios aconteceram na D23, enquanto detalhes sobre a história e a dinâmica dessa nova equipe permanecem limitados. A Marvel prepara uma fase dos mutantes aparentemente mais aberta aos elementos estranhos e fiéis aos quadrinhos, distanciando-se da abordagem adotada durante boa parte da era Fox. Julgar esse elenco agora significa condenar uma versão dos X-Men que o público praticamente ainda não viu.
O novo filme dos X-Men estreia em 5 de maio de 2028 nos cinemas.
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
Ver mais conteúdos de Victor CierroTangerina é um lugar aberto para troca de ideias. Por isso, pra gente é super importante que os comentários sejam respeitosos. Comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, com palavrões, que incitam a violência, discurso de ódio ou contenham links vão ser deletados.
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