(Foto: Reprodução/YouTube-TED)
Filme dirigido por vencedor do Oscar reúne depoimentos inéditos da ex-mulher Justine Musk, expõe contradições corporativas e detalha a vida íntima do magnata
O documentário Musk teve sua estreia mundial durante a 83ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza, que acontece até o próximo dia 12. Com quase quatro horas de duração, a obra foi dirigida pelo cineasta Alex Gibney, vencedor do Oscar por Um Táxi para a Escuridão (2007), e recebeu quatro minutos de aplausos. O conteúdo traz relatos de antigas parceiras de Elon Musk e investiga negócios que envolvem Tesla, SpaceX e política.
A distribuição nos cinemas norte-americanos está agendada para 16 de outubro, pela distribuidora independente Bleeker Street, com lançamento ainda sem data definida previsto na HBO Max para o streaming.
Um dos pontos de maior repercussão até o momento é o depoimento de Justine Musk, primeira mulher do empresário, com quem permaneceu casada entre 2000 e 2008. Durante a entrevista, a escritora canadense relatou ter sido apresentada ao conceito de manipulação psicológica, conhecido como gaslighting, ao longo da convivência conjugal.
Justine relembrou que, ainda na festa de casamento, durante a primeira dança do casal, Musk sussurrou em seu ouvido: “Eu sou o alfa nesta relação”. Ela também ressaltou que era tratada de forma condescendente, semelhante à posição de uma funcionária, e que o ex-marido apontava constantemente falhas em seu comportamento.
Além da convivência matrimonial, a produção expõe divergências familiares no núcleo pessoal do magnata. Justine desmentiu uma publicação feita pelo ex-companheiro em redes sociais na qual ele afirmava ter segurado nos braços o primeiro filho deles, Nevada, no momento da morte do bebê por síndrome da morte súbita em 2002. Segundo ela, quem segurava a criança na ocasião era ela própria.
Elon Musk e Justine foram casados de 2000 a 2008
(Foto: Reprodução)
Após a morte de Nevada em 2002, Justine e Elon tiveram os gêmeos Vivian e Griffin, em 2004, e os trigêmeos Kai, Saxon e Damian, em 2006. Desde o divórcio, Elon teve pelo menos oito filhos com três mulheres: a musicista Grimes, a investidora Shivon Zillis e a influenciadora que era ligada à direita e ao movimento movimento MAGA (Make America Great Again), Ashley St. Clair.
O filme também detalha o distanciamento entre Musk e sua filha transgênero Vivian. A mãe declarou que o empresário cancelou o plano de saúde da jovem após a transição e nunca buscou reconciliação, embora tenha solicitado à ex-esposa que transmitisse a mensagem de que sempre a amaria.
A obsessão de Elon Musk pela procriação é outro aspecto do documentário. Atualmente, o empresário tem 14 filhos conhecidos publicamente, fruto de relacionamentos com quatro mulheres diferentes. No documentário, Justine revelou que o ex-marido costuma se referir às mães de suas crianças pelo termo parideiras, acrescentando que, na visão dele, essas mulheres seriam “intercambiáveis”.
O comportamento do trilionário é reforçado pelo relato de Ashley St. Clair, que deu à luz o 13º filho do magnata e revelou ter recusado uma proposta de US$ 40 milhões feita por ele, de confidencialidade. “Espero que o risco que estou correndo agora, ao me manifestar e tentar lutar, ajude pelo menos um pouco”, disse ela, em entrevista em Veneza, de acordo com a Variety.
O documentário reúne revelações que questionam a imagem pública construída ao redor do empresário. No mundo corporativo, a produção aponta que a principal habilidade do magnata é a capacidade de investimento e na movimentação de ações, lembrando que ele não fundou a Tesla, ponto confirmado em depoimento do cofundador Martin Eberhard.
O longa também aponta os riscos do sistema de pilotagem automática dos veículos, associado a dezenas de acidentes fatais, e desmistifica a promessa de colonização imediata do planeta Marte.
No campo pessoal e político, a narrativa traz uma entrevista com o pai do magnata, Errol Musk, sobre sua infância conturbada na África do Sul, e examina sua aproximação recente com o ex-presidente Donald Trump e o uso de dados governamentais. Musk não participou das gravações e classificou o projeto como uma peça de ataque antes mesmo do lançamento.
Vinícius Andrade
Jornalista e Coordenador de Conteúdo da Tangerina. Vinícius Andrade já foi editor do Notícias da TV. Interessado por tudo o que envolve mercado de entretenimento, tem mais de 14 anos de experiência na área e também trabalha com jornalismo local. E-mail: vinicius@tangerina.news
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