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Ella Beatty interpreta Lizzie Borden na nova temporada de Monstro, série da Netflix

(Foto: Netflix/Divulgação)

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Monstro na Netflix: Como foi o julgamento real de Lizzie Borden e o que aconteceu

Acusada de matar o pai e a madrasta a machadadas em 1892, mulher dividiu opiniões da época e morreu sem confessar os assassinatos

Paola Zanon, jornalista da Tangerina
Paola Zanon

A Netflix lançou nesta semana a quarta temporada de Monstro, que desta vez é inspirada na história real de Lizzie Borden, acusada de matar o pai e a madrasta com um machado em 4 de agosto de 1892. A série tem oito episódios que foram disponibilizados de uma vez na plataforma de streaming. Neste texto, a Tangerina detalha o que foi analisado durante as investigações e como foi o julgamento da mulher.

Ella Beatty foi escalada para o papel principal da produção, que também conta com nomes como Charlie Hunnam, Rebecca Hall, Vicky Krieps e Sarah Paulson no elenco. A série foi criada por Ryan Murphy e Ian Brennan e já contou as histórias de Jeffrey Dahmer, dos Irmãos Menendez (Lyle e Erik Menendez) e de Ed Gein.

A história real de Lizzie Borden

Nascida em Massachusetts, Lizzie Borden tinha 32 anos quando seu pai, Andrew, e sua madrasta, Abby, foram brutalmente assassinados com golpes de machado em sua própria casa na cidade de Fall River, em 4 de agosto de 1892. A jovem foi acusada pelos homicídios, mas nunca confessou a autoria dos crimes.

Além da extrema violência, chamou a atenção da polícia a postura de Lizzie logo após o ocorrido: de acordo com a revista People, testemunhas relataram que ela se manteve estranhamente calma e serena, sem derramar lágrimas, mesmo tendo sido ela própria a pessoa a encontrar o corpo do pai na sala de estar.

A série retrata uma relação extremamente conturbada entre Lizzie e sua madrasta, mas registros históricos mostram versões divididas. Nos depoimentos oficiais, Lizzie sustentou que o convívio era cordial, enquanto relatos da época apontam que as irmãs não a chamavam de mãe e evitavam fazer refeições juntas. A jovem também se incomodava com o controle financeiro na residência.

Conforme descrito em reportagem da revista People, o pai era conhecido por sua avareza excessiva, mantendo a família em uma casa modesta na Second Street, sem encanamento interno nem iluminação a gás, apesar de possuir uma grande fortuna.

A relação se desgastou com episódios como a morte dos pombos por Andrew e, em especial, a partir de 1887, quando ele comprou uma propriedade para a meia-irmã de Abby sem avisar as filhas com antecedência, gerando revolta por parte de Lizzie e de sua irmã mais velha, Emma.

Ella Beatty é Lizzie Borden e Vicky Krieps é Maggie Sullivan na série Monstro, da Netflix

Ella Beatty é Lizzie Borden e Vicky Krieps é Bridget Maggie Sullivan na série Monstro

(Foto: Divulgação/Netflix)

O dia do crime e as suspeitas policiais

Quando Andrew e Abby foram encontrados mortos, as únicas pessoas presentes no imóvel eram Lizzie e a empregada da casa, Bridget “Maggie” Sullivan. A série Monstros da Netflix indica que Lizzie tinha uma relação íntima com Maggie; existem teorias de envolvimento amoroso entre as duas.

Como ninguém estranho foi visto entrando ou saindo do local, a polícia focou nas pessoas da própria casa. A empregada forneceu um álibi dizendo que limpava as janelas antes de ir descansar no sótão, ao passo que Lizzie apresentou versões confusas e contraditórias sobre onde estava no momento dos ataques.

Além disso, as suspeitas se intensificaram quando farmacêuticos relataram que, na véspera dos crimes, Lizzie tentou comprar ácido prússico (cianeto), alegando que usaria o veneno para limpar uma capa de pele de foca.

Ella Beatty em Monstro: A História de Lizzie Borden

Ella Beatty em Monstro: A História de Lizzie Borden

Foto: Reprodução/Netflix

No porão da residência, os investigadores localizaram a cabeça de um machado sem cabo, escondida em uma caixa de ferramentas e coberta por cinzas para disfarçar marcas recentes, a qual a acusação defendeu ser a arma do crime com dimensões compatíveis aos ferimentos das vítimas.

A polícia não encontrou vestimentas manchadas de sangue no corpo de Lizzie, e um balde com panos ensanguentados achado no subsolo foi justificado por ela pelo fluxo de sua menstruação. No entanto, dias após os homicídios, Lizzie queimou um de seus vestidos no fogão da cozinha. Ela alegou que a peça havia sido manchada com tinta, e a irmã Emma confirmou mais tarde no tribunal que tinha sugerido a destruição do traje.

Para a acusação, conforme aponta a People, o interesse financeiro também era evidente: a ordem das mortes indicava que Abby morreu antes de Andrew, o que deixava toda a herança diretamente para Lizzie e a irmã, em uma fortuna estimada em cerca de US$ 10 milhões em valores atuais.

