FILMES E SÉRIES

Ella Beatty em Monstro: A História de Lizzie Borden, da Netflix

(Foto: Netflix/Divulgação)

Mudança na Estrutura

Netflix arrisca nova fórmula para Monstro após 4 temporadas

História de Lizzie Borden divide espaço com outras duas assassinas e transforma estrutura que marcou a antologia

Victor Cierro
Victor Cierro

A Netflix decidiu mexer em uma das características mais importantes de Monstro justamente em sua quarta temporada. Depois de dedicar seus capítulos principalmente à exploração de uma figura central, a antologia de Ryan Murphy amplia consideravelmente sua abordagem em A História de Lizzie Borden ao colocar três assassinas no centro da narrativa. A novidade, porém, também se transforma em um dos principais problemas dos novos episódios.

A temporada acompanha Lizzie Borden (Ella Beatty), acusada de matar o pai e a madrasta com um machado em 1892. Ela acabou absolvida, mas o caso atravessou mais de um século cercado por dúvidas e transformou a protagonista em uma das figuras mais conhecidas do imaginário criminal dos Estados Unidos. A produção da Netflix parte justamente dos mistérios envolvendo suas possíveis motivações para construir a história.

O grande diferencial aparece quando Monstro deixa de concentrar toda a atenção nela. A série também abre espaço para Elizabeth Báthory (Vicky Krieps) e Aileen Wuornos (Sarah Paulson), criando três linhas envolvendo mulheres associadas a crimes violentos em épocas completamente diferentes. A ideia permite que a produção explore paralelos sobre a maneira como mulheres assassinas são encaradas pela sociedade, mas também fragmenta consideravelmente a temporada.

Sarah Paulson em Monstro: A História de Lizzie Borden, da Netflix

Sarah Paulson em Monstro: A História de Lizzie Borden

(Foto: Netflix/Divulgação)

Monstro muda fórmula na Netflix

Não é a primeira vez que Monstro utiliza histórias paralelas. Na temporada anterior, centrada em Ed Gein (Charlie Hunnam), personagens como Alfred Hitchcock (Tom Hollander) e Tobe Hooper (Will Brill) apareciam para mostrar como os crimes do assassino influenciaram a cultura popular e obras como Psicose (1960) e O Massacre da Serra Elétrica (1974). Essas tramas, portanto, continuavam diretamente relacionadas ao personagem principal.

A dinâmica é diferente com Lizzie Borden. Elizabeth Báthory ganha uma trama ambientada séculos antes, enquanto Aileen Wuornos aparece como alguém obcecada pela protagonista. No caso de Wuornos, essa ligação com Borden foi criada especificamente pela equipe de Monstro. As duas histórias acabam funcionando quase como retratos independentes, sem a mesma conexão narrativa encontrada anteriormente na antologia.

O problema é que essa divisão também reduz o tempo dedicado ao principal mistério da temporada. Ao longo dos oito episódios, Monstro levanta diferentes possibilidades para explicar Lizzie Borden, passando por sua sexualidade, pelas limitações impostas às mulheres na sociedade vitoriana e por questões físicas e psicológicas. A produção aborda essas hipóteses, mas nem sempre encontra espaço para desenvolvê-las profundamente.

A quarta temporada, assim, representa uma tentativa clara de ampliar a fórmula de Monstro. Báthory e Wuornos têm histórias capazes de sustentar produções próprias, mas colocá-las ao lado de Lizzie Borden faz a série disputar atenção com ela mesma. A Netflix encontra uma maneira inédita de renovar sua antologia após três temporadas, embora a ambição de contar três histórias simultaneamente termine deixando justamente sua nova protagonista com menos espaço.

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Victor Cierro

Victor Cierro

Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.

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