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Capa do texto sobre a série Rutpura

Foto: Divulgação / Arte: Tangerina

Ruptura

Melhores séries de 2022: Cinco motivos para maratonar Ruptura

E se nós pudéssemos separar, literalmente, a vida e o trabalho? Essa é a pergunta com a imperdível série Ruptura, da AppleTV+, nos faz

Rafael Argemon

Rafael Argemon

Você já teve problemas para manter um equilíbrio entre vida pessoal e trabalho? Luta para se desligar depois de um dia difícil no escritório e acaba levando suas preocupações pra casa? Não seria interessante ter um tipo de interruptor, que, literalmente, desligasse você dos afazeres profissionais, te ajudando a focar apenas na vida fora do trabalho? Pois é exatamente neste desejo que se concentra a trama de Ruptura, série da AppleTV+ que certamente fará parte de muitas listas de melhores de 2022 no final do ano. 

Criada e escrita por Dan Erickson e quase toda dirigida pelo ator e comediante Ben Stiller, que é bem mais reconhecido como ator, Ruptura conta a história de um grupo de funcionários de uma empresa bem misteriosa chamada Lumon, em um período equivalente a um tipo de futuro distópico. Para fazer parte desta seleta equipe, essas pessoas passam por um procedimento chamado “ruptura.” Por conta de um chip implantado em seus cérebros, eles conseguem separar suas vidas pessoais do trabalho.

Enquanto estão desligados são chamados de “outies” (ou os “de fora”) e vivem suas vidas sem se importar com nada relacionada ao trabalho, quando estão no modo trabalho ganham a alcunha de “innies” (ou os “de dentro”) e vivem para trabalhar, sem nunca deixar o escritório. 

O problema é que nenhuma de suas duas metades se lembram de suas “outras vidas”. Ou seja, os que estão “desligados” não fazem ideia do que fazem para ganhar dinheiro e nem sobre nada relativo a sua formação, enquanto para o innies não existe nada na vida além do trabalho. Eles sequer sabem se são casados, se têm filhos ou qualquer outra coisa além dos muros da Lumon.

E como se isso não bastasse, eles não sabem nem o que fazem na empresa ou que produto ou serviço a Lumon –uma corporação com estrutura hierárquica familiar de visão e valores quase religiosos– oferece ao consumidor.

Cena da série Ruptura

Trailer da série Ruptura

E se pudéssemos separar vida e trabalho? Essa é a pergunta que faz a série Ruptura

Ruptura define seu tom inquietante imediatamente com a introdução de Helly (Britt Lower), a nova funcionária da equipe de Refinamento de Macro-Dados. Sem saber o que diabos está fazendo ali, ela é recepcionada por seu novo chefe, Mark (Adam Scott). 

Depois de passar por um questionário bem esquisito, ela é apresentada a seus outros dois colegas, Irving (John Turturro) e Dylan (Zach Cherry), e à função de seu departamento: clicar em números aleatórios em um computador o dia todo. Pra quê? Nem seus companheiros de trabalho, que fazem isso há anos, sabem. Helly não se conforma com essa realidade bizarra e opressora e logo se revolta, tentando de tudo para fugir daquele pesadelo.  

Ruptura é uma série com um plano a longo prazo que vai entregando cada um de seus muitos mistérios bem aos poucos e plantando questionamentos e reflexões de modo surreal e bem humorado. Algo que vai te prender a ela completamente, te fazer rir e te confundir. Tudo ao mesmo tempo. 

Curioso, não é? Mas se mesmo assim você ainda não se convenceu a assistir Ruptura, veja aqui cinco motivos que vão fazer você maratonar essa série original da AppleTV+:

Black Mirror encontra The Office

Cena da série Ruptura

Mark, Dylan, Irving e Hely, o time de Refinamento de Micro-Dados; seja lá o que isso quer dizer.

Divulgação

É claro que descrever Ruptura como uma mistura de Black Mirror com The Office é algo muito simplista, mas é legal para contextualizar o tom dessa série surpreendente. Ao mesmo tempo que é uma distopia sombria e opressora, há momentos de muito humor cringe entre o protagonista Mark (Adam Scott) e seus colegas de trabalho Helly (Britt Lower), Irving (John Turturro) e Dylan (Zach Cherry). E até alguns bem tocantes! Esta variação entre gêneros tão distintos é a grande sacada da série.

Faz uma reflexão bem atual sobre trabalho

Cena da série Ruptura

Trabalhamos para viver ou vivemos para trabalhar?

Divulgação

Mesmo sem o período de intenso home office que muita gente foi obrigada a experimentar durante as fases mais perigosas da pandemia, a história de Ruptura já seria impactante. Mas a série ganhou ainda mais relevância depois da Covid-19. A divisão entre vida dentro e fora do ambiente corporativo vem sendo debatida intensamente desde março de 2020 e Ruptura coloca ainda mais o dedo nesta ferida. Trabalhamos para viver ou vivemos para trabalhar? O escritório é uma segunda casa? E nossa casa, pode ser também nosso ambiente de trabalho? Questões que ficam nas entrelinhas desta trama e que nos faz pensar muito sobre isso.

É esteticamente impressionante

Cena da série Ruptura

A luz dita o tom sombrio de Ruptura.

Divulgação

Você não precisa de sombras para retratar algo sombrio. Ruptura consegue esse efeito de maneira espetacular. O branco domina a tela. Tanto dentro dos corredores assépticos da Lumon quanto fora das instalações da misteriosa corporação. Enquanto do lado de dentro da empresa seus corredores labirínticos causam uma sensação de opressão, do lado de fora, as paisagens sempre com muita neve nos transporta a uma ambiente desolado. E a luz é o fator principal na construção dessa atmosfera sombria.

Engaja não só pelo mistério

Cena da série Ruptura

Personagens equilibram o tom de mistério total sobre o que é a Lumen.

Divulgação

A construção dos personagens secundários é tão importante quanto a de Mark. É claro que ele é o principal fio condutor da trama, mas assim que vamos descobrindo mais sobre os outros personagens, a narrativa cresce. Se intensifica. E tudo com muito equilíbrio. Ao mesmo tempo que os mistérios sobre o que exatamente é a Lumon vão se empilhando, descobrimos mais sobre cada um dos companheiros de trabalho de Mark e suas motivações. Até de sua maquiavélica chefe interpretada por Patricia Arquette. Algo que te engaja na jornada. Por mais maluca que ela possa parecer.

Todos os episódios já estão disponíveis

Cena da série Ruptura

Qual seria o sentido da função de Mark e seus colegas? Quem sabe uma maratona responda a isso.

Divulgação

No universo das plataformas de streaming há uma guerra em andamento. Aqueles que preferem séries lançadas já com todos os seus episódios, estilo Netflix, e as pessoas que preferem o jeito antigo, com episódios lançados semanalmente. A AppleTV+ segue um formato mais parecido com o tradicional, lançando dois ou três episódios de uma vez, seguindo posteriormente com um por semana. Mas nessa altura do campeonato, não importa se você é de um time ou de outro. Ruptura já está completa no catálogo da plataforma, só esperando você para uma maratona. Bora lá?

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QUEM FEZ
Rafael Argemon

Rafael Argemon

Rafael Argemon é criador do perfil O Cara da Locadora no Instagram e também assina uma coluna com o mesmo nome na Tangerina, onde indica as pérolas escondidas nas plataformas de streaming. Cinéfilo e maratonador de séries profissional, passou por Estadão, R7, UOL, Time Out e Huffpost. Apaixonado por pugs, sagu e jogos do Mario.

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