Linda Reiter é Bertha Manchester e Charlie Hunnam é Andrew Borden na série Monstro

Linda Reiter é Bertha Manchester e Charlie Hunnam é Andrew Borden na série Monstro

(Foto: Divulgação/Netflix)

Como foi o julgamento de Lizzie Borden

Levada a julgamento em junho de 1893, Lizzie foi absolvida por um júri composto por 12 homens após menos de duas horas de deliberação. O desfecho favorável se deu tanto pelo fato de que as evidências materiais eram circunstanciais quanto pela exclusão de provas importantes no processo, como os depoimentos contraditórios dela sem advogado e o episódio da tentativa de compra de cianeto.

Além disso, pesou o preconceito social da era vitoriana, época em que a sociedade e os jurados acreditavam que uma mulher de boa família e refinada não teria capacidade física nem psicológica de cometer tamanha brutalidade. Ninguém mais foi formalmente acusado ou julgado pelo duplo assassinato.

Depois do tribunal, Lizzie e Emma usaram a herança para comprar uma mansão na vizinhança nobre de The Hill, batizada de Maplecroft. Anos depois, por volta de 1905, as irmãs romperam a convivência. Lizzie passou seus últimos anos reclusa e morreu em 1927, aos 66 anos, vítima de complicações de saúde decorrentes de pneumonia e problemas após cirurgias, levando consigo o segredo definitivo sobre o caso. Ela nunca confessou o crime.

Realidade X ficção: detalhes da série Monstro

A série também acrescenta outro crime no histórico de Lizzie: o assassinato de Bertha Manchester (Linda Reiter), uma vizinha que maltratava Maggie quando ela era empregada na sua casa. Em Monstro, Bertha é um teste para o ato principal de Lizzie e Maggie. Mas, na vida real, ela foi morta depois do casal Borden, um pouco antes do julgamento de Lizzie começar. O imigrante português Jose Correa de Mello foi condenado injustamente pelo crime.

Quem foi Nance O’Neil

Na série da Netflix, a amiga de Lizzie, a atriz Nance O’Neil (Jessica Barden), a orienta durante o julgamento por assassinato. Nance ficou amiga de Lizzie na vida real, mas foi em 1904, mais de uma década após ela ser inocentada. “Quando se faz uma série sobre um crime real, as episódios do julgamento são os que eu mais temo. Eles podem acabar tendo muitos clichês e são os mais difíceis de dramatizar. Julgamentos são processos secos e chatos, mas essa ideia de que a Lizzie conhecia uma atriz, o que era verdade, nos deu um gás”, conta Ian Brennan, um dos criadores de Monstro, ao site Tudum, da Netflix.

Na vida real, Lizzie realmente mostrou sua delicadeza feminina para o júri, mas isso foi encorajado por sua defesa, não por Nance. “Nesse ponto na série, a Lizzie conta a si mesma a história da sua vida e o porquê aquilo tudo precisou acontecer. Era necessário se manter fiel àquela história para enfrentar o julgamento”, explica Ella Beatty, a protagonista da obra.

Após ser inocentada, Lizzie passou o resto dos seus dias em Fall River, Massachusetts, com sua irmã Emma. Até que a desaprovação dela sobre o relacionamento de Lizzie e Nance separou as irmãs para sempre. A jovem também foi ignorada por sua comunidade e buscou conforto nos amigos da alta sociedade, como Nance. Essa amizade foi muito comentada e pode ter sido o início da especulação do público sobre a sexualidade de Lizzie, abordada na série através da relação com Maggie.

Que foram Aileen Wuornos e Elizabeth Báthory?

Ian Brennan e Ryan Murphy também trouxeram histórias de gerações anteriores, como fizeram na última temporada, em Monstro: A História de Ed Gein. Nessa temporada, a primeira de Monstro a focar em uma mulher, a noção de monstruosidade feminina é impactante.

Uma das inspirações de Lizzie é outra assassina da época dos espartilhos. Maggie lê histórias sangrentas antes de dormir, que a série apresenta em forma de flashbacks, como a Segunda Guerra Mundial em A História de Ed Gein. Aqui, Vicky Krieps interpreta outra figura “inspiradora”: a notória possível serial killer Elizabeth Báthory, uma nobre húngara acusada de se banhar no sangue de virgens.

Sarah Paulson é Aileen Wuornos em Monstro: A História de Lizzie Borden

Sarah Paulson é Aileen Wuornos em Monstro: A História de Lizzie Borden

(Foto: Divulgação/Netflix)

Mas a série também avança no tempo até a história de Aileen Wuornos (interpretada por Sarah Paulson), uma serial killer que se inspira em Lizzie. Nesse conto, Aileen chega a ficar na casa da família Borden com sua parceira Shelby (Jessie Lee), que lê para ela assim como Maggie fez para Lizzie. Não há evidência que a verdadeira Aileen teve interesse nos assassinato do casal Borden, mas uma parte da história é verdade: a casa da família em Fall River, Massachusetts, realmente se tornou uma pousada.

Assista ao trailer de Monstro: A História de Lizzie Borden, série que está disponível para assistir na Netflix:

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Paola Zanon, jornalista da Tangerina

Paola Zanon

Jornalista formada pela Cásper Líbero, repórter e redatora com passagens pelo Notícias da TV, R7, UOL Esporte, Lakers Brasil e UmDois Esportes. Apaixonada por cobertura esportiva e cultura pop em geral. E-mail: paola@tangerina.news

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