(Foto: Divulgação/Prime Video)
Se Greta Gerwig conseguir equilibrar o material original com uma leitura moderna, o novo filme tem tudo para ser um grande sucesso
Depois do sucesso gigantesco de Barbie (2023), Greta Gerwig assumiu um dos projetos mais ambiciosos da Netflix para os próximos anos: trazer Nárnia de volta aos cinemas. A diretora decidiu começar pelo início cronológico da história com O Sobrinho do Mago, livro que funciona como prelúdio da franquia criada por C. S. Lewis (1898-1963).
A escolha coloca o novo filme em uma posição curiosamente parecida com a de O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder. Assim como a série da Amazon, Nárnia vai explorar acontecimentos muito anteriores ao que grande parte do público conhece, apostando em expandir um universo amado em vez de simplesmente continuar a história principal.
Só que existe um alerta importante vindo justamente de Os Anéis de Poder. Um dos pontos que mais dividiram os fãs foi a percepção de que a série se afastou demais do material original de J. R. R. Tolkien (1892-1973), alterando cronologia, detalhes do mundo e características já estabelecidas dos personagens.
No caso de Nárnia, esse cuidado pode ser ainda mais importante porque a Netflix terá acesso a toda a coleção literária de Lewis. Ainda assim, uma decisão já chamou atenção dos leitores: o filme deve deslocar a história para os anos 1950, enquanto o livro original era ambientado em 1900. A mudança ainda não foi explicada oficialmente, mas já entrou no radar dos fãs mais atentos ao cânone.
Greta Gerwig e Ryan Gosling nos bastidores de Barbie
(Foto: Divulgação/Warner Bros.)
Ao mesmo tempo, existe uma lição que vale ser aproveitada. Os episódios mais elogiados de Os Anéis de Poder são justamente aqueles que apostaram em batalhas grandiosas e espetáculo visual. Nárnia nunca foi uma saga tão centrada em combate quanto o universo de Tolkien, mas O Sobrinho do Mago tem espaço para ampliar conflitos que aparecem apenas sugeridos no livro, especialmente envolvendo Jadis e acontecimentos do reino de Charn.
Outro ponto que a Netflix provavelmente vai observar é a quantidade de personagens. Um dos comentários recorrentes sobre Os Anéis de Poder foi que a série tentava acompanhar grupos demais ao mesmo tempo, prejudicando o ritmo. Como O Sobrinho do Mago será um filme e não uma série, manter Digory, Polly, Tio Andrew e Jadis no centro da narrativa pode ser o caminho mais seguro para conquistar tanto quem já conhece Nárnia quanto quem vai entrar nesse universo pela primeira vez.
O histórico também mostra que reinventar não significa ignorar o que funcionou antes. As adaptações antigas de Nárnia para o cinema nunca chegaram ao tamanho de O Senhor dos Anéis, mas encontraram público e deixaram elementos visuais que ainda são lembrados. Se Greta Gerwig conseguir equilibrar respeito ao material original com uma leitura moderna, a Netflix pode encontrar exatamente em Os Anéis de Poder o mapa para transformar Nárnia em seu próximo grande fenômeno de fantasia.
O Sobrinho do Mago estreia em 12 de fevereiro de 2027 nos cinemas, seguido pelo lançamento na Netflix em 2 de abril.
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
Ver mais conteúdos de Victor CierroTangerina é um lugar aberto para troca de ideias. Por isso, pra gente é super importante que os comentários sejam respeitosos. Comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, com palavrões, que incitam a violência, discurso de ódio ou contenham links vão ser deletados.
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