(Foto: Divulgação/Marvel Studios)
Agora, todas as fichas estão em Vingadores: Doomsday, uma produção que aposta fortemente na nostalgia e no retorno de rostos conhecidos
Em 2025, a Marvel entrou no ano com um discurso claro de correção de rota. Após críticas crescentes ao excesso de produções e a sensação de que acompanhar o universo dos super-heróis havia virado obrigação, Kevin Feige admitiu publicamente que o estúdio havia priorizado quantidade em vez de qualidade no período pós Vingadores: Ultimato (2019). A promessa era simples e ambiciosa: menos conexões forçadas, mais foco em boas histórias.
Na prática, o estúdio até deu passos nessa direção. Os três principais lançamentos do ano buscaram caminhos diferentes do modelo desgastado que marcou fases recentes do MCU (Universo Cinematográfico da Marvel). O problema é que, mesmo com ajustes criativos evidentes, a resposta do público não acompanhou essa tentativa de renovação.
Capitão América: Admirável Mundo Novo abriu o calendário depois de um processo turbulento, marcado por regravações e atrasos. O filme tenta resgatar o tom de thriller político que fez sucesso em O Soldado Invernal (2014), mas acaba sobrecarregado pela necessidade de resolver tramas antigas e preparar o terreno para eventos futuros. O resultado foi um longa com ideias interessantes, porém engessado pelas próprias obrigações do universo compartilhado.
Do ponto de vista financeiro, o novo Capitão América até se saiu melhor do que os outros filmes do ano, arrecadando US$ 415 milhões (R$ 2,3 bilhões). Ainda assim, o número ficou muito distante do padrão que a Marvel estabeleceu durante sua era de ouro. O desempenho reforçou a percepção de que o público ainda não se conectou plenamente aos novos heróis que assumiram o lugar dos Vingadores originais.
Thunderbolts* foi a aposta mais ousada de 2025. Com personagens de segundo escalão e uma proposta mais centrada em dinâmica de grupo, o filme mostrou que a Marvel ainda sabe trabalhar carisma e humor quando diminui a escala. Mesmo assim, a bilheteria de US$ 382 milhões (R$ 2,1 bilhões) revelou que a boa recepção criativa não foi suficiente para atrair grandes multidões aos cinemas.
Sebastian Stan em cena de Thunderbolts*
(Foto: Divulgação/Marvel Studios)
Já Quarteto Fantástico: Primeiros Passos simbolizou a tentativa mais clara de recomeço. Vendido como um filme que dispensava qualquer conhecimento prévio do MCU, o longa aposta em uma identidade visual marcante e em uma história isolada em outro universo. O resultado artístico foi sólido, mas a arrecadação de US$ 521 milhões (R$ 2,9 bilhões) deixou claro que nem mesmo um dos grupos mais famosos da Marvel conseguiu recuperar o antigo apelo comercial do estúdio.
Quando comparado a outros momentos da história do MCU, o contraste se torna ainda mais evidente. Em 2015, por exemplo, a Marvel lançou Vingadores: Era de Ultron, que passou facilmente da marca de US$ 1 bilhão (R$ 5,6 bilhões), e Homem-Formiga, que chegou a números semelhantes aos do novo Quarteto Fantástico mesmo sendo um personagem pouco conhecido do grande público. Essa comparação escancara o tamanho do desafio atual.
Vanessa Kirby em cena de Quarteto Fantástico
(Foto: Divulgação/Marvel Studios)
O que 2025 revelou, no fim das contas, é que o maior problema da Marvel não estava apenas na qualidade de seus filmes. O estúdio até melhorou nesse aspecto, mas descobriu algo mais difícil de resolver: a perda de relevância cultural e de urgência. Agora, todas as fichas estão em Vingadores: Doomsday, uma produção que aposta fortemente na nostalgia e no retorno de rostos conhecidos. Se isso será suficiente para reacender o interesse do público, só o tempo dirá.
O calendário do estúdio segue com Homem-Aranha: Um Novo Dia em 30 de julho de 2026, preparando o terreno para Vingadores: Doomsday, que estreia em 18 de dezembro do mesmo ano.
Robert Downey Jr. como Doutor Destino
(Foto: Divulgação/Marvel Studios)
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
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