(Foto: Divulgação/MUBI)
Jennifer Lawrence transita com precisão entre fragilidade, desejo e fúria
A temporada do Oscar 2026 deixou para trás uma das atuações femininas mais intensas e desconfortáveis do ano. Morra, Amor, novo filme dirigido por Lynne Ramsay, passou praticamente em branco entre os votantes da Academia, apesar do consenso crítico em torno do trabalho entregue por Jennifer Lawrence. A performance foi a mais corajosa de sua carreira.
No filme, a atriz assume o centro absoluto da narrativa e conduz a experiência com uma atuação crua, visceral e exaustiva. Jennifer Lawrence constrói sua personagem a partir de pequenos gestos, silêncios e explosões emocionais que transformam o longa em algo íntimo e inevitável, exigindo do público um envolvimento constante e desconfortável.
A história acompanha Grace (Jennifer Lawrence), uma mulher que se muda para o campo ao lado do companheiro e rapidamente se vê aprisionada por uma rotina doméstica sufocante. Após o nascimento do filho, ela mergulha em uma depressão pós-parto violenta e inquietante, apresentada sem concessões pela direção de Ramsay, que aposta em imagens sensoriais, ritmos irregulares e longos momentos de tensão silenciosa.
Longe de qualquer abordagem didática, Morra, Amor constrói sua força justamente no incômodo. A câmera permanece próxima do corpo e do rosto de Jennifer Lawrence, registrando exaustão, delírio e frustração de forma quase física. O filme evita explicações fáceis e coloca o espectador dentro do colapso emocional da protagonista.
Jennifer Lawrence e Robert Pattinson em cena de Morra, Amor
(Foto: Divulgação/MUBI)
A atuação da atriz transita com precisão entre fragilidade, desejo e fúria. Grace nunca é apresentada como vítima idealizada nem como figura redentora, mas como alguém imprevisível, contraditória e dolorosamente humana. É esse retrato sem filtros que torna o trabalho de Jennifer Lawrence tão impactante quanto divisivo.
Apesar da força artística, o filme enfrentou dificuldades para alcançar um público mais amplo. O caráter experimental da narrativa, somado ao tom sombrio e à ausência de concessões, limitou sua circulação e acabou refletindo também na temporada de prêmios, mesmo com uma campanha de divulgação ativa e aparições comentadas de Jennifer Lawrence ao lado de Robert Pattinson.
Em um ano marcado por performances femininas fortes e disputadas, a ausência de Morra, Amor nas principais categorias reforça um padrão recorrente da Academia: obras que desafiam o conforto do espectador seguem encontrando resistência, mesmo quando entregam atuações que dificilmente passam despercebidas fora da corrida pelo Oscar.
Morra, Amor está disponível no MUBI. Assista abaixo ao trailer do filme:
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
Ver mais conteúdos de Victor CierroTangerina é um lugar aberto para troca de ideias. Por isso, pra gente é super importante que os comentários sejam respeitosos. Comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, com palavrões, que incitam a violência, discurso de ódio ou contenham links vão ser deletados.
Ainda não tem uma conta?
Só o que vale o play
Toda sexta-feira, no seu e-mail, as melhores dicas de filmes e séries para ver em casa